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Maria Helena MartinsUma mulher de luta

Maria Helena Martins é sócia-proprietária de uma das empresas mais antigas do Barreiro, a Apifex.- Decorações e Revestimentos. Foi aqui que passou as ultimas décadas, umas melhores, outras menos boas. Com 64 anos mantém a garra que a ajudou a vencer e que a caracteriza como uma “pessoa de muita luta”.
3 min de leitura

Por Catarina Simão

Nasceu há 64 anos, no dia 31 de Outubro, numa aldeia do concelho de Oliveira do Hospital, mais precisamente em Meruje. “Sou ratinha, como dizem aqui”, afirma com orgulho Maria Helena Martins. Com 14 anos parte para o Alentejo, onde “passei um mau bocado”, tendo chegado ao Barreiro 3 anos depois, com os pais e os irmãos (um irmão e uma irmã). Assumindo-se como uma “pessoa de muita luta”, confirmado por tudo o que alcançou ao longo dos seus quase 65 anos de vida, começa a trabalhar no Asilo D. Pedro V, com 17 anos, onde “tomava conta de crianças órfãs”. Aos 18 anos começou a trabalhar na Companhia União Fabril (CUF), onde esteve nos 12 anos seguintes, em vários departamentos. “Fui sempre de muita luta porque a vida era muito difícil. Hoje está mau, mas naquele tempo era ainda pior”, confessou-nos esta empresária, que aos 21 anos casou e foi mãe. Despediu-se, e no mesmo local onde hoje está a Apifex, abriu, com a família, um “lugar de frutas e hortaliças”.

“Isto é uma família”

“Quando o meu pai morreu, deu-se o 25 de Abril, e nós virámos isto ao contrário”, conta enquanto olha à sua volta para a loja que encerra tantos anos e histórias da sua vida. “Foi quando se usava o papel e a alcatifa. Vendemos milhões de peças da CUF, pois também fornecíamos obras”. Da alcatifa passou para as loiças, e, finalmente, para os cortinados. Hoje, a Apifex, uma sociedade entre Maria Helena Martins, o marido António Fernando e a filha Susana Martins, é líder no seu segmento e sinónimo de qualidade junto dos consumidores. A Apifex comercializa tecidos de alta qualidade para cortinados, confecciona-os internamente, fazendo posteriormente a entrega e colocação na casa dos clientes. Esta empresa de renome no concelho e arredores é hoje uma família “onde todos são muito bons”, com sete funcionárias na confecção ao comando da irmã de Maria Helena Martins, que considera ser “uma verdadeira artista”, um colocador e motorista e uma decoradora, Susana Martins, que aos poucos tem vindo a encabeçar o negócio da família mantendo o mesmo padrão de qualidade e rigor a que os clientes estão habituados.

“A minha pena é ter coisas tão bonitas, e se fecho a loja o Barreiro fica sem nada”

A actual conjuntura económica também é desfavorável a Maria Helena Martins, que confessa ter baixado cerca de 50% o volume de trabalho. “Normalmente tinha sempre três meses de trabalho, ou seja, as pessoas encomendavam hoje e recebiam passados três meses. Hoje, entrego quase de uma semana para a outra”. “A minha pena é ter coisas tão bonitas, e se fecho a loja o Barreiro fica sem nada”, confidenciou-nos a proprietária, a primeira a defender os seus produtos: “Temos uma mão-de-obra belíssima e tecidos de qualidade superior”. No concelho do Barreiro nota ainda mais a quebra do negócio, pelo que começa já a comercializar para outros concelho limítrofes.
Apesar da situação actual, Maria Helena Martins acredita na melhoria e promete: “hei-de lutar até morrer”.

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