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“Auto Acessórios das Palmeiras”Vítor Pires é o empresário mais novo do Barreiro, mas a sua loja, de acessórios de automóveis, a mais antiga do concelho.

Vítor Pires é um “filho da terra”, nascido e criado no Bairro Operário. Aos 17 anos, deixou a escola e iniciou-se no mundo do trabalho. Três anos mais tarde abriu o seu próprio negócio e, actualmente, é um dos empresários mais novos do Barreiro, mas a sua loja, de acessórios de automóveis, a mais antiga do concelho.

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“Auto Acessórios das Palmeiras” Vítor Pires é o empresário mais novo do Barreiro, mas a sua loja, de acessórios de automóveis, a mais antiga do concelho.

Por Cátia Pacheco

Nasceu há 53 anos no Bairro Operário e foi ai que viveu toda a sua infância. Estudou na escola da CUF e, mais tarde, na Escola Secundária Alfredo da Silva, no entanto, quando chegou ao 5º ano não quis estudar mais, “não gostava de estudar,” revela.
Aos 17 anos, começa a trabalhar, numa firma de serralharia civil, também no Bairro Operário, mas, por motivos de saúde, tem de abandonar.
Nesta altura, inicia a sua actividade profissional, naquela que viria a ser a sua grande “paixão”, os acessórios de automóveis, mas interrompe dois anos depois, para cumprir serviço militar.
Aos 21 anos, decide ir trabalhar por sua conta e abre uma loja de acessórios de automóveis- “Auto Acessórios das Palmeiras,” “era a única coisa que sabia fazer,” salienta.
Nessa altura, a qualidade de vida, dentro das possibilidades era boa, “havia comida, bebida...as pessoas tinham o seu emprego, não ganhavam muito, mas a vida estava mais equilibrada e as pessoas eram mais unidas,” relembra Vítor Pires.
Abriu a “Auto Acessórios das Palmeiras” com vinte contos, “pedi um empréstimo bancário em nome dos meus pais, que eram funcionários da CUF. Comecei a pagar por mês 600 escudos,” assevera.
Mas as coisas de início não foram fáceis e depressa foi acabando o dinheiro, “tive de pedir dinheiro emprestado a amigos para tentar fazer a vida.”
As deslocações que Vítor Pires necessitava de fazer eram feitas numa bicicleta a pedal, “andei assim cerca de 2 a 3 anos.”
Nesta altura, nos anos 70, o Bairro das Palmeiras, como é hoje denominado, estava repleto de lojas e, sobretudo, ao sábado de manhã, o movimento era significativo, conta com alguma nostalgia este barreirense.
Dois anos depois de ter aberto o seu negócio, ocorreu a Revolução de Abril, “foi bom por um lado e mau por outro. Logo a seguir ao 25 de Abril ganhou-se bom dinheiro, agora já não se ganha,” ressalva o empresário.

“Hoje em dia estou bem, mas porque também trabalhei muito, fiz para isso”

Em Junho do próximo ano, a “Auto Acessórios das Palmeiras” faz 32 anos, mas, para manter a estabilidade em que se encontra hoje em dia, foram muitos os sacrifícios por que teve de passar, “hoje em dia estou bem, mas porque também trabalhei muito, fiz para isso. Hoje tenho uma máquina montada e, presentemente, tenho a casa mais antiga em acessórios de automóveis do Barreiro.”
Actualmente, este empresário barreirense considera que “foi uma aventura que acabou em bem, hoje já não se podem fazer estas aventuras, mas quando olho para trás é que vejo o que realmente sofri.”
Há uns anos atrás, Vítor Pires expandiu o seu negócio e abriu uma segunda loja, desta vez, junto ao tribunal do Barreiro; contudo, passado um ano, decidiu fechar, porque considerou que não era um negócio rentável, “era um local complicado em termos de acessos,” menciona.

A problemática do Bairro das Palmeiras

O Bairro das Palmeiras, nos últimos trinta anos, sofreu várias alterações, e hoje em dia é considerado um dos bairros mais problemáticos do concelho do Barreiro, com grandes carências económicas e sociais. Na opinião de Vítor Pires, “não têm estado a olhar para o bairro como deviam, só quem entra dentro nestes pátios é que sabe o que lá vai dentro, no entanto, a Câmara Municipal do Barreiro tem mostrado algum interesse, preocupação, mas tudo leva o seu tempo e não é fácil tirar as pessoas daqui.” Contudo, e apesar de todos estas dificuldades, o empresário revela nunca ter tido problemas.

Projectos Futuros

Neste momento, a nível económico, todos os sectores de actividades estão ressentidos com a crise que o país atravessa e o ramo automóvel não é excepção. Segundo Vítor Pires, as perspectivas não são nada animadoras, “eu não sei quando é que isto vai melhorar, não vejo a luz no fundo do túnel. Não prevejo que isto vá melhorar brevemente.”
O empresário vai mais longe e diz mesmo que só consegue manter o equilíbrio, porque tem uma casa estável, “se tivesse, neste momento mais empregados, não conseguia suportar.”
Apesar de garantir não estar parado, os investimentos têm de ser muito bem pensados.
No final da conversa, Vítor Pires quis deixar uma mensagem de esperança a todos os leitores, sobretudo, tendo em conta a época festiva que se avizinha: “desejo um bom natal e um feliz ano novo e gostava que o ano de 2005 fosse melhor do que este. Que houvesse mais emprego, principalmente para os jovens que têm um futuro pela frente, que não é nada risonho. Gostava que as coisas mudassem um bocadinho para o bem.”

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