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Padre José Manuel – Pároco Igreja Nº Srª do Rosário“Barreiro tem sido marcado por muitas situações de injustiça”

“Esta festa está no coração deste povo, e tem marcado a sua vida”. É desta forma que o Padre José Manuel classifica a importância das festas dedicadas à Senhora do Rosário.

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Padre José Manuel – Pároco Igreja Nº Srª do Rosário “Barreiro tem sido marcado por muitas situações de injustiça”

Por Jornal Rostos

Foi num pequeno intervalo de tempo que o “Rostos” conversou com o Padre José Manuel, sobre umas das mais antigas festividades religiosas do distrito, ligadas ao rio e à vida dos pescadores.

É uma tradição muitíssimo fecunda

Como se explica esta devoção do Barreiro a Nossa Senhora do Rosário?
“A Igreja de Nossa Senhora do Rosário presta culto durante ao longo do ano, na imagem em si, ela que é a nossa senhora de todas as rainhas e de todas as mães, sobretudo venerada no Barreiro.
A pequena imagem que aqui temos, original, é uma relíquia muito importante, não só pelo seu valor material, mas também pelo seu valor espiritual. Diz-se que chegou cá quando viajava transportada por pescadores de Lisboa em direcção ao Rosarinho, mas devido a uma tempestade, acabou por vir dar ao Barreiro, tendo sido acolhida na então pequena ermida de S. Roque. Daí este ano celebrar uma missa dedicada a S. Roque.
Desde essa altura, foi criada uma grande devoção a Nossa Senhora do Rosário, que tem proporcionado diversos milagres e graças. Prova disso são os ex-votos que se encontram na nossa sala-museu e que compravam o agradecimento destas gentes pelas graças concedidas.
Trata-se de um culto já com muitos anos e é uma tradição muitíssimo fecunda, pelo que hoje seria impensável não realizarmos as festas, quer para a igreja quer mesmo para o Barreiro.

Marcar a vida das pessoas

E hoje, a fé é igual ao que era há alguns anos atrás?
“Nossa Senhora do Rosário continua a marcar a vida das pessoas, sobretudo aqui no Barreiro e quando as pessoas se deslocam a esta igreja sentem-se acolhidas neste espaço.
O Barreiro tem sido marcado por muitas situações de injustiça e por isso estas são pessoas ligadas à fé. Mesmo já não sendo uma terra de pescadores, a fé mantém-se e manifesta-se sobretudo nas pessoas simples. Não são os letrados, juízes ou quadros superiores que professam essa fé muito nobre.
As pessoas são marcadas por pequenos acontecimentos da vida, e recebemos aqui pessoas muito massacradas pela vida, com muitos e diversos problemas e de todas as idades, mas a Nossa Senhora nunca deixou de olhar por eles e isso manifesta-se na fé que lhe é professada.”

Barreiro tem sido marcado por muitas situações de injustiça

Em tempos de dificuldade, há uma tendência para o ressuscitar da fé. Verifica isso nesta paróquia?
“Devido à situação de crise se sente, as pessoas manifestam-se numa alegria maior de partilha uns com os outros. Do pouco que ainda têm, conseguem partilhar, algo que os ricos já não fazem, porque estão isolados daquilo que a igreja propõe, do encontro com Cristo. Já as pessoas mais humildes procuram transformar a sua própria vida. E o Barreiro tem sido marcado por muitas situações de injustiça, e infelizmente, isso tem acontecido cada vez mais, afectando muitas famílias na sua situação económica, embora isso também aconteça a nível nacional e mesmo internacional, mas estas não deixam de ter a sua beleza e alegria na relação com os outros.
Penso que a igreja deve olhar para estas situações mais concretas, porque precisamos de nos lembrar que as procissões nascem porque as pessoas querem agradecer as graças concedidas e não estão aqui apenas para verem os andores passar, mas para participarem, desde os mais jovens, das fraternidades, etc.
E por isso é que todos podem pegar nos andores nesta nossa procissão. Houve a ideia de se fazer transportar os andores pelas carrinhas dos bombeiros, mas eu não achei bem, porque as pessoas estão empenhadas em participar nesta acção, porque querem ser tocadas pela Divindade.
Outro aspecto que verificamos, é a presença de muitos emigrantes que regressam nesta altura para participarem nestas festas da sua terra, marcando aqui presença porque o Barreiro é sempre nosso.”

Maria do Carmo Torres

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