Jorge Espírito Santo“O que falta ao Hospital do Barreiro é um projecto de qualidade”
O Rostos foi conhecer melhor esta situação conversando com Jorge Espírito Santo.

Por Jornal Rostos
“O que falta ao Hospital do Barreiro é um projecto de qualidade que até agora tem sido difícil de concretizar. Falta algo que deve ser comum a todos os hospitais para melhorarem a sua qualidade na oferta de serviços aos utentes.
Esta instituição tem vinte anos de existência e uma enorme indifinição no seu papel, quer num contexto da região, da península de Setúbal, no contexto da região de Lisboa e Vale do Tejo e até no contexto nacional.
No Hospital do Barreiro há que definir as grandes áreas de liderança e falta definir um conjunto de situações muito importantes que neste momento têm condições para ir em frente.
O Hospital tem todas as valências necessárias para bem servir a população, algo que posso dizer ser comum a todos os hospitais, porque há sempre áreas que funcionam muito bem e outras em que há mais dificuldades.
No caso do Hospital do Barreiro, isso tem muito a ver com o facto de faltar um projecto liderante, o que leva a uma indifinição no papel do Hospital e levou a restringir as valências, porque os dinheiros da Saúde são curtos. Há muita gente a competir e depois quem apresenta os projectos mais credíveis e os que têm mais meios de persuação acabam por obter as verbas, os equipamentos e os recursos humanos.”
Hospital do Barreiro tem condições para ser líder
“Este projecto seria sempre integrado com os cuidados de saúde primários e qualquer valência do Hospital teria de ter capacidade para dar resposta às solicitações e também a população deveria ter uma melhor percepção da qualidade do Hospital.
Se o projecto que foi apresentado tivesse sido cumprido, poderia ter-se avançado mais nessa área e teria de certo ocorrido uma melhor articulação entre todos os prestadores, bem como uma melhor organização interna do Hospital.
Considero que o Hospital do Barreiro tem condições para ser líder em diversas áreas, uma delas a oncologia, porque se trata do primeiro hospital público não central a ter uma unidade de radioterapia, e neste momento oferece uma gama muito alargada de técnicas e meios para tratar os doentes de cancro.
Ser líder nesta área, implica por arrasto que outras especialidades obteriam um impulso muito grande. Quando um hospital consegue tudo isso, melhora a todos os níveis, mas é necessário que a direcção saiba aproveitar e interpretar correctamente o projecto, que teve início há sete anos atrás, com a instalação do equipamento de radioterapia.
O projecto foi construído com muita dificuldade e tinha vários pressupostos que o formavam como a concretização de uma reorganização relativamente à forma como os doentes eram diagnosticados e tratados e pressupunha a complementariedade das três instituições do distrito de Setúbal, o que implicava tratar os doentes de forma comum.
Neste momento já temos a radioterapia mas falta concretizar esse projecto de organização interna, envolvendo as outras instituições numa causa comum.”
Conselho Geral do Hospital do Barreiro
Já existiu um Conselho Geral do Hospital do Barreiro, do qual foi membro e que foi extinto. Qual o seu balanço deste conselho?
“Faço um balanço muito positivo, mas nessa altura o Hospital estava aberto à comunidade e tudo o que era importante para a vida do Hospital era também discutido no órgão. Embora com uma composição talvez muito alargada, foi capaz de apoiar e promover o Hospital, de o criticar, fazer sugestões e promover a interacção entre este e a comunidade e também para que esta pudesse manifestar a sua forma de sentir relativamente às necessidades que tinha. Tudo isto foi muito importante para potenciar o projecto de radioterapia. Por outro lado, a comunidade ficava a conhecer o que se passava em termos de dificuldades e limitações, pelo que era um impulso muito positivo.
A situação inverteu-se completamente com a transformação dos hospitais em sociedades anónimas, embora também estas prevessem a integração de um conselho consultivo, bem como agora a constituição das empresas privadas, para as quais vão caminhar os hospitais.
Esse conselho nunca foi activado, porque predominou sempre aqui uma visão de algum hermetismo e não se envolveu de novo a comunidade com o hospital.”
Assembleia Municipal com papel importante
“A Assembleia Municipal já desenvolveu um papel muito positivo com a nomeação de um representante para o Conselho de Administração e fez um pedido ao Hospital para que fosse activado o Conselho Consultivo. Esta Assembleia Municipal certamente irá procurar uma intervenção mais activa e há que esperar agora pela nova transformação que se vai operar em Janeiro.”
Maria do Carmo Torres














