José António Antunes – Presidente J . Freg. Alto do Seixalinho“Fazer alguma coisa no Bairro Alves Redol”
Por Jornal Rostos
Numa conversa com jornal “Rostos” deu-nos a sua perspectiva dos problemas da freguesia que gostava de ver solucionados até ao final do seu novo mandato.
Foi reeleito Presidente da Junta de Freguesia do Alto do Seixalinho, como analisa a sua reeleição?
“Vejo a reeleição de uma maneira natural. Nós no mandato anterior já tínhamos sido os mais votados, na altura apresentámo-nos com um Programa que cumprimos, indo, até, para além do Programa Eleitoral.
Por outro lado, ao longo do mandato a relação que estabelecemos com as pessoas, foram relações de proximidade, de contacto permanente, tendo em vista auscultar as opiniões das pessoas, as suas angústias, os seus problemas e tentar dentro das nossas possibilidades ajudar a resolver, por tudo isto, nós estávamos com a convicção que iríamos voltar a ser a lista mais votada.
Tivemos uma maioria absoluta, passámos de uma maioria relativa, para uma maioria absoluta, o que de facto, de alguma maneira, tem a ver com aquilo que já disse, ou seja com o tipo de mandato que concretizámos, no diálogo com as pessoas e cumprindo o nosso programa.
Também nos apresentámos com uma lista renovada, com gente nova, embora eu não seja nem novo de idade, nem novo como candidato, mas as pessoas acabaram por me atribuir a vitória e à lista que integrei”.
Alguma coisa mudou positivamente
No Alto do Seixalinho também decorreu a iniciativa “Opções Participadas”, promovida pela Câmara Municipal do Barreiro, como avalia essa reunião?
“Decorreu bastante bem. Sabe essa iniciativa foi um primeiro sinal dado pela Câmara Municipal de que alguma coisa mudou e mudou positivamente.
Essa sessão foi realizada no Paivense, nela participaram cerca de 140 pessoas, foi atribuída à freguesia, neste caso a mim, a coordenação da reunião, o que em termos da relação da Câmara com a Junta de Freguesia, também é novo e significativo.
As pessoas participaram, fizeram intervenções, apresentaram problemas e a ideia que temos é que a Câmara está a procurar a resolução desses problemas.”
Partido Socialista houve um equívoco
No Executivo anterior contava com a participação do PSD, agora como ficou? Houve alguma negociação para a constituição dos órgãos na freguesia?
“Não, não houve negociação. Nós ganhámos com maioria absoluta, portanto as pessoas indicaram um determinado caminho. Nós temos os cinco lugares no Executivo da Junta de Freguesia, tendo nós maioria absoluta e existindo a expectativa das pessoas que se candidataram, é natural que assim seja.
Repare, o que nós fizemos foi contactar os membros das outras forças políticas no sentido de integrarem a Mesa da Assembleia de Freguesia, nesse sentido o António Baptista Pereira, PSD, disse que aceitava.
Com o Partido Socialista houve um equívoco, pois terão entendido que os convidei para Presidir à Assembleia de Freguesia, facto que considero mesmo um equívoco.
Isso era impensável, nós termos vencido as eleições e ir convidar um partido da oposição para presidir à Assembleia. Devem ter percebido mal. O PS optou por não participar na Mesa da Assembleia.
O Bloco de Esquerda, como só tem um eleito, entendeu que era melhor ficar na Assembleia, onde pode ter mais possibilidade de intervenção.
A nossa experiência com o António Baptista Pereira foi muito positiva, no Executivo da Junta de Freguesia, no último mandato, onde ele era Secretário e, posso dizer-lhe, que nós nunca fizemos uma votação, porque tudo foi sempre decidido por consenso.
Ele aceitou integrar a Mesa da Assembleia e nós ficámos satisfeitos com essa sua atitude. Ficou a exercer o cargo de 1º Secretário.”
Como é o diálogo com as forças politicas na freguesia?
“Nós para preparar o Plano de Actividades e Orçamento fizemos, de acordo com a Lei, reuniões com os partidos da oposição.
Nessas reuniões deram contributos e opiniões que nós vamos considerar.
Digamos que a relação com os partidos é cordial, pois, no fundo, são pessoas que nós conhecemos, com as quais há uma grande proximidade.
Claro que na campanha, nomeadamente o Partido Socialista teve alguns traços negativos, relativamente à lista da CDU e aos candidatos da CDU, talvez com ânsia de tentar vencer.
Mas, na tomada de posse, o próprio candidato do Partido Socialista e usando a expressão dele referiu – “está enterrado o machado de guerra” e que podia contar com ele para apoiar no que fosse preciso.
É assim a nossa relação. São pessoas que conheço bem, com quem mantenho uma relação cordial”
Protocolo actual será cumprido
No que se refere à descentralização, como vai sendo resolvida, há novidades?
“ Sim. Há alguma novidade, desde logo o reatarmos reuniões com o Presidente da Câmara e ter sido decidido manter o actual protocolo, até à celebração de outro com outro conteúdo, que entretanto está a ser preparado.
As Juntas de Freguesia constituíram um grupo de trabalho e apresentaram uma proposta, para a elaboração de um novo protocolo.
Na minha opinião é uma proposta demasiado ambiciosa, mas que será apreciada, Junta a Junta, com a Câmara.
Essa proposta uma base de trabalho, cada Junta acertará com a Câmara o conjunto de competências que sente capacidade e possibilidades que lhes sejam delegadas.
Entretanto, o Protocolo actual será mesmo cumprido que, como sabe, não estava a ser, nomeadamente, em relação às novas urbanizações.
Esse era um aspecto muito polémico que havia com o anterior Executivo da Câmara, que o actual já assumiu essa competência é para ser cumprida na plenitude pelas Juntas de Freguesia, ou seja, a Higiene Urbana e tratamento de zonas verdes em toda a freguesia, independentemente de ser nova ou velha urbanização.
Agora trata-se de transferir para cada uma das Juntas os trabalhadores que são necessários para exercer essa competência, para avançarmos.”
Está satisfeito pela forma como as coisas estão a decorrer em relação a essa matéria?
“Não só em relação a esta, mas outras, por exemplo, já referimos a realização das “Opções Participadas”, já realizámos reuniões com Vereadores, nomeadamente com o Vereador João Soares e com a Vereadora Sofia Martins, para vermos coisas concretas da actividade, das nossas competências e do relacionamento dos serviços da Câmara com a Junta de Freguesia e esses contactos têm sido, de facto, uma novidade, porque praticamente com o Executivo anterior era um diálogo de surdos, as coisas não andavam.
Nós fizemos 13 reuniões com o Presidente da Câmara para ver a questão da descentralização de competências e chegou-se ao fim do mandato e o resultado foi zero.
Por isso é que eu digo que é diálogo de surdos, pelo menos de um surdo.
Nós apresentámos as propostas e reclamações, houve inclusivé uma Assembleia Municipal Extraordinária para analisar esta questão, na qual foi aprovada uma deliberação critica em relação à Câmara, por não cumprir o Protocolo no que se refere às novas Urbanizações, e, na verdade, esboçou-se na Assembleia a ideia que as coisas seriam acertadas, inclusivamente foram tomadas decisões nas Assembleias de Freguesia e na Assembleia Municipal, para que pudesse ser destacado pessoal da Câmara para as Juntas, mas não adiantou nada.
Agora há uma diferença significativa. E, digo-lhe, estamos a notar uma coisa muito interessante, que é uma resposta mais rápida às questões que colocamos, na execução de pequenas reparações e obras que são da competência da Câmara.”
Junta conta com apoio de empresas
Sobre a elaboração do Plano de Actividades recordou que “o Orçamento não chega a 500 mil Euros e cerca de 82% destina-se a salários e ao funcionamento, significa que sobram 18%”.
Referiu que no Natal ofereceram uma prenda aos cerca de 1100 alunos da freguesia, graças ao apoio de uma empresa.
A Junta de Freguesia do Alto do Seixalinho promove muitas parcerias com empresas?
“Não serão parcerias, são contactos que estabelecemos a pedir apoios, que vamos conseguindo”.
Isso é fruto do Presidente?
“Sim, é um pouco à minha volta, devido à relação profissional que eu tenho.”
Não está a tempo inteiro na Junta de Freguesia?
“Não. Estou a tempo inteiro no Banco. A minha actividade é no Banco. Sou Director Bancário, n Banco Espírito Santo.”
É Presidente da Junta de Freguesia a part time, como concilia as actividades?
“Consigo coordenar. Sabe, eu estou sempre disponível para o Banco e Para a Junta de Freguesia. Tenho o meu telemóvel e esteja no Banco, ou esteja na Junta, estou sempre disponível para onde for solicitado. Tenho as minhas funções e exerço-as.”
Essa constante actividade não lhe dá stress?
“Às vezes dá, sinto às vezes que precisava de descansar um pouco. Agora era uma altura que precisava de descansar um pouco, após as eleições.
Mas estão aí as eleições Presidenciais, mesmo no Banco é altura de balanços.
O meu trabalho no Banco envolve muita responsabilidade. Exige muito de mim.
Mas vou exercendo as minhas competências, quer no banco, quer aqui na Junta de Freguesia, de forma equilibrada.”
Centro para Reformados
No final deste seu segundo mandato que gostava de ver concretizado na freguesia do Alto do Seixalinho?
“Gostava de ver realizado um rol de coisas. Gostava que fossem concretizadas duas obras que considero de grande importância, pela sua dimensão e pelas características das pessoas que vivem e trabalham na freguesia.
A construção do Centro de Saúde com dignidade, que esteja à altura de uma freguesia com cerca de 20 mil habitantes.
E, também, um Centro Comunitário para os Idosos, um Centro idêntico ao do Lavradio, porque a nossa freguesia tem muita gente reformada.
Nós temos, na freguesia, uma coisa muito boa, que compensa a falta do Centro Comunitário que são as colectividades.
O Movimento Associativo presta um serviço de grande relevância no plano social.
Posso sublinhar que estes dois equipamentos têm espaços definidos na freguesia. O terreno existe para que se possam construir, é tudo uma questão de conjugação de vontades.
Duas coisas que gostava se concretizassem era o arranjo da zona envolvente do Bairro Alfredo da Silva e a recuperação, o mais possível, do Bairro Alves Redol.
Posso dizer-lhe que estou a estabelecer contactos com empresários no sentido de virem a fazer alguma coisa no Bairro Alves Redol, dar uma outra imagem ao Bairro, independentemente de soluções que possam ocorrer, esta obra de melhoramentos é uma necessidade.
Na Quinta da Amoreira, é uma zona que precisava uma solução, nós, até propusemos a criação de um Gabinete onde estivesse a Câmara, a Junta de Freguesia, a Delegação de Saúde, Empresários e Senhorios ( sei que o Presidente da Câmara está em sintonia com esta ideia), que pudesse desenvolver algum trabalho no sentido de fazermos ali uma intervenção e resolver a situação das pessoas e dar dignidade ao local.
Por fim, a intervenção nas Escolas, o nosso parque escolar é antigo, e considero que há necessidade de uma intervenção nas Escolas.
Da nossa parte, Junta de Freguesia, estamos em contacto com uma empresa, para nos ajudar a recuperar uma das Escolas. Pelo menos uma das escolas vai ser recuperada a custo zero para a autarquia, através de uma empresa que nos vai dar essa ajuda.
Há outras pequenas obras como a Rotunda dos Casquilhos, a construção de passeios na zona de Casquilhos, era importante que fossem feitos, e, o logradouros que estão por arranjar.
Se fossem feitas, nem que fosse só uma parte destas que eu referi, já era muito bom...”














