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Juvenal Silvestre, Presidente da Junta de Freguesia de Coina“O trânsito na nossa freguesia é completamente caótico”

Juvenal Silvestre recebeu o jornal”rostos”, manifestou a sua satisfação pelo trabalho realizado na valorização da freguesia e expressou algumas das suas preocupações quando ao futuro.

19 min de leitura
Juvenal Silvestre, Presidente da Junta de Freguesia de Coina “O trânsito na nossa freguesia é completamente caótico”

Por António Sousa Pereira

Aqui fica o resultado de uma conversa que sentimos vinda de um homem, voltado para a acção e ligação com a população.
Estamos no final do seu mandato. Que balanço faz do trabalho realizado?
“Sentimo-nos extremamente satisfeitos com aquilo que fizemos, porque cumprimos, praticamente tudo o que tínhamos prometido e, inclusivamente, fizemos bastante mais que aquilo que estava previsto. Posso dizer-lhe que foi um mandato com muito trabalho.
Coina é uma freguesia bastante diferente das restantes freguesias do concelho do Barreiro, porque nós temos uma situação, uma fonte de receita, que esta freguesia nunca a poderá perder, que é a receita do Mercado Mensal, pois permite a entrada de cerca de 7 mil contos por ano, apesar de ser uma receita que nos dá muito trabalho e faz-nos viver, às vezes situações complicadas, dado que são os elementos do Executivo que têm que ir fazer as cobranças.
No Mercado Mensal há muitas pessoas que têm o cartão de Feirante, pagando as suas mensalidades, ou semestres na Secretaria, mas há outras, que nós temos que ir receber ao terreno. O espaço não é vedado e, portanto, qualquer pessoa ali entra, e, por vezes, há aqueles que não querem pagar. As outras freguesias não têm esta situação.
Mas, apesar desses problemas, esta é uma receita que nós não podemos perder de forma alguma, pois permite-nos arranjar verbas para fazermos algumas obras, como nós fizemos.
Nós, realizámos obras que não sendo da nossa responsabilidade, a Junta de Freguesia assumiu, dou-lhe o exemplo da construção do passeio em calçada antiga portuguesa, na Rua D. Manuel I, foram feitos dois passeios que custaram à volta de 1100 contos. Fizemos o asfaltamento do Largo da Igreja, foi a Junta que fez, não foi a Câmara, onde gastámos cerca de 1200 contos.
Fizemos o acabamento da Rua do Mercado (ali, onde nós chamamos o Largo da Igreja Velha), concluindo cerca de 50 metros, ligando à Estrada que vai até à Quinta da Areia, onde também gastámos cerca de 1500 contos.”

Participação dos moradores

Prossegue Juvenal Silvestre : “Em Covas de Coina, fizemos o asfaltamento de uma rua, aí em colaboração com os cerca de 20 moradores, que pagaram uma verba e a Junta de Freguesia pagou o restante, cerca de 2 mil contos.
Fizemos a instalação da rega automática, nas zonas verdes, onde gastámos cerca de 2 mil contos.
Temos uma zona verde espectacular no Alto da Malhada, também em colaboração com os moradores que deram a mão-de-obra e nós pagámos tudo o que foi necessário. É uma zona que está linda, linda mesmo. Toda a gente que passa por ali gosta de ver aquela zona embelezada.
É importante sublinhar, estes casos, onde contámos com o contributo dos moradores, quer na procura de soluções, quer no partilhar de responsabilidades. Isto foi muito importante.
Este intercâmbio e colaboração entre a autarquia e moradores, para nós, tem um grande significado.
Comprámos uma carrinha, em segunda mão, que nos custou 2 mil contos.
Fizemos o asfaltamento no Bairro dos Pereiras mas, aí através da empresa que fez o Túnel do Comboio, e, de facto, como aquilo estava completamente abandonado, fomos nós que realizámos várias reuniões com a empresa, de forma a que, no final da obra, tudo ficasse devidamente tratado.
Fizemos o embelezamento da Rotunda do Alto da Santa, que hoje proporciona uma paisagem completamente diferente, com flores e relva, que dá àquela entrada de Coina um aspecto renovado e agradável.
Fizemos a construção de um Abrigo para a imagem da Nª Srª de Fátima, também, localizado perto dessa Rotunda.
Melhorámos alguns entroncamentos – junto ao Ferro-Velho do Ferreira e o outro perto da Penalva (neste local recuperámos um Abrigo da Santa que lá estava, edificando um idêntico, porque o que existia já não tinha recuperação possível).
Vamos, fazer após as Festas, a recuperação do Parque Infantil da Quinta da Areia. Este é também um melhoramento que nós não prometemos, mas porque achamos que o anterior Executivo o deixou ao abandono, nós vamos ali gastar cerca de 1500 contos para o recuperar.
Fizemos a recuperação do Parque das Merendas. Pode ser visto, está hoje completamente diferente.
Estas foram, como disse obras da Junta de Freguesia.”

Orgulho no trabalho

O Presidente da Junta sublinha algumas acções desenvolvidas pela Câmara :“A Câmara Municipal do Barreiro fez o refeitório da Escola Primária, uma promessa que foi feita por anteriores executivos, durante mais doze anos, mas que nunca foi feito, está, finalmente construído ao fim de um ano de trabalho do actual executivo.
Está neste momento a ser reconstruído o Polidesportivo, aqui em Coina.
Vai ser asfaltada toda a zona que nós chamamos dos prédios do Bairro Cruz e Cruz, obra que deve ficar concluída durante o mês de Agosto ou Setembro.
E, vai ser feito, finalmente, uma obra que era uma promessa nossa no Programa Eleitoral, que é a construção do passeio pedonal entre Covas de Coina até à Escola Primária de Coina, e será feito o asfaltamento de toda a estrada.
Esta é uma zona perigosa, há muito movimento de trânsito, as pessoas porque não há passeio são obrigadas a caminhar pela estrada, esta obra, vai acabar com esta situação. Esta é uma obra que está integrada na conclusão do saneamento básico que vem da Quinta do Peliche e está ligada à AUGI das Covas de Coina. O saneamento vai ter ligação até ao rio, depois ficará ligada à ETAR.
Pensamos que realmente foi um mandato positivo. E, digo-lhe, às vezes tem que se dizer estas coisas: nós sentimo-nos extremamente orgulhosos pelo trabalho que fizemos nestes três anos e meio.”

Apoio a crianças carenciadas

“Outra coisa que gostava de referenciar que nós fazemos aqui na freguesia. Nós somos a única freguesia no concelho que participa e auxilia as famílias da freguesia, mais carenciadas, na compra de livros escolares. De acordo com a avaliação do IRS a Junta de Freguesia disponibiliza, ou 50%, 80% ou 100%, verbas para que as nossas crianças tenham todos os livros necessários à sua formação.
Para nós é importante que as nossas crianças sintam que alguém os está a apoiar, alguém os ajuda, para que eles tenham o acesso pleno ao ensino.
Promovemos uma iniciativa, dirigida aos recém nascidos na freguesia, contemplando todas as crianças que aqui nasceram, através de uma oferta aos pais 100 Euros, para a compra de fraldas ou o carrinho de bebé, aquilo que os pais entendessem comprar.
Outra iniciativa que desenvolvemos foi dirigida ao apoio à família, através do empréstimo de camas articuladas para apoio a idosos acamados. Havendo na freguesia famílias com dificuldades, nós emprestávamos e continuamos a emprestar, quer camas, quer cadeiras de rodas, equipamentos que as pessoas têm dificuldade em comprar. Nós adquirimos e emprestámos.
Estas também foram promessas eleitorais que nós cumprimos.
Outra iniciativa que gostava de referir, são as excursões que nós fazemos para os reformados. Ainda há dias, no dia 5 de Junho, levámos 200 Reformados e Pensionistas em quatro autocarros, até àquela zona da Covilhã. Foi um dia muito bonito. Fomos recebidos numa colectividade, onde almoçámos.
Sabe, nós trabalhamos muito com o movimento associativo.”

Protocolo com CMB igual ao anterior

Como foi ao longo deste tempo a relação com a Câmara Municipal do Barreiro?
“É evidente que nós compreendemos que a Câmara não tem facilidades ao nível orçamental e que as coisas estão difíceis, todos sabemos a situação em que o país se encontra.
Nós, tentámos sempre dialogar com as pessoas, dizendo que pretendíamos que as obras x e y fossem realizadas, claro, não foram concretizadas quando nós pretendíamos, mas, de facto, as coisas foram-se resolvendo a pouco e pouco e, posso dizer que, praticamente, tudo o que nós pretendíamos está feito.”
Então como analisa as criticas que são feitas pelas freguesias de a Câmara não ter desenvolvido as descentralizações?
“Ainda bem que falou nisso, porque é bom nós analisarmos e falarmos daquilo que aconteceu.
O Protocolo que nós assinámos com a Câmara Municipal do Barreiro era perfeitamente idêntico ao que existia anteriormente.
A Junta de Freguesia de Coina, também se orgulha, neste caso, de nunca ter necessitado de ajudas da Câmara Municipal para manter as suas limpas e as suas zonas verdes devidamente tratadas.
Digo mais, pedimos meças a algumas freguesias que demonstrem que estejam tão limpas como Coina. Podem vir as nossas de Coina, da Quinta da Areia, de Covas de Coina ( que é uma AUGI, onde nós não devíamos intervir e vamos lá, uma ou duas vezes por semana).
Se nós nos acomodássemos, se nós disséssemos: não senhor, isso não pertence ás descentralizações. Quem eram os sacrificados? Era a população, que tinha as ruas sujas.
Nós achamos que as pessoas têm o direito de ter qualidade de vida, por isso, sacrificamos algumas coisas e temos funcionários para garantir essa limpeza.
Por exemplo, nós tínhamos um funcionário que passava as semanas a fazer a rega das zonas verdes.
Optámos por montar rega automática, que é feita durante a noite, quando toda a gente está a dormir. Quase que posso dizer-lhe que na freguesia trabalhamos 24 horas por dia, para estar ao lado da população.
Digo-lhe, com esta medida acabámos com um problema que afectava as pessoas, quando a rega era feita durante o dia, que resultava na falta de água, principalmente no Bairro Cruz e Cruz.
Repare uma coisa, nós aqui em Coina conhecemo-nos todos uns aos outros as pessoas contactam, a qualquer hora, para procurar soluções para problemas.
Nós temos que estar junto da população, porque os problemas nesta freguesia, não são os mesmos de uma freguesia urbana.
Procuramos resolver os problemas que as pessoas nos apresentam e sentimo-nos satisfeitos.”

Festas com participação

Juvenal Silvestre falou das Festas de Coina com entusiasmo : “As nossas Festas sofreram uma grande transformação. As Festas realizavam-se em Outubro, tempo de Inverno, praticamente, a chuva impedia a realização das festas.
Nós alterámos a data das festas para Julho, foi também uma promessa eleitoral.
Na nossa opinião as Festas têm que ser realizadas e dar vida às noites de Verão.
Nós temos uma vantagem, estamos num ponto de passagem e á noite, as pessoas vêm da Praia, passam por aqui e param, visitando as Festas.
As Festas são importantes e contribuem para dar vida e mostrar as características da nossa terra.
As Festas são feitas com um grande apoio das pessoas e com dádivas voluntárias.
São umas festas Populares com uma grande participação das pessoas, é assim que nós queremos que as festas sejam, que as pessoas se envolvam, com convívio.
Eu sinto orgulho ver os miúdos da Quinta da Areia a conviver com os miúdos de Coina. As pessoas aproximam-se umas das outras, isto começou com o convívio do Carnaval.”

Trânsito um problema

Que problemas gostava de ver resolvidos na freguesia?
“Uma situação que gostávamos que fosse resolvida é a instalação dos semáforos, aqui, em Coina, junto ao CATICA.
Há dois anos que o Instituto de Estradas nos anda a dizer que vem instalar os semáforos, ultimamente disseram que seria no mês de Junho ou Julho que seriam instalados. O facto é que continuam por ser instalados. Não conheço as razões, talvez seja por dificuldades orçamentais.
Outro problema que temos é o trânsito na nossa freguesia, que é completamente caótico, principalmente, no início do dia e no final do dia, nas horas de ponta. O trânsito bloqueia no centro da Vila.
As pessoas tentam fugir da zona da Quinta do Conde, onde também há problemas, vindo pela Quinta da Areia e chegam aqui a Coina e gera-se o caos no centro da vila.
Temos informações que vai ser feita uma nova rotunda na Estrada Nacional 10, esperamos, pelas indicações que temos, que no princípio do próximo ano, 2006, a obra já estará no terreno. Esta seria uma obra muito importante para a nossa freguesia.
Esta obra iria aliviar todo o problema de trânsito que nós temos, penso que posso dizer que esta Rua D. Manuel I, deve ser daquelas onde circula mais trânsito no nosso concelho.
De manhã, todos os dias, há filas de trânsito que se prolongam até aos Fornos da Cal e na estrada para Covas de Coina é a mesma coisa, prolonga-se.
Esta é uma zona de passagem, há muitos anos, mas, com o aumento do parque automóvel, tudo tem vindo agravar-se.
Há novas urbanizações e a proximidade do comboio também veio a aumentar o tráfego.”

Recuperar a Caldeira do Martins

“Por exemplo, uma coisa que eu sempre ambicionei para esta freguesia, era o aproveitamento da zona da Caldeira do Martins ( que há 30 ou 40 anos era uma caldeira linda, hoje em dia são só caniços). Ainda lá existe o Moinho do Martins, e as comportas, que não estão em condições, mas, se aquilo fosse tudo reparado e limpando a caldeira, nós ficávamos com uma zona espectacular para barcos de recreio e uma zona de passeio ao longo do Rio Coina.”
Sublinhou o Presidente da Junta de Freguesia de Coina : “Nós temos que ter muito cuidado com o futuro de Coina. Nós já chamámos à atenção das pessoas responsáveis, nomeadamente, para se ter em atenção na forma como vão ser feitas as novas urbanizações na nossa freguesia.
Na minha opinião muitas coisas têm que ser salvaguardadas, porque nós não vemos bem situações como a dos Fidalguinhos ou a Cova dos Vidros, com prédios em cima de prédios.
Tudo deve ser ponderado para que a população que para aqui venha viver tenha todas as condições de vida, onde possam dormir, mas onde tenham condições para ter os seus tempos de lazer, onde os seus filhos tenham Parques Infantis para brincar e escolas.”

O STAL não conta tudo

Uma das coisas que afectou o seu mandato foram os conflitos com os trabalhadores da Junta de Freguesia, que nos pode dizer sobre isso, esse conflito com o STAL?
“Essa imagem que passou para fora não é verdadeira. Aquilo que se passou não foi com os trabalhadores da Junta de Freguesia, foi com duas funcionárias da Secretaria. Podem perguntar, aos nossos funcionários do Meio Ambiente ( da limpeza e jardinagem) sobre o convívio que existe entre eles e o Executivo.
É bom, nós esclarecermos, tudo isto, porque o STAL só conta aquilo que lhe convém, não conta a verdade.
Quando nós para cá viemos, procurámos saber como os serviços funcionavam. A determinada altura, começámos a receber reclamações da população que vinham à Secretaria, em horários de expediente, e encontravam a porta fechada. Isto acontecia quando havia Plenários, que se realizavam noutros locais.
Nós pedimos um Parecer à CCR sobre esta situação. Em Agosto de 2003, recebemos esse Parecer que dizia que os Plenários de trabalhadores deviam realizar-se nos locais de trabalho, na freguesia.
Nós tivemos o cuidado de chamar os funcionários e dar-lhes a conhecer o Parecer. E dissemos mais: nós não queremos que deixem de participar nos Plenários do Sindicato ( eu também sou trabalhador), mas, para nós, o importante é servirmos a população e não queremos que a porta esteja fechada sempre que há Plenários. Por isso, fizemos uma proposta, dado que são duas funcionárias, que no futuro fosse uma de cada vez aos Plenários. Garantindo-se sempre o funcionamento do serviço.
As funcionárias optaram por afirmar: ou vamos as duas ou não vai nenhuma. Eu penso que não é assim que as coisas se resolvem. Devia ter havido compreensão por parte das funcionárias.
O que nós não queremos é sempre que há Plenários, que a porta da Junta esteja fechada. Foi isto que aconteceu. Isto, o STAL não conta.”
Mas houve uns processos disciplinares?
“Esta situação foi comunicada numa Assembleia de Freguesia e toda a população ficou a saber o que aconteceu.
Em Outubro, as funcionárias, apresentaram uma justificação, fecharam as instalações e foram ao Plenário. Nós, baseados no Parecer da CCR, informámos que não podiam ir ao Plenário.
Nós não impedimos. Não fechamos as instalações, ficámos nós, os membros do Executivo com a porta aberta. As funcionárias foram ao Plenário.
A partir daí nós agimos. Abrimos o processo. O instrutor chegou à conclusão que as funcionárias não se podem deslocar ao Plenário, isto deu origem aos Processos Disciplinares e às punições.
As pessoas podem recorrer e os Tribunais estão cá para decidir.
Depois, a Chefe de Secção deve outro processo disciplinar, por outra situação e foi porque me respondeu mal. Isto está escrito. Foi punida por isso, baseada na Lei.
Mas, como eu digo, nós estamos cá e os Tribunais vão decidir. O STAL recorreu. Nós estamos a acompanhar o processo, se nós não tivermos razão, não temos. Vamos ver o que o Tribunal vai decidir. Nós só agimos perante o Parecer da CCR.”

Largo do Mercado um drama

Quais são as prioridades que coloca, no futuro, para a freguesia de Coina?
“O Largo do Mercado é uma coisa terrível para nós. Não sabemos bem como isto poderá ser resolvido. É uma situação difícil para nós mexermos nisto. Temos aqui muitos Restaurantes e à hora de almoço isto está sempre cheio de carros. É difícil vedarmos, porque prejudicava o comércio.
A freguesia de Coina para se desenvolver tem que criar condições para atrair as pessoas, não é fechar o Largo do Mercado e proibir o estacionamento.
Nós queremos que as pessoas venham a Coina e se sintam bem em Coina.
Mas, uma coisa é certa, nós temos que resolver o problema desta poeira que anda aqui no ar. O ano passado regávamos. Fomos acusados de estar a gastar muita água.
Agora, estamos a estudar a situação de forma a tentarmos aproveitar a água que está a correr para Rio, através da vala. Estamos a estudar a compra de bombas, tubagens e instalações eléctricas. Este é um projecto que pensamos desenvolver no próximo mandato pois pensamos continuar, quer pelo trabalho que realizámos, porque pensamos que a população está connosco.
Esta é uma situação que nós temos que avaliar e procurar resolver no próximo Verão. Isto como está é insuportável.”

Há pobreza. Não há fome

“Temos na freguesia problemas sociais. É uma freguesia pequena. Há alguma pobreza. É preciso distinguir, que pobreza não quer dizer fome.
Nos últimos tempos, surgiram por aí umas mensagens, referindo que há fome em Coina. Não há fome em Coina. As pessoas não aceitaram bem, aquilo que foi por aí dito.
As pessoas podem ter dificuldades, mas quase todas elas têm o seu bocadinho de terreno, uma hortazinha onde cultivam as suas batatas, as suas couves e feijão e, por essa razão, têm mais facilidade em viver com uma reforma pequena, do que as pessoas que vivem no Barreiro e que têm que comprar tudo.
É verdade que há pobreza em Coina, mas não há fome. Não quero dizer que não haja um caso ou outro, mas não é aquilo que se diz e que as pessoas da freguesia receberam mal.
Gostava de chamar à atenção para se ter cuidado com a forma como se dizem as coisas, porque isso mexe com as famílias e a dignidade das pessoas. Por isso não acho correcto fazer-se aquilo que se fez.

Coina vai mudar

“Outro problema é a expansão que esta freguesia vai ter, dentro de 10 ou 15 anos, porque quando a construção na Quinta de São Vicente começar a crescer, prevê-se que vão viver aqui milhares e milhares de pessoas, cerca de 10 ou 12 mil habitantes.
Coina vai ser uma realidade completamente diferente. É preciso ter cuidado como vão ser trazidas as pessoas para cá. Têm que ser criadas acessibilidades, os problemas de trânsito não podem continuar.
Sabe que está previsto aqui na zona da Quinta de São Vicente, o prolongamento da IC32, em viaduto, que vai ligar a zona da Pfizer, existindo uma rotunda para quem vem do Barreiro. Esta zona vai ficar completamente diferente.
Temos que criar condições antes das pessoas virem para cá viver. Isto preocupa-nos.”

AUGI’s um problema

“Resolver o problema das AUGI’s, que já existe de antes do 25 de Abril, como é caso da Quinta da Areia, que nasceu num terreno baldio. É uma situação difícil, de tal forma que, certamente, terá que haver uma lei a nível nacional (as pessoas têm que perceber isto ) para resolver este problema.
As pessoas não são proprietárias dos terrenos. Não há lei que preveja estas situações.
Na AUGI das Covas de Coina as coisas estão a avançar, mas é uma AUGI muito grande, onde há problemas de diversas espécies para serem resolvidos.
Tenho esperança que as coisas se vão resolver.”

Novas urbanizações

“Coina é uma terra que está a ser muito procurada, pelas acessibilidades e pelos meios de transporte que existem na nossa zona.
Estamos a 2 minutos da autoestrada, com ligações a Setúbal, a Lisboa ao Montijo. Temos duas estações de comboio. Tudo isto faz que as pessoas nos procurem. A Quinta do Conde está saturada. Nós aqui temos muito por onde expandir.
É provável que as urbanizações comecem a crescer nesta zona.
A Quinta do Peliche é uma urbanização espectacular com acesso rápido à autoestrada.”

Fizemos um trabalho positivo

Vai-se recandidatar ?
“Sim. Nós candidatamo-nos porque pensamos que fizemos um trabalho positivo e pensamos que as pessoas de Coina merecem que nós continuemos esse trabalho.
Eu e a equipa, quando assumimos este cargo, assumimos com responsabilidade e o que desejamos é que a freguesia tenha uma evolução, que não teve nos últimos anos.
A freguesia de Coina estava esquecida, ninguém nos ligava. Desde que nós entrámos, temos procurado fazer passar esta mensagem : Coina está na entrada do concelho do Barreiro e, portanto, tem que ser respeitada.
Trabalhamos para que a população da freguesia tenha os mesmo direitos, que têm os das outras freguesias.
Vamos planear algumas obras. Vamos discutir entre todos. Eu gosto de trabalhar em equipa. Queremos envolver a juventude. Queremos promover o desporto na freguesia.”

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