Manuel José RebolaVida paralela em termos profissionais
Por Cátia Pacheco
Nasceu em 1957 no Alentejo, mais precisamente em Estremoz. Na altura ocorreu uma elevada emigração de alentejanos para os arredores de Lisboa, e a família Rebola não foi excepção.
Foi a cidade de Setúbal que acolheu esta família. O pai, Joaquim António Rebola esteve sempre ligado à área dos combustíveis.
Quando frequentava a segunda classe, a família decide mudar-se para o Barreiro, “devido a questões de Saúde do meu pai”, refere Manuel José Rebola.
Foi até ao 19 anos que ficou nesta cidade, onde frequentou a Escola Alfredo da Silva. Mais tarde teve duas opções, ou continuava a estudar, ou seguia os estudos comerciais, “continuei a estudar, fui para o liceu dos Casquilhos. Fiz o 7º ano não completo, só mais tarde concluí em Setúbal”, menciona.
Em 1975, com 18 anos, decide procurar emprego, e vai para uma área, que não altura não sabia nada, “concorri a um emprego que não sabia o que era, disseram que ia para um sindicato introduzir a informática nos serviços, perguntei o que é isso?, mas a resposta que me deram foi - não sabemos muito bem, é qualquer coisa ligada à informação”, recorda.
Ingressou então no Sindicato dos Metalúrgicos, com a missão de fazer um levantamento de informação que o sindicato pretendia fazer.
Manuel José Rebola conta com que, nessa altura, “concluí que era isto que queria fazer na minha vida. A informática era o amor da minha vida em termos profissionais.”
Na altura, a informática nada tinha a ver com aquela que conhecemos hoje em dia, e que quase todas as pessoas têm acesso. O trabalho que desenvolvia no sindicato não era com computadores presentes, estes encontravam-se em Lisboa e tinham de ser alugados à hora, “naquela altura era alugado a cinco contos à hora, para termos ideia, eu ganhava sete contos por mês.”
“Comprei um Curso de Programação por correspondência”
Em 1976 casa e em 1978 tem a sua primeira filha, altura também em que ingressa na tropa, “foram tempos atribulados”, confessa. Durante 18 meses esteve na tropa em Vendas Novas, na altura ficou numa área de formação, que decorria apenas duas vezes por ano, durante dois meses e meio, o que permitia ter muito tempo para estudar, como na altura não havia muita coisa na área da informática, resolveu comprar um curso de programação por correspondência.
Quando saiu da tropa tem novas perspectivas na formação profissional. Com a experiência que já tinha adquirido, e com os estudos que tinha realizado até então, decidiu fazer uma proposta ao sindicato, “quero-me valorizar profissionalmente, tirar cursos, vocês enviam-me para as empresas para realizar este cursos, e eu asseguro todo o sector”, o sindicato aceitou, mas com uma condição, Manuel José Rebola teria de ficar naquele serviço, pelo menos três anos. O desafio foi aceitei.
É nesta altura que Manuel José Rebola inicia a sua vida paralela em termos profissionais, por um lado o trabalho desenvolvido como técnico informático, no Sindicato dos Metalúrgicos, por outro, a abertura da bomba de gasolina, “Rebola e Filho, Lda” e a sua entrada no mundo empresarial. “Este era o sonho do meu pai, e eu como filho único não poderia deixar de o apoiar”, relembra de forma emocionada todo esse percurso. “Em 1981 estava a trabalhar no Sindicato, estava a tirar os cursos em Lisboa, e à noite tinha de ir para a bomba”.
“A primeira vez que vi um computador na minha vida, senti um arrepiou na espinha. Fiquei estupefacto”
No campo da informática, Manuel José Rebola ficou a trabalhar com o sindicato até 1989, mas nesses anos foi desenvolvendo trabalhos paralelos, nomeadamente em 84 esteve ligado a um projecto de informatização da volta ao Alentejo em bicicleta, onde acompanhava as equipas e fazia a recolha dos dados dos ciclistas, para que no final da prova pudesse dar aos jornalistas um resumo do dia.
Em 86, ligado às empresas às quais o Sindicato alugava as máquinas, começa a dar formação, e abraça um projecto de informatização das juntas de freguesia, onde esteve até 1989, “altura também em que saí do Sindicato”.
Em 1991/1992 é convidado para trabalhar com os países africanos de língua portuguesa. Em Angola instala o software para o primeiro registo das eleições. Esteve ligado ao controle de venda de habitação em Angola, “as casas tinha sido ocupadas, quando os Portugueses as deixaram, e estavam a ficar muito degradadas, ninguém se preocupava em recuperá-las. O governo decidiu vender as casas às pessoas que já as habitavam, de forma a que estas pudessem dar mais valor às coisas e começassem a recuperá-las.”
Manuel José Rebola recorda com alguma nostalgia estes tempo, e afirma, “fiquei apanhado por África, se houvesse paz eu tinha lá ficado para sempre”.
Em 1992 vem para a Região de Turismo de Setúbal, onde se encontra até hoje como responsável da área de informática.
Em 1996, durante um período mais calmo da sua vida, decide voltar a estudar, e tira o bacharelato em Engenharia Informática de Gestão, no Politécnico de Setúbal.
Área Empresarial
Para iniciar o projecto da abertura da bomba de gasolina, teve de passar por alguns obstáculos. Na altura no Barreiro só existiam bombas de gasolina abertas até ás nove horas, havia uma grande carência de abastecimento, também nessa altura, estava-se a sair de uma crise no petróleo, e mantinham-se fechadas as licenças para abertura de novas bombas.
“Nessa altura propusemos à companhia que, o alvará que existia para uma bomba que estava localizada dentro de uma garagem, sem condições, passa-se para aqui, assim utilizámos um alvará já existente”, revela.
O segundo passo era pedir autorização à Câmara, uma vez que o terreno era camarário. Devido à insuficiência de serviços neste sector, a Câmara acolheu o pedido
Como na altura as companhias não faziam investimentos, era necessário arranjar dinheiro para a construção do posto.
Foi aqui que ocorreram algumas peripécias, que foram dificultando a realização desse sonho, Manuel José rebola garante que foram colocados alguns entraves porque, “havia forças para que não abríssemos o posto, para que este fosse aberto por outras pessoas” , no entanto a persistência de pai e filho foi grande, e em 1981 conseguiram finalmente concretizar esse desejo. “Não foi fácil, mas fomos evoluindo”.
Inicialmente o posto era constituído apenas por um passeio com 2 bombas, mas em 1984 foram feitas as primeiras alterações, foi enterrado outro tanque, e uma das bombas existentes passou a dupla.
“A nossa bomba abria todos os dias e foi alargando o horário, inicialmente estava aberta até às 24h, mas tarde até à 01h, e quando arranjamos todas as condições começamos a abrir 24 horas”, garantindo que foi isso que fez crescer o negócio.
Em 1990 houve novamente um grande investimento, desta feita, por parte da companhia, onde foi colocado o telheiro de protecção, construído o murro e colocado bombas novas.
“Tivemos sempre vontade de ampliar o negócio, mas por falta de espaço isso não foi possível”.
Há 5 anos atrás faleceu o seu pai, e desde então foi Manuel José Rebola que assumiu por completo as funções de empresário.
Neste momento se este técnico informático e empresário tivesse de optar, “não seria fácil, mas optava pelos combustíveis. Todos os conhecimentos que tenho, pu-los as serviço da casa. Na informática, neste momento com 47 anos, já não dou o mesmo rendimento , e posso dar muito mais à empresa, tenho várias ideias, vários projectos”, revela.
No final desta conversa, Manuel José Rebola quis deixar duas mensagens, uma dirigida aos empresários, “não se desmoralizem, mas sobretudo, façam tudo com honestidade e isenção”, outra dirigida aos governantes, “consigam introduzir justiça no mundo laboral, tanto para os trabalhadores, como para os empresários, pois existem empresários honestos, que cumprem os seus deveres, enquanto que há outros que só mostram uma parte do rabo, e o mesmo se passa com os trabalhadores, há uns honestos, cumpridores, que devem ser recompensados e acarinhados de forma especial, e outros, que vivem do que os colegas produzem, e aí devia haver forma de os punir. É necessário que a justiça actua, mas uma justiça verdadeira”.














