Saltar para o conteúdo
Postais

Hospital do BarreiroPara quando a nomeação do Conselho de Administração?
Que projecto? Vão sair valências?

. A centralidade da Península de Setúbal está no Barreiro, não é Almada ou Setúbal

“A situação do Hospital é complicada. Há uma indefinição absoluta, não só em termos dos seus órgãos de direcção mas, mais do que isso, do projecto para o Hospital” – sublinhou Espírito Santo, que foi nomeado pela Câmara Municipal do Barreiro, como o seu representante no futuro Conselho de Administração.

8 min de leitura
Hospital do Barreiro Para quando a nomeação do Conselho de Administração? Que projecto? Vão sair valências?

Por Jornal Rostos

A Câmara Municipal do Barreiro nomeou o Drº Espírito Santo para seu representante no novo Conselho de Administração do Hospital do Barreiro que continua por designar.
O actual Conselho de Administração do Hospital do Barreiro está em gestão há vários meses.
Procurámos, numa conversa com o Drº Espírito Santo, conhecer um pouco a actual situação que envolve o Hospital do Barreiro e as suas perspectivas para esta Unidade de Saúde.

Foi designado representante da autarquia no Conselho de Administração do Hospital do Barreiro. Que significado atribui a essa nomeação?

“Como sabe houve uma inovação na legislação que transformou os estatutos dos Hospitais, a qual permite que a comunidade possa ter uma intervenção no Conselho de Administração, sob a forma de uma participação, no Conselho de Administração como vogal, não executivo, por isso, o município decidiu aproveitar.
A situação do Hospital é complicada. Há uma indefinição absoluta, não só em termos dos seus órgãos de direcção mas, mais do que isso, do projecto para o Hospital.

O que está a causar essa situação do Conselho de Administração estar nessa situação de gestão?

“Ninguém sabe. E, é exactamente isso que se pretende perceber, aproveitando a possibilidade que a lei dá ao município e á comunidade do Barreiro.
Eu serei, naturalmente, um representante da comunidade, porque a questão que coloquei quando o meu nome foi falado, foi esta : teria que haver um consenso da comunidade a quem fosse desempenhar esta tarefa, porque, como sabe, é uma tarefa inovadora, porque em Portugal ainda não um nenhuma experiência deste tipo, este vai ser o primeiro Hospital a avançar com esta experiência inovadora.”

Mas já existe alguma ideia sobre a nomeação do novo Conselho de Administração?

“O Conselho de Administração é de nomeação Ministerial.
O que a Câmara Municipal do Barreiro fez, foi colocar o meu nome, ao abrigo da legislação existente, que, agora, o Ministro entenderá, ou não, nomear.
Terei que ser nomeado pelo Ministro.”

O Conselho de Administração que está em gestão, na sua opinião deve continuar em funções?

“Acho que para essas coisas, como sabe, a prática em Portugal, foi durante muito tempo, nomear para os Conselhos de Administração pessoas mais vinculadas a um determinado sector político-partidário do que propriamente pessoas com perfil e com competência para assegurar o projecto de cada Hospital.
Porque, cada Hospital, embora tenham áreas comuns, é diferente.
Os Hospitais são instituições que servem a comunidade, são instituições que servem e que prestam cuidados diferenciados às populações, e, na verdade, as populações são diferentes e as instituições também são diferentes, porque têm meios de actuação, têm valências, que não são completamente idênticas umas às outras, portanto, cada Hospital tem um projecto, que depende dos serviços que vai prestar, da população a quem vai prestar os serviços e das suas capacidades, ou daquilo que o Poder Central destinar como sua missão.
Como sabe, isto tem sido assim, os serviços são públicos e, por acaso, neste momento, o estatuto de EPE, permite uma maior margem de intervenção ao Poder Central, no caso ao Ministro da tutela, do que permitia o anterior estatuto SA, ou até mesmo do que dos Hospitais do Sector Público Administrativo que, quando foram criados, eram entidades com autonomia técnica, administrativa e financeira.
Mas, portanto, eu dizia que as pessoas tendiam a ser nomeadas em função de critérios de confiança política, o que se pretende, o que eu acho que é desejável, e coloco-me estritamente nesta situação (como sabe não tenho nenhuma filiação politica partidária, não sou filiado em nenhum partido politico, nem desempenharia esse papel numa instituição de saúde, que deve ser uma área completamente arredada de questiúnculas políticas).
Nós vimos o que aconteceu nas instituições que se enredaram em questões deste tipo, e vimos o que aconteceu no Hospital do Barreiro, no passado.
O que tem que acontecer é que as pessoas nomeadas para o Conselho de Administração do Hospital do Barreiro, tal como para outro Hospital qualquer, devem ser aquelas que garantam o projecto do Hospital.
O projecto do Hospital tem que ser definido em função do interesse da comunidade e da missão que lhe compete desempenhar.
Ora, neste momento, não se sabe nada disso e, portanto, neste momento, isso é preocupante.
Considero que uma das principais chamadas de atenção que a comunicação social local deve fazer é inquirir-se acerca das razões, que são completamente inaceitáveis, de não se nomear um Conselho de Administração para uma instituição durante meses.
Esta situação em si é inaceitável mas, de facto, encerra uma questão que lhe está subjacente, que é : não se nomeia porquê? O que é que está em causa?

Um das questões que se levanta é que se pretende retirar valências do Hospital?

“É uma possibilidade.”

Será isso que está em causa?

“Não sei. Há muitas possibilidades”

Será a própria indefinição do projecto do Hospital?

“Muitas possibilidades. Eu não faço a mínima ideia. É que ninguém sabe e isso é preocupante.
Os próprios membros do Conselho de Administração, em funções, não sabem nada e deviam saber.
Ou seja, todos os que trabalham naquele Hospital e todos os que recorrem àquele Hospital, merecem saber, da parte de quem tutela o Hospital, qual é o projecto do Hospital.
O que é que o Hospital vai fazer?
Repare, o Hospital do Barreiro tem áreas de diferenciação muito importantes, tem radioterapia, tem oncologia, tem um projecto de cirurgia ambulatória, tem muita coisa, que está, diga-se, entre aspas, pendurada e não sabe o que vai acontecer.
Há muitas hipóteses. E, há uma que me preocupa, particularmente, que é a eventual possibilidade deste Hospital poder vir a ser, como lhe hei-de dizer, um complemento, num contexto um bocadinho mais economicista de não construir o Hospital do Seixal.
Portanto, ser o Hospital do Barreiro, pela disponibilidade de camas que tem, porque o Hospital do Barreiro tem muita disponibilidade de camas…”

São cerca de 50 camas disponíveis, pelo que dizem ?

“Não. O Hospital do Barreiro pratica neste momento uma lotação de 376 camas, significativamente mais baixa do que a que praticou há uns anos atrás, que era de 450 camas.
O Hospital do Barreiro praticou durante anos uma lotação de 450, depois baixou para 420, depois para 380 e, agora, baixou para 360 camas, o que significa, se contarmos com as camas que todos os dias ficam vagas, desta lotação oficial.
Posso dizer-lhe que em média, por dia, estão entre 50 e 100 camas vagas no Hospital, então, há muita cama disponível para acomodar um conjunto de coisas que possam estar, insuficientes nos outros Hospitais.
Aliás, havia um projecto que foi apresentado à tutela em 2001 e, curiosamente, quando o Professor Correia de Campos, era Ministro da Saúde, o Hospital propôs-se a absorver uma área de mais 57 mil habitantes, do concelho de Sesimbra e de uma parte do concelho do Seixal, justamente, porque entendia que teria espaço para acomodar essa população.
Ora, o que se receia aqui, é que se tenha decidido já colocar as valências mais diferenciadas, nos outros dois Hospitais, de Almada e Setúbal e que este sirva…”

De retaguarda dos outros ?

“Eu não lhe chamaria de retaguarda, esse não é bem o termo.
Sabe, há um estudo feito pelo Professor Daniel Bessa, que foi publicado há algum tempo, que, justamente, para esta área, aconselhava não construir um novo Hospital no Seixal e reforçava o Garcia Orta com mais 150 camas, ditas técnicas.
Isto significa que, as camas técnicas são camas com investimento tecnológico, camas para valências diferenciadas, ora se, se reforça aquele, não pode haver nos três. Não pode haver tudo nos três.”

Iria sair do Barreiro o quê? Oncologia?

“Oncologia não, mas outras especialidades poderão. Podem.
Nós queremos saber isso, estamos preocupados.
A ideia é tentar, no fundo, perceber o que se está a passar primeiro, depois perceber-se o projecto que eventualmente se está a delinear, se é adequado, ou não, àquilo que a comunidade e a região precisam.
Repare, a nova centralidade da Península de Setúbal não é Almada, é justamente esta, o Barreiro.
As zonas viárias são aqui, as zonas de facilidade de acesso são aqui, o comboio está aqui, o Metro do Sul Tejo vem para aqui, a nova ponte vem para cá, portanto, não é Almada que é a centralidade da Península de Setúbal, esta zona é que é a centralidade.”

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção