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Mário Durval – Bloco de Esquerda“Não há chamada nova centralidade de Coina”

Na “rentrée” da actividade política Mário Durval, apontado como candidato à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro, pelo Bloco de Esquerda, nas próximas eleições autárquicas, salientou a “Rostos on line” as principais linhas orientadoras da acção política do Bloco de Esquerda.
O BE pretende como meta política alcançar a eleição de Mário Durval para o futuro executivo municipal.

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Mário Durval – Bloco de Esquerda “Não há chamada nova centralidade de Coina”

Por Jornal Rostos

“As linhas essenciais da luta do próximo ano do Bloco de Esquerda, apontando para o desenvolvimento da cidade do Barreiro, em sentido global, foram apresentadas aos militantes e simpatizantes do Bloco de Esquerda num encontro que promovemos para marcar o recomeço da actividade política.
Em primeiro lugar, defendemos o crescimento zero no betão, porque existem cinco mil habitações desabitadas, três mil ou metade delas são novas, nesse sentido consideramos que a construção de novas habitações será o criar a jusante mais casas desabitadas e isso significa o envelhecimento e o abandono do actual parque habitacional, significará a degradação do Barreiro mais velho, significará a criação de mais guetos sociais e mais guetos urbanísticos e, portanto, o crescimento zero e apostando para o reinvestimento na reabilitação urbana, na reabilitação das antigas habitações, na reabilitação de espaços habitacionais mais modernos e mais actualizados é que tem que ser a aposta.” – referiu Mário Durval.

Estamos contra o masterplan

O dirigente do Bloco de Esquerda salientou que – “Para nós a reabilitação é, de facto, para nós a aposta.
Isto, significa, igualmente, que estamos frontalmente contra a perspectiva do Masterplan, que vem colocar mais cinco mil habitações em cima destas cinco mil que já estão desocupadas.
Não há gente, nem alternativa económica, em termos de desenvolvimento económico, de criação de postos de trabalho, de criação de actividades que possam trazer pessoas para cobrir esse parque habitacional e a alternativa seria trazer gente de Lisboa, com o barco rápido para Lisboa e isso significaria, essencialmente, mais cinco mil dormitórios.
Esta opção zero de crescimento ( e quando estou a falar zero não quer dizer que seja zero, zero, zero), mas que dentro do crescimento do número global de fogos, significa, também, estar contra a chamada nova centralidade de Coina.”

Não há centralidade de Coina

Mário Durval sublinhou porque está contra a centralidade de Coina – “Neste caso, estamos contra por duas razões : porque qualquer dita centralidade de Coina, não passará de mais uma periferização do concelho em termos de dormitório.
A nova centralidade de Coina significa uma Estação de Caminhos de Ferro para trazer as pessoas para dormir que vêem de Lisboa onde estão a trabalhar.
Somos claramente contra, por essa razão, por estarmos a criar mais um dormitório, e esta é uma maneira falsa de arranjar habitantes para o Barreiro, porque não corresponde a um desenvolvimento do tecido económico e, por outro lado, não vai corresponder a um desenvolvimento económico.”

Preservar o Sapal de Coina

Na sua opinião - “Temos ainda, outra causa, que do ponto de vista estratégico considero mais importante, para esta oposição à chamada centralidade de Coina, que é o risco ecológico que constitui a construção no leito de cheia e na bacia hidrográfica do Rio Coina, que tem que ser respeitada, em particular nas zonas mais baixas, levanta mesmo problemas porque a água ali, naquelas zonas, se situa poucos metros de profundidade, portanto, qualquer construção nessa área exige uma reflexão muito profunda.
Nós exigimos que seja defendido o Sapal de Coina, o leito de cheia e que seja defendido o carácter de REN e mesmo até de terreno agrícola que tem sido abandonado.
Esta a nossa reflexão, na primeira linha de intervenção política que designamos por opção – crescimento zero.”

Barreiro Cidade Marítima

Mário Durval defendeu que – “Nós continuamos a levantar a bandeira do Barreiro Cidade Marítima, defendendo que o desenvolvimento do Barreiro será por via da sua ligação ao mar e ao rio, porque do ponto de vista histórico, quer do ponto de vista geológico, quer do ponto de vista geográfico, a ligação do Barreiro ao Rio é uma realidade.
A defesa desta ligação, do conceito “Barreiro Cidade Marítima” é o que nos permite olhar para o futuro, sobre todos os pontos de vista – do ponto de vista histórico, do ponto de vista do desenvolvimento técnico e cientifico, do ponto de vista do desporto, do ponto de vista da economia.”

Ligação ao rio

Para o candidato a Presidente da Câmara Municipal do Barreiro do Bloco de Esquerda – “Nós não podemos ver o desenvolvimento do Barreiro sem ser numa perspectiva multilateral e em particular tem que estar associado a um desenvolvimento económico, porque o Barreiro ainda tem muito a desenvolver-se do ponto de vista da sua ligação ao rio, nomeadamente no plano económico, quer como porto de mar, quer como porto de recreio, quer como desenvolvimento da arqueologia marítima, que é uma questão histórica, mas também é económica, que no desenvolvimento cientifico e técnico que se prende com tudo aquilo que foi a viagem de Vasco da Gama e que nós aqui, no Barreiro, temos o centro da gesta histórica dos portugueses.
È importante salientar que a bacia do Coina foi o centro do desenvolvimento dos descobrimentos e das navegações e do comércio para a Índia, sendo desviado o negócio para Lisboa, mas era aqui que os barcos se sediavam, se aparelhavam, carregavam e abasteciam. A faina marítima era aqui que se processava. Por tudo isto, há muita coisa para desbravar, quer do ponto de vista arqueológico, quer do ponto de vista técnico e cientifico, por essa razão, nós iremos levantar essa bandeira para o Barreiro.
Nesta perspectiva vimos por aqui o desenvolvimento do porto marítimo, nalgumas vertentes, porque Lisboa está completamente atafulhado, por isso o Barreiro, pelo Tejo dentro, pode ser uma importante plataforma marítima, e, nós pensamos que é possível fazer algum desenvolvimento do porto e é possível, do ponto de vista do desportos aquáticos e da fruição do rio, sendo pensada numa óptica de construção da cidade e aproximá-la quer da margem do Coina, quer da margem do Tejo, porque ainda há muito para desenvolver.
Estes são aspectos centrais que, claramente, cortam com outras opções que têm sido feitas por outras forças políticas.”

Mais participação dos cidadãos

A finalizar Mário Durval referiu a “Rostos on line” que – “Estas são algumas das nossas linhas gerais. E, naturalmente, como é habitual, nós, iremos continuar a apelar e a puxar pela participação dos cidadãos na vida da cidade.
Nós afirmamos participação. Todos dizem participação. Mas depois é uma questão de método.
A CDU falava em participação e sabemos que nunca ninguém participou.
Com o PS, felizmente, já houve alguma participação.
Mas, nós, consideramos que se pode ir mais longe e se o Bloco estiver no poder a participação dos cidadãos será desenvolvida.”
Mário Durval expressou a sua confiança que nas próximas autárquicas o Bloco de Esquerda tem condições para eleger um vereador na Câmara Municipal do Barreiro e que essa será uma meta da sua candidatura.

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