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Luís Tavares, Quimiparque“Não podemos continuar eternamente com os espaços enormes disponíveis e vazios sem nada fazer”

O Parque Empresarial do Barreiro – Quimiparque, segundo referiu ao “Rostos” Luís Tavares, Administrado do Quimiparque, conta actualmente com 300 empresas, envolvendo cerca de 4000 postos de trabalho.
Salientou, igualmente, “queremos continuar a ter no Parque uma força empresarial grande”.

10 min de leitura
Luís Tavares, Quimiparque “Não podemos continuar eternamente com os espaços enormes disponíveis e vazios sem nada fazer”

Por Jornal Rostos

Luís Tavares em entrevista a “Rostos” deu a conhecer os projectos da Quimiparque e expressou a importância do território para o futuro do concelho do Barreiro e do país.

Como caracteriza a Quimiparque nos dias de hoje?

“O Parque Empresarial, como todas a gente sabe, porque as pessoas também circulam cá por dentro, tem vindo a sofrer uma evolução ao longo destes anos, pode dizer-se, está agora numa fase de transição, porque vai deixar de ser uma zona exclusivamente empresarial, para ter outras componentes que, concerteza, terá no futuro.
E, portanto, poderei dizer, o Parque está a dar o salto para o Século XXI, com o aproveitamento deste território para outro tipo de actividade e de acções que aqui se podem desenvolver, portanto, será o preparar de todo o território para uma nova realidade.
Uma nova realidade que terá reflexos não só a nível local, mas que também esperamos que seja no país, ou seja a sua modernização em todos os aspectos.

Desde que o Parque Empresarial arrancou nos anos 90, como tem sentido a sua evolução?

“Como deve calcular a nossa actividade é afectada, muito ou pouco, dependendo das ocasiões e da dimensão dos fenómenos, mas que é afectada, fatalmente, pela evolução da economia, o andamento da própria economia.
Se reparar, um Parque Empresarial é um conjunto de empresas, é uma expressão da economia, talvez não haja melhor sitio para demonstrar como vai a economia do que um Parque Industrial ou Empresarial.
Sendo um local onde estão muitas empresas, essas empresas ou estão bem, ou estão mal, e essa realidade resulta da situação das economias, naturalmente, o Parque também se ressente com esses fenómenos.
O nosso Parque, como é evidente, não tem fugido à regra e tem sofrido, mais ou menos, com as sucessivas evoluções da economia geral do país.
Numa fase mais alta da economia a situação é melhor, numa fase mais baixa da economia a situação reflecte-se, portanto, há altos e baixos, em função dessa realidade.
Na década de 90, a situação económica teve reflexos no Parque, com alguma “decalage”, porque não se sente imediatamente o efeito de uma crise económica, mas, posso dizer-lhe que o Parque tem sempre evoluído, se não em número de clientes, pelo menos na evolução interna na melhoria que temos procurado sempre fazer na sua qualidade.
No entanto, o crescimento em número de empresas, nos últimos tempos abrandou, é óbvio, perante a situação económica do país”

Qual a realidade empresarial do Parque ?

“No Parque funcionam cerca de 300 empresas, e, calculando todas as pessoas que trabalham de forma permanente, não só das empresas, mas até de empreiteiros, no Parque existem cerca de 4000 postos de trabalho.
Agora, é tão importante o número de empresas que aqui estão e a saúde do Parque propriamente dito ( é importante porque é essa que nos dá os recursos para podermos investir) como pensarmos o desenvolvimento futuro do Parque.
Ou seja, nós não podemos continuar eternamente com os espaços enormes disponíveis e vazios sem nada fazer, achamos todos que isso não é possível, porque o território porque é valioso tem que ser aproveitado e desenvolvido, para bem de todos, não só para bem da sua própria realidade, como do Barreiro e do país.”

Diga-nos então em que ponto está neste momento o chamado Masterplan?

“O Masterplan, como eu digo sempre, foi um nome, podia ter sido outro nome qualquer, o que interessa sublinhar é que é o Plano de Desenvolvimento da Quimiparque.
Nós, como certamente recordará, na ideia base que apresentámos, foi estudar o território da Quimiparque nas suas componentes para saber que tipo de utilização podíamos dar ao mesmo e com a premissa de querermos conservar e desenvolver o Parque Empresarial que aqui temos, nesse sentido tomámos duas acções nos últimos anos : uma foi construir o loteamento, localizado entre a Feira Nova e a Fábrica de Amoníaco, que neste momento está pronto e estamos em negociações com diversas entidades para a venda de lotes. Aqui nesta zona será uma venda (pode dizer-se que este é um loteamento empresarial), portanto, uma oferta diferente do Parque clássico, onde temos instalações nossas que alugamos.
Simultaneamente, avançámos com o projecto que chamamos oficialmente, o “Projecto de Reparcelamento da Zona 2” que visa a renovação da nossa zona empresarial central, o núcleo empresarial, aqueça zona onde queremos que se concentre o futuro Parque Empresarial, requalificado, com mais empresas, com melhores infraestruturas, esse foi, de facto, o projecto a que nos dedicámos nos últimos dois anos.
Esta é uma área de uma grande dimensão, são 60 hectares, 600 mil metros quadrados, é muito grande e confina directamente com a cidade, colocou vários problemas de ligações viárias e, este, foi um trabalho, de grande valor, penso eu, desenvolvido com a Câmara Municipal do Barreiro.
É um projecto que está neste momento em apreciação, na Câmara, e está em apreciação a versão final desse projecto.
Uma das ambições que nós temos (e tanto quanto sabemos também a autarquia), que é o atravessamento do Parque, por uma espinha dorsal, uma via principal, no sentido leste oeste, será uma das consequências da aprovação desse plano.”

Projecto “Cidade do Cinema”

Uma das matérias que têm sido faladas é o chamado Projecto “Cidade do Cinema”, que nos pode dizer sobre essa matéria?

“O Projecto “Cidade do Cinema” é o resultado de um interesse manifestado, por investidores norte americanos, em se instalarem na Quimiparque, tendo em vista a instalação de indústrias do cinema.
Nós, em relação a esse projecto estamos interessados, porque tudo o que seja modernizar do Parque e instalação de novas actividades, sobretudo actividades ligadas a tecnologias modernas, estamos extremamente interessados, sabemos que a autarquia também está interessada, agora, é preciso concretizarmos.
O investidor tem que nos dizer, claramente, o que pretende, como pretende implantar o projecto, para nós podermos reagir…”

Uma das condições que se fala é a oferta de 30 hectares de terreno?

“Repare, esse é um problema muito simples. Se um investimento tiver interesse do ponto de vista regional ou mesmo nacional, como aparentemente este investimento tem, é natural que o investidor coloque determinadas condições.
Portanto, será da parte do proprietário do terreno, que é o Estado, que terá que dizer se sim ou não, perante a proposta.
A gestão da Quimiparque directa não pode dar património seu, pode, de acordo com orientações do accionista e do Estado, negociar o que se entender melhor, para implantação de uma actividades dessas.”

Habitação e Actividades Económicas

Olha com esperança para o papel que a Quimiparque pode desempenhar no futuro do Barreiro?

“Vejo com esperança. Nem pode ser de outra maneira.
O que acho é que o território da Quimiparque é de tal forma interessante, importante e valioso, porque está numa situação privilegiada, não só pela vista que tem, mas também pelos acessos que tem no centro da Área Metropolitana de Lisboa, frente a Lisboa, no centro geográfico da AML, ficando ainda mais bem posicionado com as novas acessibilidades que poderão ser criadas pela terceira travessia do Tejo.
Este é um território de futuro, disso não tenho qualquer dúvida.
O nosso esforço, a nossa tarefa, é fazermos com que esse futuro seja o mais rápido possível, aí é que está a chave do sucesso.
Não podemos perder tempo, nem nós, nem a autarquia, que somos os principais parceiros na concretização deste projecto.

E a autarquia está aberta ao projecto?

“Penso que sim. Tem sido público em diversas intervenções da autarquia, expressando que estão de acordo connosco naquilo que é básico, querer continuar a manter aqui actividades económicas de importância, de valor e cada vez mais modernas e actualizadas, mais ligadas às tecnologias futuras.
Por outro lado, queremos aproveitar o território, o melhor possível, para que tudo exista harmoniosamente, ligando as actividades económicas e empresarias à Habitação.
Porque, há muitos exemplos que não é viável fazer habitação desgarrada de actividades económicas, as duas coisas têm que estar ligadas.
Hoje, as indústrias modernas são compatíveis com a proximidade de habitação, porque não fazer as duas coisas juntas, acho que deverá ser assim.”

Podemos ficar com uma ideia de quando se prevê que esse projecto vai avançar?

“Dada a dimensão do território percebemos todos, perfeitamente, tudo isto tem que ser faseado.
A dificuldade aqui está em que nós, ao contrário de outras zonas que se modernizaram, se transformaram locais, esvaziando primeiro tudo e fazendo tudo de novo, nós, aqui não podemos fazer isso, como é óbvio.
O Parque é uma entidade viva que continua a desenvolver-se.
O nosso desafio é conseguirmos, continuando o Parque a existir e funcionando as empresas, irmos gradualmente modificando, em zonas que vamos libertando.
Tudo isto implica muitas acções simultâneas, não é fácil, mas, o que é necessário para fazer tudo isto, é a vontade e o dinamismo de todas as partes envolvidas.
Sabemos que não é fácil, porque todos conhecemos as tarefas burocráticas que existem em Portugal, e, também o tempo que as coisas levam mas, acho, que também temos que perceber que o tempo é o bem mais precioso que temos, porque se o perdermos nunca mais o recuperamos.

Contaminação dos solos há soluções

Um dos problemas que é referido sobre a Quimiparque refere-se à contaminação dos solos, como está a ser analisado este problema?

“Nós já fizemos o estudo profundo da contaminação dos solos, já começámos há quase oito anos.
Primeiro fizemos da zona que chamamos zona 1, que está agora praticamente vazia, já passámos para a zona 2.
Ao contrário do que se poderá supor, e, talvez até haja essa ideia, o solo não está todo contaminado, nem nada que se pareça felizmente.
Há algumas zonas que estão mais contaminadas, que outras, mas são tudo problemas resolúveis, não existe nada que não se possa resolver através de vários tipos de soluções que existem, hoje, seja a remoção dos terrenos, seja a injecção de produtos que neutralizem os que existem, seja a plantação de vegetação que absorva, há várias soluções.
O que nós temos feito é identificar, exactamente, os problemas e os locais, para quando for necessário e quando tivermos a definição daquilo que se vai fazer, concretizarmos o tratamento adequado a cada um dos casos.”

Que mensagem deixa aqui para as empresas que estão em actividade na Quimiparque?

“Dizer-lhes que as empresas que estão no Parque são para nós fundamentais, porque é delas, também, que a Quimiparque vive.
Dizer que queremos continuar a ter no Parque uma força empresarial grande, agora, penso que toda a gente percebe, que isso passará por deslocações internas de empresas de uns locais para outros, mas que queremos continuar a manter e a desenvolver todas as empresas que temos no Parque e a manter as relações com elas, sem dúvida.”

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