Raul Malacão, Presidente da Junta de Freguesia do BarreiroHá falta de segurança, há pessoas a serem assaltadas em pleno dia

Por Jornal Rostos
Numa conversa com Raul Malacão, Presidente da Junta de Freguesia do Barreiro, reeleito nas últimas eleições autárquicas, conversámos sobre as actuais realidades e perspectivas futuras da freguesia do Barreiro.
Como encara e analisa a sua reeleição como Presidente da Junta de Freguesia do Barreiro?
“Considero, por aquilo que fui vendo e ouvindo, ao longo dos últimos quatro anos, e, conhecendo os problemas da freguesia, como conheço, quer nos diálogos do dia a dia, posso afirmar, que havia de facto um certo mal estar na população em relação aos problemas que a população sente no seu quotidiano. São problemas visíveis.
No entanto, apercebi-me melhor desta situação nos princípios de Junho, quando no âmbito da pré campanha nós iniciámos uma série de contactos com várias instituições da freguesia.
Esses contactos deram para me aperceber qual o estado de alma da população, aqui na freguesia.
Tomei conhecimento de situações que, posso referir, algumas não conhecia, e notei que o mal estar era mais generalizado que aquilo que conhecia anteriormente.
De tal forma apercebi-me desta realidade, nas visitas e contactos que fui fazendo com o Carlos Humberto, aqui na freguesia, que a certa altura lhe disse: Estou ciente que vais ser o futuro Presidente da Câmara. Ele riu-se do meu comentário. A verdade, de facto, é que isto aconteceu.
Pessoalmente, na verdade, enquanto Presidente da Junta de Freguesia, não tinha conhecimento do que se sentia pelo concelho, embora o Carlos Humberto já o tivesse porque já tinha feito visitas e reuniões em muitas freguesias, ao longo de vários meses, a nossa freguesia foi a última do programa de contactos que foram realizados.
Portanto, considero que fizemos uma campanha que foi honesta, não agredimos ninguém, foi feita com os recursos que havia e penso que tudo isso contribuiu para atingirmos os resultados que se vieram a verificar, nas eleições do dia 9 de Outubro.
Posso dizer que, na verdade, no concelho, houve uma caso ou outro, em algumas freguesias, que fiquei surpreendido, em termos de resultados, mas, a leitura que faço é que no conjunto houve uma vontade generalizada da população em apostar na mudança.
Sabe, há quatro anos, no início do mandato e na campanha eleitoral, da parte do Partido Socialista, as promessas foram muitas e em relação a essas promessas ficaram muitas pelo caminho, ou quase todas, e isso contribuiu, penso eu, para esta situação que se reflectiu nos resultados eleitorais.”
A situação dos Moinhos de Alburrica é preocupante
E agora, de novo a recomeçar, quais as perspectivas de trabalho que se colocam, quais as prioridades?
“As prioridades são várias, não há uma, nem duas, são várias, colocando-se em diferentes áreas.
Uma preocupação são as pessoas carenciadas que nos estão a bater à porta, com uma série de problemas, famílias que vivem sem quaisquer condições, sem trabalho, com filhos, situações complicadas. Esta é uma área que me preocupa bastante.
Posso referir a situação do parque habitacional que está em situação degradada.
Na freguesia existem diversas situações que são preocupação de todos nós, quer dos eleitos na freguesia, quer da Câmara, quer da população, refiro, por exemplo, a situação dos Moinhos de Alburrica, porque o seu estado de conservação deixa muito a desejar, porque a movimentação de areais no Bico do Mexilhoeiro, é muito preocupante e não vemos que tenham sido tomadas medidas de forma a encontrar, entre diversas entidades, para resolver o problema. Esta é outra situação muito complicada.
Preocupa-nos a Passagem que foi construída, junto ao Terminal, que liga o Barreiro à Verderena, porque são constantes as reclamações das pessoas, pelas dificuldades no acesso ao Pingo Doce. Tem que ser pensada uma solução para a passagem de peões.
O próprio Terminal, é uma preocupação, quer pelos problemas de estacionamento, quer na falta de segurança, porque há pessoas a serem assaltadas em pleno dia.
Outra situação é o Parque Catarina Eufémia que se deixou degradar, facto que é referido pelas muitas pessoas que frequentam aquele espaço que é municipal, hoje, há falta de iluminação, canteiros degradados, o lago há anos que não tem água, o espelho junto à Estátua Alfredo da Silva que há três anos deixou de funcionar e está sem água, está num estado lastimável.
São estas e outras situações que nos preocupam.”
Descentralização em análise
Está em discussão a descentralização para a freguesia, isso poderá ajudar a resolver alguns problemas na freguesia?
“Foi constituído um grupo de trabalho que já elaborou uma proposta para a Câmara. As Juntas de freguesia vão discutir em conjunto e vamos ver o que se pode aplicar em cada freguesia, das soluções que se perspectivam, pois, é evidente que, cada freguesia, com os meios que tem, quer técnicos, quer humanos, definirá o que poderá considerar importante descentralizar para a freguesia.
As descentralizações estão a ser vistas, teremos que dialogar com a Câmara, mas, por nós, depois de conhecermos em pormenor as propostas, iremos aceitar, ou não, porque tudo depende dos meios e das estruturas de cada Junta de Freguesia.
Mas, penso que nos próximos dias irá ser discutido e definir um novo protocolo de descentralizações”.
Motivar pessoas para o associativismo
Outro aspecto, como estão as dinâmicas do Movimento Associativo na freguesia do Barreiro?
“O Movimento Associativo, de um modo geral, aqui na freguesia está, de alguma forma, como acontece por todo o concelho. Há dificuldades de vária ordem, em termos de instalações nalguns casos, que estão degradadas, porque algumas são antigas e com muitos anos, e hoje há outras exigências de qualidade, e, há falta de meios para enfrentar estas situações.
O Movimento Associativo tem que trabalhar em dois planos, um em termos de recuperação de sedes e de suas instalações, podendo até recorrer a candidatura, podendo obter apoios do poder central, sendo para tal necessário que existam projectos.
Nós, aqui na Junta apresentámos candidaturas e recebemos algumas verbas.
Outra vertente, será a de motivar pessoas, porque há problemas que existem, em algumas associações, que resulta de haver, ou não, pessoas, mais preparadas ou menos preparadas, para desenvolverem actividades nas associações.
Considero que independentemente das dificuldades, no aspecto financeiro, há um problema que será o de motivar pessoas e que essas pessoas tenham condições e procurem condições para dar respostas não só na resolução dos problemas de instalações, mas até na promoção de actividades.
São as pessoas que podem promover iniciativas, sem pessoas, não é possível colocar em prática actividades e as associações.”
Falta animação no centro da cidade
A freguesia do Barreiro tem vida própria?
“Eu acho que sim. Há uma vida própria. Se nós pensarmos nas centenas de pessoas, para não falar em milhares de jovens que aos fins de semana dão vida à freguesia do Barreiro, quer daqui, quer do concelho, quer de outras zonas da região, é porque encontram coisas que os atraem, ou então, não vinham para cá, isto é uma prova que o Barreiro aos fins de semana tem uma vida própria.
E durante a semana, nós vemos, durante o dia muitas pessoas, mesmo de outros pontos do concelho, que visitam o centro da cidade, para conversar, estar junto ao Tico- Tico com amigos, criando zonas de convívio.
Mas, um reparo que tem sido feito, nos últimos tempos, é o facto de algumas actividades culturais ou recreativas que, na freguesia, estávamos habituados a que acontecessem no centro da cidade, actividades que a Câmara promovia, agora deixaram de ser promovidas aqui, porque são realizadas no Parque da Cidade. Percebo que há ali estruturas para dar respostas a determinadas actividades e que por ali também há população.
Mas as pessoas sentem a falta dessa animação aqui na nossa freguesia, sobretudo iniciativas de âmbito municipal.”














