Caldeirada de PalavrasDiscutir os problemas concretos do Barreiro
Um painel vivo. Uma noite onde a política foi ao encontro das realidades do quotidiano.

Por Jornal Rostos
Realizou-se a primeira sessão da “Caldeirada de Palavras” com a presença de todo o painel permanente – Cabos Gonçalves, Rogélia Costa, Pedro Gomes e Humberto Candeias.
Cabos Gonçalves, conhecido militante do Partido Socialista, fundador do PS Barreiro, homem interveniente, e sempre pronto a dar a sua opinião sobre as coisas que são de “todos e por todos devem ser discutidas”.
Rogélia Costa, militante do Partido Comunista Português, conhecedora da vida local, que não abdica de dar a sua opinião, seja ela, ou não, aceite, por quem tem opiniões diferentes.
Pedro Gomes, militante do Partido Social Democrata, deputado na Assembleia Municipal do Barreiro, onde, de forma critica defende as posições dos sociais democratas e o olhar do PSD sobre as coisas da cidade.
Humberto Candeias, militante do Bloco de Esquerda, membro da Comissão Política Concelhia, um activista de causas sociais e observador activo da vida local.
Nenhum deles, sublinhe-se, neste painel permanente de convidados do jornal “Rostos”, está ali a representar a sua força política, estão, na verdade, todos, ao nível individual, enquanto cidadãos que se dispuseram, participar, uma vez por mês, num painel de debate aberto, vivo e dinâmico, com o pleno respeito pelas diferenças, prova da maturidade democrática, e activistas na vontade de participar e contribuir para a edificação de uma cultura de cidade, onde a liberdade se afirma como força de uma identidade com raízes na sua história.
A “Caldeirada de Palavras” começou e vai manter-se, mensalmente, umas vezes, apenas com o painel de convidados permanentes, outras com a presença de um qualquer convidado especial que possa ser uma referência para a abordagem de um tema de interesse geral, para o presente e para o futuro que se constrói na actualidade.
PS vai ganhar as eleições ?
Apresentados os membros do painel, Sousa Pereira, Director do jornal “Rostos” que procura moderar o debate, lançou o repto de se abordar a temática das próximas eleições autárquicas, independentemente, dos temas ou tema que cada membro do painel queira colocar em debate.
Pedro Gomes, abriu a “Caldeirada” começando por referir que na sua opinião “o PS vai ganhar as próximas eleições autárquicas”, porque o “PCP não tem possibilidade de ganhar as eleições” e acrescentou que o Bloco de Esquerda vai ajudar o PS a ganhar – “vai-lhe fazer o frete”.
Humberto Candeias, considerou que “não sei quem vai ganhar as eleições, o povo é que vai decidir” e, perante o cenário de o Bloco de Esquerda poder vir a configurar uma aliança eleitoral com o PS ou com o PCP salientou que “não é o nosso quadro ( do BE) entrar em jogos de alianças”.
“Nós queremos discutir os problemas concretos do Barreiro” - sublinhou, acrescentando que o Bloco de Esquerda continua as suas politicas apesar de, por vezes, os classificarem de “utópicos e idealistas”.
Rogélia Costa, começou por salientar como é importante a realização deste tipo de iniciativas, onde todos podem dar opinião e participar e seguidamente acrescentou que acredita que o PCP vai ganhar as eleições, porque os barreirenses vão votar um projecto e vão acreditar no projecto da CDU.
“O PCP vai voltar a ganhar a Presidência da Câmara Municipal do Barreiro, acredito que é possível que o PS não ganhe as próximas eleições autárquicas” -disse.
Na sua opinião, por questões estratégicas é óbvio que o PS diga que vai “ter maioria absoluta” mas, salientou – “tenho confiança na CDU e no seu projecto para a cidade”.
Cabos Gonçalves, começou por colocar um tema para debate – a água.
“Hoje de manhã não tinha água” e na sua opinião isto só acontece porque há muitos anos que não se faz a manutenção da rede de abastecimento, sublinhou que, nos últimos tempos falou-se pomposamente da telegestão da água e “não se fez a coisa simples de garantir o abastecimento de água”, assim como não se tratou da ETAR, que finalmente está a avançar graças à criação da SIMARSUL.
Humberto Candeia, num àparte comentou, que “o choque tecnológico vai fabricar a água”.
E, Cabós Gonçalves, prosseguiu colocando o tema das AUGI’s, onde não foi garantido durante anos o saneamento.
Comentou ainda a revisão do PDM e o modelo de Planeamento participado sobre o Plano Municipal do Ambiente, factos que, na sua opinião, fazem diferença da gestão PS em relação à gestão CDU, durante a qual, disse, a discussão da revisão do PDM, foi levada a efeito em Agosto, quando toda a gente estava de férias.
Lamentou, também, o facto de a “Protecção Civil” não merecer a devida atenção, referindo o caricato de existir um Departamento que tem “um Director” que se gere a si próprio.
Por fim, referiu que o PS vai ganhar as próximas eleições autárquicas, desejando que consiga conquistar a maioria absoluta, para que a”maioria não dependa do laranja”, nem do “turquesa do Bloco de Esquerda” .
Humberto Candeias, comentou que seria preciso que o PS justificasse que “merece a maioria absoluta”.
Um concelho em situação de exclusão
A “caldeirada” entrou ao rubro com Cabos Gonçalves a refutar o Bloco de Esquerda que se arroga de ter autoridade de passar “atestados de esquerda” e a criticar os jobs e a criação de lugares de confiança politica.
Pedro Gomes, interrogou :”Mas está a falar de lugares de confiança politica onde, na Câmara ou no governo?”
Cabos Gonçalves referiu que estava a falar da Câmara Municipal do Barreiro, onde “todas as Chefias foram nomeadas, antes do PCP sair da CMB”.
Humberto Candeias comentou que o PS fala muito de maioria absoluta, mas “isso não passa de um desejo”.
Sobre a temática da água, referida por Cabos Gonçalves, salientou que a temática da água tem que ser analisada numa “perspectiva ecológica”.
E, neste contexto considerou que no Barreiro, “estamos numa situação calamitosa do ponto de vista ambiental, como estivemos antes do25 de Abril”.
“Não tem havido mudanças, que demonstrem que as coisas vão mudar” – referiu
Segundo Humberto Candeias, o concelho do Barreuro – “é um concelho que pode considerar-se em situação de exclusão”, e, disse, “não se investiu nada e é urgente que se invista para melhorar a qualidade de vida das pessoas”.
Na sua opinião o Barreiro é um concelho onde as pessoas possuem “um elevado nível de informação” mas, pelo contrário “o meio não tem qualidade de vida.
Humberto Candeias considera que “os grupos privados têm segundarizado o bem estar” e tem existido “incapacidade pública de tomar decisões”.
A finalizar teceu louvores ao modelo de planeamento participado que está a ser implementado, mas considerou insuficiente a participação dos cidadãos, pelo que advogou a necessidade de melhorar a aplicação do modelo.
Rogélia Costa, começou por referir ter sido positivo que o governo do PSD tivesse aprovado o Programa POLIS, e, por outro lado, lamentou que os governos PS tivessem entravado o processo, atrasando o desenvolvimento desse projecto dinamizado pela gestão CDU.
Por outro lado, recordou, que a Protecção Civil foi uma preocupação da gestão CDU, apesar de o processo ter sido coordenado por um Vereador do PS, foi na gestão CDU, com maioria absoluta CDU, que houve uma evolução positiva.
Salientou, ainda, que a elaboração do PDM, no concelho do Barreiro, foi uma experiência pioneira no país, dos primeiros a ser feitos e coordenado por Jorge Gaspar, um nome que só por si, não merece contestação.
Na sua opinião é óbvio que é necessária a revisão do PDM, até porque, quando o PDM foi elaborado, nem havia uma ideia da evolução do Quimiparque.
Por outro lado, lamentou que o PS tivesse metido na gaveta a proposta desenvolvida pela CDU relativa à requalificação da Quimiparque.
Pedro Gomes, considerou que o problema da água, tem que ser analisado como uma prioridade no contexto da criação de uma rede na Península de Setúbal.
Sobre a falta de manutenção da rede de abastecimento no concelho do Barreiro lamentou que, apesar do Vereador do Pelouro solicitar verbas – “foi sempre dado pouco dinheiro” e considerou que “este Presidente de Câmara não tem como prioridade a recuperação de condutas”.
Na sua opinião esta Câmara está mais preocupada com floreiras.
Comentou alguns casos que deveriam merecer respostas por parte do Presidente da Câmara, masque este não responde – Praceta Zamenhof, Cordoarias, Ribeira das Naus.
Por fim comentou que o PS nomeou muitos membros para as Chefias da autarquia e considerou que, nas eleições autárquicas os eleitores vão “julgar o PS pelas obras que realizou”.
Humberto Candeias, recordou as promessas do PS e considerou que são estas coisas que afastam as pessoas da política, na sua opinião, as pessoas não votam porque estão cansadas porque prometem e não fazem.
Por outro lado, voltou a sublinhar a importância das pessoas participarem de forma a que “as pessoas não sejam apenas espectadores”.
Pedro Gomes, interviu para salientar que o PSD é um partido com história na vida do Barreiro e tem moral porque tem contribuído para resolver problemas do concelho, recordando a acção feita pelo último governo social democrata.
Nunca se fez um Plano de Pormenor
Cabos Gonçalves, recordou que durante anos não se promoveu a participação na vida da cidade, mas mobilizou-se os cidadãos contra tudo e contra todos.
Não se discutiu o PDM, aprovou-se os Fidalguinhos, as Cordoarias ( um projecto do Miguel Amado) e referiu que – “nunca se fez um Plano de Pormenor no Barreiro”.
Considerou que o Masterplan, é um importante estudo estratégico, e recordou que o Plano da CDU, “foi um bom exercício, mas esqueceu-se de falar com o dono da obra – a Quimparque”.
Na sua intervenção recordou o diálogo positivo que a actual Câmara estabeleceu com o governo, procurando resolver situações, contrariamente ao PCP que queria colocar no PIDDAC tudo e mais alguma coisa, para depois nada ser aprovado e o “PC chorar e carpir mágoas”.
Cabos Gonçalves criticou o que considerou o autismo do PCP e disse, a mim,”nunca ninguém a mim me irá ver a defender o autismo”.
Rogélia Costa, sugeriu que nos cartazes que foram colocados pelo PS, sobre obras no concelho, em vez de estar “O PS prometeu, cumpriu”, deveria estar –“O PS acabou e inaugurou”, porque disse, “não prometeram tiveram a sorte de inaugurar”. Noutras obras os cartazes deveriam dizer: “O governo fez”.
Cabos Gonçalves, comentou, se querem pode ficar ; “Fizemos o que os outros prometeram”.
E, por hoje, ficamos por aqui…a “caldeirada de palavras” vai continuar.
Mas, de facto, nesta conversa animada, informal que acabou com a participação de quem assistiu ( cerca de 30 pessoas) foi um exemplo que permite, antever, os contornos de algumas ideias que vão marcar o próximo processo eleitoral autárquico.
Em breve poderá ler mais um capítulo desta, afinal, agradável caldeirada…um serão diferente.














