Manuel Costa – Presidente da Junta de Freguesia de Palhais“Existe a vontade de integrar os novos moradores”

Por Jornal Rostos
Manuel Costa, eleito Presidente da Junta de Freguesia de Palhais, é natural de Castro Daire, Distrito de Viseu, nasceu em 9 de Junho de 1950, casado, com dois filhos, vive na Quinta do Torrão, freguesia de Palhais, desde 1965. Exerceu a sua actividade profissional na Siderurgia Nacional, actualmente está aposentado.
Na nossa conversa salientou que sempre acompanhou a vida autárquica, pois foi sempre uma pessoa interessada pela vida social, desde os tempos da Comissão de Moradores.
Manuel Costa começou por recordar a evolução do seu bairro, aquele onde construiu a sua vida.
Um Bairro de Génese Ilegal
“A Quinta do Torrão é um bairro de origem clandestina, ou melhor, como sabe, um bairro de génese ilegal. Durante muitos anos pertenceu à freguesia de Santo André, portanto o bairro tinha os problemas inerentes, que se acumulavam por pertencer a uma freguesia muito grande.
Recordo que o Presidente da Junta de Freguesia de Santo André dizia, que a sua freguesia era como uma família com muitos filhos, que quando repartia o pão que existia, ficava uma pequena fatia para cada um, e, isso não ajudava a resolver os problemas.
Com a passagem do Barreiro a cidade e a criação de novas freguesias, a Quinta do Torrão passou a pertencer à Freguesia de Palhais.
Ainda existiam algumas dificuldades, mas, com a criação da freguesia foi possível uma melhor assistência e começou a resolver-se o problema das ruas de terra batida, pelos menos em termos de reparações, de forma a que os pavimentos não estivessem sempre tão degradados.
Os problemas da Quinta do Torrão foram resolvidos, ao nível de infraestruturas em 1992, com a aprovação do Regulamento das Infraestruturas na Assembleia Municipal, pois permitiu que os proprietários, constituídos em Associação de Proprietários, realizassem as obras que, acho, foram fundamentais, para melhorar o bem estar e, também, a qualidade de vida da Quinta do Torrão.”
Uma freguesia em crescimento
Manuel Costa, comenta o desenvolvimento da freguesia de Palhais, que ao longo dos anos tem acompanhado.
“Ao nível de freguesia, com a criação das novas freguesias, e com a mudança da Quinta do Torrão da freguesia de Santo André para a freguesia de Palhais, a minha ligação a Palhais foi mais efectiva, principalmente a partir desse período.
Palhais durante muito tempo limitava-se a este núcleo antigo, mas, nestes últimos anos tem vindo a desenvolver-se com novas urbanizações, primeiro com a Quinta de S. João, agora com a chamada Quinta de S. João Norte, depois Quinta da Hortinha, e, agora também as Quintas da Várzea e a Quinta do Outeiro, assim como a Quinta de S. João Sul.
Palhais tem crescido muito e, mesmo o seu núcleo antigo, tem sido melhorado, através de algumas obras, como as que foram feitas na zona envolvente à Igreja.
A própria Junta de Freguesia tem concretizado algumas obras e melhoramentos.”
Uma zona calma perto do centro
Como define a sua freguesia?
“É difícil definir a freguesia de Palhais. Poderei chamá-la meio urbana, meio rural.
Neste últimos anos têm vindo para a freguesia novos habitantes, com novos costumes, com as vivências dos meios urbanos, mas, por outro lado, ainda se mantém em muitos habitantes que, dou-lhe o exemplo do meu caso: tenho a minha casa, tenho o meu lotezinho de terreno, onde gosto de ter lá as minhas alfaces, o meu feijão verde, essas coisas assim, e, isso, é um pouco característico, de muita gente da freguesia, pelo menos dos moradores mais antigos.
Olhe, é uma freguesia, onde eu gosto muito de cá viver.
Não gostei do tempo em que havia falta de condições, que não tínhamos infraestruturas, mas, hoje, sinto que Palhais é uma freguesia que, para quem gosta de viver com pacatez e sossego (embora já vá havendo por aí alguns sinais que podem preocupar) é uma zona calma e está muito perto dos grandes centros.”
Existem bons espaços verdes
Quais as principais preocupações para a freguesia?
“As preocupações são várias, até no sentido de melhorar.
A grande obra, como compromisso, assumido, quer pela Câmara Municipal, quer pela Junta de Freguesia, como obra de responsabilidade das autarquias, será a construção do edifício do Centro Recreativo e Cultural da Quinta do Torrão. Esta é a primeira grande obra, digamos assim, que, quando se poder realizar, será essa a primeira.
Noutro tipo de necessidades para a freguesia estamos a desenvolver esforços para que se concretize a abertura de uma Farmácia.
Fala-se também na necessidade de um Mercado, mas a Farmácia é que todos consideram uma grande necessidade.
Pela informação que temos poderá não ser para o imediato, mas o processo está em andamento e com as novas urbanizações e novos moradores, concerteza, que tal, poderá motivar os interessados em colocar em Palhais uma Farmácia.
Lá vai o tempo em que a necessidade, sentida, era a existência de uma Caixa de Multibanco. Hoje já se concretizou.
Depois, naturalmente o que queremos é melhorar, melhorar em vários aspectos : há passeios a construir, há barreiras arquitectónicas para eliminar, melhorar os espaços verdes.
Neste caso, dos espaços verdes, a informação que temos, até em resultado de uma Comissão de Avaliação constituída pela Câmara, sabemos que somos uma das freguesias que tem dos melhores espaços verdes, dos mais bem tratados, mas, nós, pensamos que há sempre hipóteses de melhorar e alargar esses espaços verdes.”
Informar e Integrar
Como é a participação da população na vida local. A freguesia é muito um dormitório ou tem vida própria?
“Nas novas urbanizações é mais dormitório, se bem que, da parte da Junta de Freguesia exista uma vontade de integrar os novos moradores.
Nós, sempre que a Junta de Freguesia promove actividades informamos, convidamos os novos moradores, fazemos isso, porta a porta, procurando integrar.
Igualmente, procuramos incentivar o recenseamento dos novos habitantes na freguesia, através de contactos directos e facilitando, através dos contactos efectuados por funcionários da Junta de Freguesia.
Mas, aqui na zona mais antiga, as pessoas participam, e acompanham as actividades.
No próximo sábado vamos promover um Magusto e, esperamos, a adesão e presença de todos.”
Parceria com o associativismo
Como são as relações da Junta de Freguesia como o Movimento Associativo Local?
“Muito boas. O associativismo local existe com o Grupo Recreativo e Desportivo de Palhais, o Centro Cultural e Recreativo da Quinta do Torrão, que não tem instalações, e, também o Orfeão de S. Gabriel.
Posso afirmar que, com todos eles, mantemos muito boas relações.
O Grupo Recreativo e Desportivo de Palhais passou por algumas dificuldades. Há relativamente pouco tempo, esteve a ser gerido por uma Comissão Administrativa, e chegou a estar fechado durante uns dois meses.
Agora foi eleita uma nova Direcção, nós ajudámos, contribuindo para resolver alguns problemas financeiros, a aquisição de equipamento, e algumas obras e pinturas. Demos um contributo na ordem dos 5 mil euros.
Nós contribuímos com tudo o que
é possível, promovemos actividades e as suas instalações estão sempre disponíveis para a Junta de Freguesia.
Há, pode dizer-se, uma estreita parceria da Junta com a colectividade, uma relação muito aberta e muito franca.”
Mais descentralização
E como é a relação com as Escolas?
“Também é uma relação muito boa. Nós cumprimos o protocolo da descentralização da Câmara para a Junta e apoiamos em todos os sentidos. Apoiamos mais do que aquilo que está no Protocolo, até porque só cá temos uma escola. Colaboramos com a escola.”
Falou do Protocolo de Descentralizações, como é que está o debate neste momento?
“Já houve uma reunião entre a Câmara e as Juntas de Freguesia. Foram debatidas várias questões e foi constituído um grupo de trabalho das Juntas de Freguesia, para analisar e fazer propostas à Câmara.
A Câmara também irá fazer uma avaliação, porque muitos de nós estamos pela primeira vez neste barco.
O que ficou definido é que, naquelas matérias, que já estão descentralizadas para as freguesias, como a varrição e o tratamento dos jardins, mas onde só estavam, como era o nosso caso, as zonas mais antigas, enquanto as novas urbanizações não eram responsabilidade da freguesia ( dado que a Câmara anterior, de gestão PS, apesar de ter prometido, nunca concretizou a descentralização) e, diga-se, esta situação gerava alguns desentendimentos e incompreensões com a população.
Agora, isto ficou, muito claramente, definido que todas estas zonas vão passar para a responsabilidade da freguesia.
Haverá outras matérias que poderão ser descentralizadas para as Juntas, mas, isso vai ser analisado.”
Manuel Costa, recebeu-nos nas instalações da Junta de Freguesia e mal terminou a nossa conversa lá partiu rumo a actividades de representação da autarquia em eventos sócias.
S. P.














