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Feira Taurina da Moita“É um espectáculo com arte, emoção, tradição, e sobretudo, é um espectáculo português”

Considerada como uma das melhores praças da Península Ibérica, a Praça de Toiros Daniel do Nascimento foi construída em 1950, e desde então têm brindado o público com grandes espectáculos de tauromaquia. Inácio Ramos é o actual empresário desta praça que, segundo ele, é um dos pilares da tradição moitense.

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Feira Taurina da Moita “É um espectáculo com arte, emoção, tradição, e sobretudo, é um espectáculo português”

Por Cátia Pacheco

A Praça de Toiros Daniel do Nascimento na Moita foi construída há 54 anos, já nessa altura a tauromaquia tinha grande relevância no concelho da Moita, pois desde 1872 existia a antiga praça, a Praça de Toiros Nossa Senhora da Boa Viagem, já desaparecida.
Nessa altura, as gentes da Moita viviam sobretudo ligados há pecuária e há agricultura, e já existiam na Moita muitos cavalos e ganadarias, “já há muitos anos que se fazem grandes touradas na Moita, é uma zona onde impera a tradição taurina”, revela Inácio Ramos.
Foi há quatro anos atrás que Inácio Ramos se tornou empresário, pela primeira vez, da Praça de Toiros da Moita, teve um concessão de dois anos, “perdi no ano seguinte a concessão para uma pessoa minha amiga, e este ano voltei a concorrer e a ganhar esse concurso”, revela o empresário.
A sua ligação com os toiros vem desde miúdo, como aficcionado e um apaixonado pelos toiros, “eu sou empresário por paixão e aficcion e não pelo dinheiro, eu não vivo disto”, salienta.
A edição deste ano da feira taurina da Moita, que decorreu de 13 a 18 de Setembro, foi a maior da temporada portuguesa, com a realização de seis espectáculos tauromáquicos, e apesar da crise económica que se vive hoje em dia, “nós aqui na Moita não nos podemos queixar. A Moita tem evoluído muito na tauromaquia de há quatro anos para cá, temos tido as melhores corridas do país, por exemplo as corridas da RTP, da TVI, da Renascença, entre outras”, revela o empresário.
Esta tradição é bastante relevante para o concelho, uma vez que a Moita é conhecida tanto a nível nacional com internacional, por ter uma das mais importantes feiras taurinas da Península Ibérica, é desta forma, importante para todo o desenvolvimento da região.
A Praça de Toiros Daniel do Nascimento é palco de toureio a cavalo e toureio a pé, e nos últimos anos viu nascer alguns nomes conhecidos do toureio apiado, entre eles Procuna e Velasquez que também estiveram presentes nas corridas da feira deste ano.
O Grupo de Forcados do Aposento da Moita, é considerado um dos melhores grupos de forcados do país, fundado em 1975, já levou a sua arte às melhores praças mundiais, nomeadamente, na melhor praça do mundo, em Madrid, e também na maior praça do mundo, no México.

Feira Taurina da Moita, a maior da temporada portuguesa

Apesar de na Moita serem muito poucos aqueles que nunca assistiram a uma corrida de toiros, este tipo de espectáculo continua a dividir muito as opiniões, e a causar algumas polémicas, no entanto Inácio Ramos deixa uma mensagem para os mais “cépticos” desta arte, “Olhem para as touradas como uma tradição, uma arte. Este é um espectáculo de paixão, de emoção, de tradição, e além disso, é um espectáculo português que encanta bastante”, confessa este aficcionado.
Os cartéis deste ano foram muito variados, no dia 13, um grande espectáculo, comemorando-se os cinquenta anos da ganadaria do Herdeiros do Conde de Cabral, lindaram-se seis novilhos desta divisa, com a presença em praça dos novilheiros portugueses Mário Miguel e Lobo dos Santos e o espanhol Isamel Lopez.
O dia 14, uma corrida mista, “não correspondeu às nossas expectativas, porque os toiros apesar de terem bom terapio, não corresponderam em bravura, no entanto, os matadores e os cavaleiros aplicaram-se, e o espectáculo foi digno”, referiu Inácio Ramos. Em praça estiveram os cavaleiros João Ribeiro Telles, António Ribeiro Telles e Manuel Ribeiro Telles Bastos e os Forcados Amadores da Moita do Ribatejo. Na lide a pé esteve o matador espanhol Óscar Higares, e o português Sérgio Santos “Parrita. “O Parrita este bem, com muita dignidade e esforçou-se muito”, confessa o empresário da praça.
Para o dia 15 foi reservada uma corrida apiada, com toiros de Santa Maria e de São Marcos, estiveram presentes os matadores espanhóis Luís Miguel Encabo e António Ferrera, “com grandes faenas”, e o português Luís Vital “Procuna”, colocando “grandes pares de bandarilhas”.
No dia 16 teve lugar a corrida de concurso de ganadarias, estiveram presentes, “os melhores cavaleiros e ganadarias da actualidade, e ainda, uma dos melhores grupos de forcados da Moita”, ressalva Inácio Ramos. As divisas presentes foram, “Casa Prudêncio”, Rosa Rodrigues, Condessa de Sobral Infante da Câmara, Ortigão Costa, Passanha , Romão Tenório. Os cavaleiros em praça foram Rui Salvador, José Luís Cochicho, Luís Rouxinol, João Salgueiro, Rui Fernandes, Vítor Ribeiro e o amador João Moura Júnior.
A “Corrida dos Génio” decorreu no dia 17, com a presença do cavaleiro João Moura, dos Forcados Amadores de Évora, e dos matadores de toiros, Pedrito de Portugal que, “é muito querido na Moita, aqui ele transcende-se”, comenta o empresário, e a apresentação de Velasques, “um filho da terra”.
O último dia desta feira taurina , dia 18, está guardado para a final do primeiro Bolsín Taurino da Moita, que em colaboração com a Câmara Municipal, o Clube Taurino da Moita e com a Escola de Toureiro da Moita, “organizámos este grande espectáculo”, estando em disputa o “Troféu Capote de Oiro”, para o melhor novilheiro e para a melhor bezerrista. São finalista os novilheiro Julién Dusseing “El Santo”, da Escola francesa de Terrascon e Emílio Martín, de Badajoz. Os bezerristas finalista são, Gonçalo Montoya, da Moita e Serranito, da Golegã.

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