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Emídio Xavier, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro“A gestão da autarquia não poderá jamais voltar atrás”

Recuperar a tradição ferroviária do Barreiro, beneficiando da construção da ponte Barreiro- Chelas, atrair investimentos inovadores, apostando na «Cidade do Cinema», o balanço do mandato, as ideias força para o Barreiro do século XXI, são alguns dos assuntos que abordámos numa entrevista com Emídio Xavier.

7 min de leitura
Emídio Xavier, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro “A gestão da autarquia não poderá jamais voltar atrás”

Por Jornal Rostos

Em entrevista que será integralmente publicada na edição impressa do jornal “Rostos” Emídio Xavier, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, faz um breve balanço do seu mandato e lança algumas ideias que considera essenciais para o Barreiro do século XXI.
Está a chegar ao final de um mandato. Vai viver o último Dia da Cidade, neste mandato, portanto, a pergunta que se coloca, no final de uma jornada, é esta : Sente-se, ou não, se sente feliz com o trabalho que foi feito, ao longo deste percurso percorrido?
“Sinto-me, naturalmente, feliz. Porque ao ser eleito disse que, estava neste lugar, porque queria e porque gostava.
Sinto, hoje, a satisfação de ter efectivamente dado um sinal novo desta cidade e, tenho a consciência que muito do que foi feito já serviu para que, na verdade, o Barreiro seja visto, no panorama nacional como uma cidade que se encontra em clara recuperação.
Sinto-me, naturalmente, feliz porque acho que, hoje, em termos, digamos, da presença da nossa cidade na comunicação social esta é uma presença positiva.

Barreiro é de novo referência

O Barreiro é de novo uma referência, o grande projecto que era, necessário concretizar, modificarmos a imagem negativa que o imaginário português tinha do Barreiro está alcançado.
Estamos a lançar projectos que irão transformar o Barreiro, numa cidade ribeirinha frente a Lisboa, factor que nós consideramos essencial.
Considero que, na realidade, o conjunto de obras que foram lançadas têm um impacto significativo.
Sinto-me feliz porque voltámos, de novo, também a viver aquilo que costumo chamar o saudável orgulho de ser barreirense. Um sentimento que está a renascer.
Sinto-me feliz porque, efectivamente, temos feito, sobretudo, uma aposta no futuro, com um grande significado na formação dos nossos jovens.
Lançámos o Projecto EscolasBarreiro, de ocupação dos tempos livres, após a finalização do período escolar, evitando que as crianças ficassem na rua, sem ter ocupação durante a tarde, apostando na ideia que o desenvolvimento de uma cidade está ligada à formação da sua juventude.
Acho que preparar os futuros cidadãos do Barreiro é a melhor garantia para o futuro.
Hoje, como sabe, em áreas da formação desportiva, como no Basquetebol e Xadrez, estamos a ser apontados como um concelho exemplar, tenho consciência que esses resultados, não são, às vezes visíveis, no curto espaço de tempo, mas, considero que, de facto, quem tem a responsabilidade de gerir a autarquia deve sobretudo preparar o futuro.

Começam a surgir projectos inovadores

E, estou, naturalmente satisfeito, porque acho que é possível criar condições, aquelas que hoje começam a surgir, no sentido de trazer para o Barreiro coisas novas, projectos inovadores, capazes de atingir, aquilo que deve ser também um objectivo principal do ser autarca : fixar os barreirenses ao Barreiro.
Hoje, começam a surgir sinais muito fortes que isso é possível e, nesse contexto, fico satisfeito, porque acho que isso é uma consequência dessa nova imagem do Barreiro, que conseguimos dinamizar.”
Então, terminado o mandato, por exemplo, se perder as eleições, com que mágoa fica daquilo que não fez?
“Não. Primeiro que nada não encaro essa possibilidade de perder as eleições, embora, naturalmente, em democracia, é, sempre possível que determinadas coisas aconteçam, por muito inesperadas que elas sejam.
Dir-lhe-ei que tenho perfeita consciência que, depois da minha passagem, o Barreiro e a gestão da autarquia, não poderá jamais voltar atrás, porque, na verdade, forma criadas um conjunto de condições de relacionamento entre a autarquia e os cidadãos e um conjunto de procedimentos quer internos, na própria autarquia, quer na saudável construção dos cidadãos em relação a todos os problemas da cidade que, naturalmente, aquela visão que existia, que havia alguém que decidia, pelos cidadãos, está perfeitamente ultrapassada.
Portanto, é, por isso mesmo, que acho, será impossível, que se repita muito do que aconteceu, antes do meu mandato.

Comboio do desenvolvimento está nos carris

Tenho a consciência plena que, apesar de tudo, este comboio do desenvolvimento está a começar a ser colocado nos carris, e, naturalmente, seria uma pena que não pudéssemos continuar o projecto.
Diga-se, este foi o projecto que apresentámos aos barreirenses, um projecto que, naturalmente, é para concretizar numa geração, como eu sempre disse, e, como sabemos, só projectos que sejam relativamente prolongados, serão os projectos capazes de modificar o estado das coisas.
A realidade é que, quando apresentámos o Programa em 2001, eu disse, claramente, que, sem dúvida, o conjunto de propostas que nós apresentámos não finalizavam em 2005.
Foi, aliás, com estas ideias, com este contexto, que nós começámos a apresentação do nosso projecto.
Há uma consciência, clara, da minha parte, sempre o disse, que um mandato, por si só, não era suficiente para mudar as coisas completamente.
O trabalho que está feito é um trabalho de grande diagnóstico sobre a cidade, é, na verdade, um trabalho de grande planeamento sobre o futuro, portanto, seria, para mim, algum motivo de insatisfação se não continuasse a presidir a autarquia, não por mim, como é evidente, mas por tal colocar em causa um projecto que acho, sem dúvida, é decisivo e fundamental para o Barreiro.
Saliento que foi em nome desse projecto que eu me candidatei, e, digo-lhe, continuo a acreditar profundamente, que o Barreiro é uma cidade com potencialidades, é uma cidade com condições, porque tem ainda espaços vitais, que podem permitir a utilização de novas soluções.
Portanto, eu tendo a possibilidade de acompanhar um projecto que poderá colocar o Barreiro no século XXI, teria, naturalmente pena se não pudesse vir a concluir este processo.
Digo-lhe, não poderia lamentar mais do que isto, até porque tenho consciência que fiz o melhor que era possível e, na realidade, tenho a consciência perfeitamente tranquila em relação ao que foi a execução deste mandato.
Foi um mandato extremamente difícil, foi um mandato, como sabe, governando sem maiorias, quer no Executivo, quer na Assembleia Municipal, era obrigado a negociações sempre difíceis, a uma gestão que é sempre complicada, sobretudo, como é o caso, quando toda a máquina administrativa estava direccionada por uma determinada orientação política, que se compreende como natural ao fim de 27 anos, e, não era muito adaptável às novas ideias e aos novos projectos, vindo de quem surge com algo completamente diferente e com um projecto de cidade.”

Moção de Censura – sinal de desespero

Interrogado sobre a moção de censura que vai ser discutida na Assembleia Municipal do Barreiro, o autarca salienta – ““Eu diria que a apresentação da moção de censura é uma atitude legitima, mas é também um sinal de desespero, porque quando alguém apresenta uma moção de censura a três meses das eleições, o mínimo que se pode dizer é que representa uma falta de respeito pelo próprio eleitorado que vai ter que julgar rapidamente.”

Recuperar a tradição ferroviária

Emídio Xavier refere nesta entrevista que – “Uma das nossas preocupações é recuperar do ponto de vista de influência ferroviária o Barreiro enquanto cidade, enquanto cidade ferroviária, porque foi essa uma das razões do seu desenvolvimento e temos uma grande tradição ferroviária.”

Barreiro ligado a novas tecnologias

O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro sublinha que é necessário – “Termos a capacidade de criarmos e dar uma viragem de 180 graus à estratégia do Barreiro, enquanto cidade, temos vindo a estabelecer, e estas coisas não fáceis, têm que ser feitas muitas vezes nos bastidores, mas é possível, hoje, ter condições, para equacionarmos questões como a «Cidade do Cinema», a questão da PIXAR, como um objectivo a ser atingido.
Isso enquadra-se nesse objectivo do Barreiro do século XXI, e, gostaria que o Barreiro, que o Barreiro do século XXI estivesse ligado às novas tecnologias, tal qual como o Barreiro do século XX
esteve ligado à indústria.
Considero que a nova indústria do Barreiro, deve ser uma indústria que assente exactamente nessas novas tecnologias.”

Ficam só estes tópicos de uma entrevista que poderá ler integralmente na nossa edição impressa do jornal “Rostos”.

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