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Alexandra Silvestre, Presidente da Junta de Freguesia da VerderenaA freguesia carece de uma estrutura de apoio aos idosos

“Falta-nos um Centro de Convívio um Centro Comunitário” – refere Alexandra Silvestre, Presidente da Junta de Freguesia da Verderena, entre muitos problemas que gostaria de ver solucionados no seu mandato.

8 min de leitura
Alexandra Silvestre, Presidente da Junta de Freguesia da Verderena A freguesia carece de uma estrutura de apoio aos idosos

Por Jornal Rostos

Alexandra Silvestre, nasceu a 12 de Dezembro de 1979, no Barreiro. Solteira. Enfermeira, no Hospital D. Estefânia, em Lisboa, porque gosta de crianças e uma actividade á qual se dedica “por opção”.
Nas últimas eleições autárquicas conquistou a Presidência da Junta de Freguesia da Verderena, aquela freguesia que era considerada a “Ilha Socialista” num concelho totalmente gerido pelo PCP e que foi o primeiro órgão autárquico que o PCP perdeu para o PS no concelho do Barreiro.
Alexandra Silvestre, 26 anos, é a mais jovem Presidente de Junta de Freguesia no concelho do Barreiro, conseguiu destronar “veterana” Anabela Mota.
Sublinha que se sente bem, enquanto jovem, a exercer o cargo de Presidente de Junta – “a idade não é menos qualidade, a idade trás uma mais valia como Presidente de Junta, dá novas perspectivas em termos de gestão de Junta de Freguesia, pode contribuir, e nós neste Executivo queremos isso, que os jovens possam sentir e viver esta freguesia como sua e que evitem fugir dela”.
Alexandra, acrescenta que, “sou muito acarinhada pelos outros Presidentes de Junta, por ser muito nova e sinto bem”.

Vitória foi surpresa

Quando se candidatou pensava que ia ganhar as eleições?
“Não. Foi uma surpresa. Foi uma boa surpresa.”
Com analisa essa vitória?
“Penso que a vitória deve-se a vários factores. Um dos factores é o descontentamento geral que a população sente, não só no concelho do Barreiro, mas a nível nacional, com a gestão do governo PS, e, nas eleições autárquicas quis mostrar um cartão amarelo, talvez, também ao governo.
Penso que a população optou por apostar numa candidatura com uma jovem à frente que, consideram que podia trazer outra dinâmica a esta freguesia, que podia trazer novos projectos, que podia dar mais vida, apostar numa freguesia com uma dinâmica completamente diferente.
E, penso também, que as pessoas ao analisarem as propostas da nossa candidatura, CDU, para a freguesia, consideraram se as melhores, dai terem votado na CDU”.

Trabalhar com todos

Não tendo a CDU conquistado a maioria absoluta como decorreram as negociações para a composição dos órgãos na freguesia?
“Nós temos a perspectiva de querer trabalhar com toda a gente.
A lista do PS era maioritariamente composta pelos membros que estavam na Junta, anteriormente, por isso, em termos de Executivo, não ponderámos a participação, até porque a população poderia sentir-se defraudada, tendo em conta que optou pela mudança.
Nós, ao contrário do que tem vindo veiculado nos órgãos de comunicação social, nós ponderamos falar, em termos de Executivo, com o Carlos Santos e fizemos as conversas com Carlos Santos, como pessoa, e não com o PSD, falámos com ele directamente e não através da estrutura partidária.
Sabe, no mandato anterior, o Carlos Santos na Assembleia de Freguesia sempre teve uma perspectiva de trabalho para a freguesia e não numa perspectiva partidária, e, posso referir que as posições do Carlos Santos coincidiam muitas vezes com as posições da CDU.
Achamos que é uma pessoa que sempre demonstrou dinamismo, vontade de trabalhar, em prol da população da freguesia, contactámos com ele e mostrou-se disponível.
Na Assembleia de Freguesia contactámos com todas as forças politicas, o PSD referiu que não queria ter ninguém na mesa da Assembleia, porque tinha só um eleito, o mesmo se passou com o Bloco de Esquerda, enquanto o PS indicou para a Mesa a Isabel Martins, que faz parte desse órgão.”

Passagem de peões é uma prioridade

Quais são as prioridades que aponta como necessárias resolver na freguesia da Verderena
“Na Verderena há muitos problemas prioritários. Resta saber se vamos conseguir chegar a todos eles com a mesma ordem de prioridade, que vai ser muito complicado.
A Passagem Desnivelada é uma prioridade, porque está a servir os automóveis, mas não está a servir a população, nomeadamente a população mais idosa da freguesia, que não tem condições de por ali circular, os deficientes não conseguem subir o lancil que é muito alto. As pessoas queixam-se muito desta situação.
Outro problema são os logradouros. Alguns são autênticos depósitos de lixo, ou eram espaços verdes que se foram degradando, ou outros que nunca foram requalificados e carecem de intervenção.
No Polidesportivo da Escola nº 7 faltam balneários e um bebedouro. O comércio, em volta, queixa-se porque acabam por ver as suas instalações utilizadas pelos utentes do Polidesportivo.
Temos graves problemas com o trânsito na freguesia.
Na Avenida da Liberdade temos uma passagem de peões, junto à Escola, onde há muitos acidentes. Os automobilistas não respeitam a velocidade.
Sublinho os problemas na área de saneamento, com entupimentos dos sumidouros, condutas que rebentam, estas são situações que carecem intervenção na nossa freguesia.”

Aproximar da população

Como avalia a visita feita pela Câmara à freguesia?
“Foi positiva. O Executivo da freguesia ao mostrar à Câmara Municipal do Barreiro, ao senhor Presidente e Vereadores que estiveram presentes, os principais problemas da freguesia, alguns que referi, acho que ficaram com uma visão global da freguesia.
Acho que foi positivo até porque houve compreensão das reivindicações que nós fizemos em termos de obras agora vamos ver, em termos de Orçamento, como será concretizado.”
E a sessão das “Opções Participadas” como decorreram na freguesia?
“Decorreram muito bem, foram além das minhas expectativas. As pessoas não tinham sítio onde se sentar, o auditório estava cheio, e, nunca pensei que tanta gente ocorresse à reunião das “Opções Participadas”. Ainda bem que assim foi, porque é essa uma das intenções que nós temos, aproximar a população da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal, para que possam fazer sentir os problemas.
Considero que com esta reunião esse objectivo foi conseguido.”

Falta-nos um Centro Comunitário.

Como tem sido o diálogo da Junta de freguesia com o Movimento Associativo?
“O Executivo desde que tomou posse tem tido varais reuniões, com várias associações da freguesia, outras reuniões estão agendadas.
Ainda está por agendar uma reunião com o Agrupamento de Escolas, que irá decorrer no período das férias escolares.
Nesta reuniões estamos a fazer um levantamento das necessidades, conhecer melhor quais as preocupações das associações, para analisarmos em que áreas poderemos dar respostas.
Considero que as associações têm um papel muito importante na nossa freguesia, não só no desenvolvimento da cultura, como no desporto, envolvendo muitas crianças, mas também em termos sociais, porque muitas das associações funcionam como “centros de dia”, proporcionando aos reformados e idosos espaços para ocupar o seu dia a dia, superando a carência que nós temos na freguesia de inexistência de uma estrutura de apoio aos idosos. Falta-nos um Centro de Convívio um Centro Comunitário, onde as pessoas possam estar, que não se sintam sozinhas e sentirem que fazem falta e que o seu trabalho e contributo é importante para a freguesia.
Por tudo isto considero que o papel do Movimento Associativo na freguesia é fundamental.”

Requalificar quatro logradouros

No final do seu mandato que gostaria de sentir que ficou resolvido na sua freguesia?
“Tantas coisas. Gostaria que o Polidesportivo estivesse completo.
Gostaria que em quatro anos, fosse iniciado um projecto, ou início de uma construção de um equipamento direccionado para os idosos – um Centro de Dia.
Considero que seria importante planear-se um equipamento que pudesse servir as associações da freguesia, em termos de espaço, onde pudessem promover os seus programas de carácter cultural, um equipamento polivalente que permita promover a Ginástica, realizar espectáculos, coberto, que servisse todas as associações. È uma carência da freguesia.
Gostava de ver os espaços verdes arranjados. Os logradouros requalificados nem que fossem apenas quatro, um em cada ano, até ao final do mandato, seria um objectivo a concretizar.
E, ainda, que fosse encontrada uma solução de passagem dos peões, na zona da Passagem desnivelada, em conjunto com a REFER e a Câmara.
Se tudo isto fosse concretizado já era muita coisa”
E a utilização futura das instalações da EDP?
“Aquelas instalações são enormes. Aquele edifício é típico da freguesia, existe há muitos anos, tem uma traça giríssima, e considero que tem condições para que ali se possa fazer uma coisa engraçada ao serviço da freguesia ao nível cultural.
Penso que existirão algumas dificuldades. Vamos ver. É um processo em aberto e a acontecer era ouro sobre azul”.

Há muita coisa para ser feita

Qual a mensagem que deixa aqui aos munícipes ?
“A primeira ideia que gostava de transmitir é que estamos aqui para trabalhar, para melhorar as condições de vida dos munícipes, da população da freguesia da Verderena.
Queremos que as pessoas nos sintam como uma mais valia, queremos que as pessoas percebam que sempre que se dirigirem à Junta de Freguesia para expor os seus problemas nós estamos cá sempre, pode dizer-se, como um ombro amigo, para atender, para acolher e para fazer, dentro das nossas possibilidades, tudo o que nos seja possível.
Por outro lado, queria pedir a todos paciência, porque os problemas são muitos e não vão ser todos resolvidos de um dia para o outro.
Nós temos noção que durante estes quatro anos há muita coisa para ser feita e pretendemos trabalhar para isso, por isso pedimos à população alguma paciência.
Não será em Janeiro que todos os problemas da freguesia da Verderena serão resolvidos.
Gostaria ainda de lançar o apelo para que colaborem connosco, façam chegar sugestões sobre aquilo que acham que está mal e que pode ser resolvido.
Podem ter a certeza que terão o melhor acolhimento.”

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