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Adolfo Lopo, Presidente da Junta de Freguesia do Lavradio“O Lavradio continua a aumentar a sua população escolar”

Adolfo Lopo, Presidente da Junta de Freguesia do Lavradio considera essencial a melhoria da Higiene Pública na freguesia, a resolução da situação dos parques Infantis e a melhoria no Parque Escolar.

11 min de leitura
Adolfo Lopo, Presidente da Junta de Freguesia do Lavradio “O Lavradio continua a aumentar a sua população escolar”

Por Jornal Rostos

Adolfo Lopo, começou por comentar para o jornal “Rostos” alguns aspectos relacionados com a sua reeleição e a descentralização para as freguesias.
De novo reeleito Presidente da Junta de Freguesia do Lavradio, como avalia a sua reeleição?
“Esta reeleição foi vivida com particular agrado porque as condições não eram, em princípio, no meu entendimento, as mais favoráveis, mas, este resultado significa que a nossa actividade mereceu o reconhecimento da generalidade das pessoas e, consequentemente é também uma responsabilidade acrescida, duplamente acrescida, primeiro por esse mesmo reconhecimento, segundo porque naturalmente, deixaram de existir as condições contrárias aos interesses da freguesia, que existiam no mandato anterior, nomeadamente à responsabilização da Junta de Freguesia por um conjunto de actividades ligadas ao que se denomina de descentralização.
Finalmente, pensamos nós, estão criadas as condições que podem permitir que a Junta de Freguesia possa desenvolver essas funções”.

Proposta de descentralização

Como está a descentralização neste momento ?
“ Neste momento é uma boa batata quente que nos passou para as mãos. Foi constituído um Grupo de Trabalho composto pelos Presidentes das Juntas de Freguesia que já tinham descentralização, no mandato anterior e que foram reconduzidos, caso do Lavradio, Alto do Seixalinho, Santo André e Coina, que apresentaram um projecto de descentralização, em diversas áreas, para o concelho do Barreiro.
Não é nem mais, nem menos, do que aquilo que já foi aprovado pela Associação Nacional de Municipios e a Associação Nacional de Freguesias – ANAFRE, assim como uma análise de experiências adquiridas em concelhos, incluindo outros mais afastados como Loures e Sintra.
Chegámos a uma conclusão daquilo que nos pareceu viável, área por área, a poder estabelecer como descentralização com a Câmara Municipal, no dia 28 vamos ter uma reunião da Câmara com o grupo de trabalho, para discutir pormenorizadamente cada uma das áreas. Esta é uma primeira fase.
A segunda fase passará pela definição, Junta por Junta, do que cada uma acha que tem condições, efectivamente, para levar à prática, portanto, daquilo que aceitará como descentralização.
Porque as realidades são distintas, as condições também, e, se numa primeira análise a primeira reacção é querer agarrar tudo, ou seja a vontade de responder às solicitações que a população nos faz chegar, por outro lado, temos que ter os pés bem assentes no chão e perceber que nós somos cinco eleitos, entender que não temos pessoal técnico para coordenar e planificar diversas situações.
Nós não somos técnicos, somos políticos, pudemos aqui ou ali ter alguma competência técnica, que pode minimizar ou disfarçar as limitações em termos estruturais, mas não somos técnicos.
A estrutura que se aponta requer meios técnicos, recursos humanos técnicos, para além dos equipamentos e pessoal.
A política de pessoal é, talvez, no nosso entendimento a mais complicada, porque, não partilho do princípio que a Junta de Freguesia deva ter um Quadro de Pessoal para funções que não sejam próprias.
Nós não pudemos estar dependentes, como estivemos no mandato anterior, que a descentralização podia acabar de um momento para o outro, porque houve mesmo do anterior Presidente Emídio Xavier, a proposta de que, se não querem assim, então acaba-se a descentralização.
Esta é uma posição política dificilmente sustentável, mas é possível, e, depois, a questão que se nos colocaria é o que nós iríamos fazer, as Junta de Freguesia, às pessoas que estão no Quadro.
As pessoas contratadas teríamos que assumir o Contrato até ao seu final. As pessoas do Quadro como fazíamos ?”

Descentralização vai avançar

Pelo que é dito a análise da descentralização estão a decorrer e no bom caminho?
“Sim. Estão, e estão numa fase bem adiantada. Aliás, no início do ano, vamos certamente avançar. Até onde é o que está em aberto.
Mas a descentralização vai mesmo avançar.
Uma das coisas, por exemplo, que nunca irá acontecer e aconteceu no mandato anterior, e esta é uma posição assumida, quer pelas Juntas, que pela Câmara Municipal, é que não haverá partes do território que não seja abrangida por esta descentralização.
Se a Junta tiver descentralizada a Higiene Urbana, terá sob a sua responsabilidade a Higiene Urbana em toda freguesia, não será que numa parte da freguesia é de um e noutra parte da freguesia é de outro, ou seja, limpa-se a rua de um lado, mas não se limpa a rua no outro. Isto não vai acontecer. Esta é a única coisa que já está assente.
Porque, o que quer que seja que venha a ser descentralizado para cada uma das Juntas de Freguesia sê-lo-á para toda a área da freguesia.

Recuperar Parques Infantis

Neste principio de mandato quais os problemas que considera prioritários resolver na freguesia do Lavradio?
“Duas questões que são manifestamente sobre a qualidade de vida, uma é a questão da Higiene Pública que, naturalmente, tem que ter uma qualidade muito superior à que tem tido, pois, pessoalmente, não preciso que ninguém me diga, entendo que é má.
Outra situação, tem a ver, igualmente, com a qualidade de vida é a recuperação de logradouros. Há espaços que têm que ter uma reconversão no espaço urbano. Isto tem que ser uma realidade.
Estamos disponíveis, como aliás sempre estivemos, para equacionar a possibilidade, agora, naturalmente, com maior abertura política, não sei se haverá do ponto de vista de condições financeiras que o permitam, mas há a perspectiva politica, para trabalharmos em conjunto, articularmos meios, para que possamos levar por diante mais obra, que sendo apenas a Câmara a fazer seria feita.
Neste momento apontamos, claramente, para dois ou três espaços a recuperar na freguesia, para além, o que para nós é uma questão de honra, que todos os Parques Infantis possam ser recuperados.
Por exemplo, no Parque Escolar, todo ele vai ter uma qualidade bem melhor, aos mais diversos níveis.”

Aumentar Escola dos Fidalguinhos

Na opinião de Adolfo Lopo houve, no mandato anterior, uma preocupação de “apresentar algum trabalho nesta área, muito particularmente com a construção da nova Escola do Ensino Básico dos Fidalguinhos”.
Referiu que a Escola dos Fidalguinhos é um problema, porque deveria ter sido construída com uma estrutura distinta – “as verbas não permitiriam isso, mas a opção politica foi de fazer uma Escola”.
Acrescentou – “esta Escola para o ano já vai ter regime duplo” o que significa que foi uma “opção errada” porque “não devia ser construída uma escola que ao fim do primeiro ano de aberta ter que funcionar com regime duplo”.
O Presidente da Junta de Freguesia referiu que a Junta tomou a liberdade de contactar com a equipa de arquitectura da Escola dos Fidalguinhos no sentido de estudar soluções.
Está em análise a construção de mais salas de aulas, “pelo menos mais oito salas” e “aumentar para mais duas o número de salas do pré escolar”.
Adolfo Lopo, salientou ainda, a possibilidade de ser construída uma nova escola do ensino Básico, na zona central da Vila do Lavradio, na área perto do Centro de Saúde – “é necessária porque a Escola do Ensino Básico nº 1, está em regime duplo”, porque, acrescentou – “o Lavradio continua a aumentar a sua população escolar”

Associativismo é essencial

Como são as relações da Junta de Freguesia do Lavradio com o Movimento Associativo?
“Nós temos concluído o périplo, digamos assim, de contactos que estabelecemos com diferentes associações.
O reflexo que temos é que é um bom entendimento. Temos tido um bom entendimento, temos tido uma boa receptividade, e, naturalmente, da nossa parte, que é aquilo que nos compete, temos vindo a reiterar a abertura e encontrar as melhores soluções para os problemas que as colectividades no colocam.
Na freguesia as colectividades desempenham um papel importante?
“Têm um papel essencial. Essencial a todos os níveis, na parte cultural, na parte desportiva e sobretudo na parte social.”

Trabalhar com todos

A CDU obteve maioria relativa na freguesia. Como foi a negociação com as outras forças politicas? Foi complexo?
“Não, não foi complexo. Para mim não foi nada complexo. Assumi e disse-o na altura, até publicado no “Rostos”, que a posição do Partido Socialista tomou face à minha pessoa e aos candidatos da lista da CDU ( há que diga que isso é politica, mas se isso é politica, não é comigo, não entro nessa politica) tal, não permitiu que existam condições para podermos trabalhar com o Partido Socialista, como poderíamos e deveríamos.
O Partido Socialista teve uma votação significativa, portanto, o seu projecto também corresponde aos interesses de muita gente nesta terra, portanto era bom que pudéssemos trabalhar todos, também com o Partido Socialista.
Mas, as coisas extremaram-se, nem percebo bem porquê, nem entendo, da minha parte não houve nada que o justificasse, mas assim se entendeu. Foi uma questão pessoal que coloquei a quem de direito, que não era minha intenção dialogar com o Partido Socialista, tendo em vista um qualquer entendimento.
Não via condições objectivas de trabalharmos em conjunto.
O mesmo não aconteceu com qualquer das outras forças políticas.
Falei com o PSD e Bloco de Esquerda. Expus as ideias como pretendia desenvolver o projecto da CDU, que no essencial é o mesmo de quase todos, pudemos divergir aqui ou ali em termos de estratégia, por questões de opção ou oportunidade.
Manifestei disponibilidade para trabalhar com qualquer deles e procurei obter a respectiva opinião.
Quer um, quer outro, manifestou-se disponível para trabalhar connosco.
Em estratégia concelhia, entendeu-se que não seria conveniente na Junta ficarem as três forças politicas, entendeu-se ser mais profícuo que a CDU mantivesse na Junta o maior número possível de lugares no Executivo.
Isso implicava que só uma das forças politicas poderia fazer parte do Executivo.
Porquê o PSD? Mais que o PSD, são as pessoas do PSD.
O Mealha era uma pessoa que já, tinha estado em Executivos anteriores, com excelente entendimento, com trabalho positivo.
Também é bom lembrar, para quem tem memória curta, que o PSD, no Lavradio, não isolou o Presidente da CDU, como foi feito noutras freguesias, onde com o PS, elegeu os seus eleitos e do PS, ficando apenas no executivo o Presidente da CDU, mesmo sendo a força politica mais votada.
No Lavradio, o PSD, com o Mealha, não aceitou esta proposta feita pelo Partido Socialista, de ficar o PS com 3 elementos no Executivo, o PSD com um, ficando a CDU apenas com o Presidente, de acordo com a lei, que tinha que ser obrigatoriamente CDU.
O PSD recusou e viabilizou o Executivo com 4 CDU e um do PSD.
Essa atitude, que as coisas fazem-se com memória e com pessoas, no contexto, vimos que a solução devia passar pela integração de um membro do PSD, que já participara em anterior mandato. E está a funcionar muito bem.
Espero do Bloco de Esquerda e do Partido Socialista que se mantenha a disponibilidade de cooperar, independentemente de não estarem no executivo. Aliás o Bloco de Esquerda poderá e deverá ter uma posição activa na defesa dos seis pontos de vista, na freguesia, porque, mesmo no mandato anterior, sem ter eleito, foi sempre ouvido na elaboração do Plano de Actividades.

Recuperar zona do mercado

Até ao final do mandato que aspectos da vida local seria importante estarem resolvidas?
“Aponto três questões. A primeira delas são os Parques Infantis. Outra a solução dos problemas do Parque Escolar. A terceira, que em principio será aquela que primeiro vai avançar, será a reorganização do espaço envolvente do Mercado do Lavradio, aproveitando até o facto do projecto do Tanque de Aprendizagem de Natação vir a concretizar-se no imediato e ser integrada a resolução do espaço envolvente do Mercado.
Essas são as principais.
Depois, há que concluir alguns melhoramentos do Lóios e a recuperação de logradouros.
Estas são actividades a concretizar pela Câmara.
Paralelamente, nós, na freguesia, na parte cultural, vamos apresentar uma proposta às colectividades para levar à prática a realização regular de actividades culturais na freguesia, em áreas que não colidam com as actividades das associações.
Vamos manter a publicação de obras afectas ao património e alguns projectos ao nível de monumentos, como a reconstrução e relocalização do Salineiro.
Existem boas perspectivas de entendimento com a Escola Álvaro Velho na produção de murais para aplicação na freguesia.
Vamos desenvolver um esforço significativo no que diz respeito à informação na freguesia.”

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