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Regina Janeiro, Vereadora da Câmara Municipal do Barreiro“O Barreiro é uma cidade onde as pessoas têm opinião própria, onde as pessoas têm sentido critico”

Regina Janeiro, filha de Operário da MAGUE. Licenciada em Psicologia. Mãe de dois filhos (gémeos – Diogo e Tiago, de 6 anos).
É do signo Balança. “Não acredito mas leio sempre, quando tenho tempo. Não faço disso o meu guia” - salienta.
Recorda o tempo em que trabalhou com Jerónimo de Sousa – “Ele é uma excelente pessoa, com um coração tamanho do mundo.”
“Costumo dizer que eu sou a soma de todas as partes da minha vida. Não houve nada na minha vida que não interferisse naquilo que eu hoje sou” – sublinhou ao “Rostos” Regina Janeiro.

20 min de leitura
Regina Janeiro, Vereadora da Câmara Municipal do Barreiro “O Barreiro é uma cidade onde as pessoas têm opinião própria, onde as pessoas têm sentido critico”

Por Jornal Rostos

Nasceu em Viseu, terra natal de sua mãe, no dia 21 de Outubro de 1971. Seu pai é natural de Alverca.
“Nasci em Viseu, quase por acidente, foi no meio de umas férias. Vim de lá com dez dias.” – refere ao começar este nosso diálogo que teve como ponto de partida a pergunta: “Quem é Regina Janeiro?”
“A terra onde mais vivi foi em Alverca, concelho de Vila Franca de Xira” - sublinha.
Em Alverca frequentou o Ensino Primário, o Unificado e o complementar. Seu pai era Operário na MAGUE, um opositor ao regime deposto com o 25 de Abril.
Recorda Regina Janeiro que, na sua casa, em 1973, depois de uma greve na MAGUE, à qual seu pai aderiu, a PIDE vasculhou a casa em busca de “material proibido”.
“A única associação politica que poderia ser feita era um livro que a minha mãe estava a ler, “A Mãe”, do Gorki. Sei que eles revistaram a casa toda, a única coisa que não revistaram foi o meu berço, onde minha mãe tinha escondido aquele livro” – refere, com um sorriso cúmplice no seu olhar.

Recordação do Parque Infantil

“Da minha infância não recordo nada de mal. Acho que foi muito bom. Fui a primeira filha, a primeira neta, fui muito bem estimada e mimada.
Tenho muito boas recordações de toda a minha infância.
Vivia numa rua que, penso, hoje é difícil existir. Tinha um Parque Infantil feito pelos moradores, no pós 25 de Abril. Um Parque Infantil feito à mão.
Eu achava o meu pai muito importante porque tinha construído um Parque Infantil.
Recordo a construção do Parque Infantil.
Recordo que podia brincar na rua, desde muito pequena, coisa que hoje é mais difícil. Falo por mim porque tenho dois filhos e não consigo deixá-los sozinhos na rua.
Comecei a andar de bicicleta tinha cinco anos. Aprendi a jogar ao peão, ao berlinde.
Aprendi a costurar a roupa para as minhas bonecas.
Aprendi a fazer ponto cruz, a bordar, aprendi todas as coisas que os avós podem ensinar.” – salienta Regina Janeiro, sentindo-se emoção nas suas palavras ao mesmo tempo que recorda esses tempos de criança.

Foi um tempo diferente

Seu pai e mãe foram militantes do PCP no pós 25 de Abril.
“Mas, o meu pai era um opositor do regime antes do 25 de Abril.” – sublinha.
“Os meus pais eram os dois militantes, tinham actividade partidária e, enquanto eles tinham reuniões eu frequentava “Os Pioneiros”, onde tinha as minhas iniciativas e os meus amigos” – refere.
“Nos Pioneiros promovia-se o convívio, a solidariedade. Acho que foi um tempo diferente. Na altura eu não consegui perceber que o tempo era diferente.
Hoje olho para trás e acho que se vivia com muita euforia.
Lembro-me de passar noites inteiras a fazer bolos, para o Bar do Partido, com a finalidade de recolha de fundos.
Recordo de irmos colar cartazes até muito tarde e a minha mãe falar com o meu pai que era muito tarde e eu continuava acordada, quando devia estar na cama.” – nota-se um sorriso enorme no seu olhar ao recordar este tempos.
“Havia uma grande amizade entre todos nós da mesma idade. Eu nunca senti a ausência dos meus pais. Acho que os mais velhos sentiram mais a ausência dos pais, mas eu era muito menina, por isso ia com os meus pais para todo lado. Eles estavam sempre presentes.” – salienta Regina Janeiro.

A atleta de velocidade

“Pratiquei desporto de forma organizada, pela primeira vez, teria os meus 9 ou 10 anos. Foi Atletismo.” – refere.
Perguntamos se conquistou medalhas. Responde com um grande sorriso – “ Conquistei. Eu já era alta e corria bem, principalmente nas provas de velocidade. Ainda hoje, está lá pintado, na rua dos meus pais, o logótipo do clube – Casal Moinho de Vento. Era um clube de Atletismo de rua.”

A Escola dos afectos

“Na Escola não me recordo de ter dificuldades. Era uma boa aluna.
A Escola Primária é um jogo de afectos, continuo a pensar isso, lembro-me das minhas duas professoras da Escola Primária – a Margarida e a Ana Paula.
Mantínhamos uma relação muito saudável, era uma relação pura e bonita” – sublinha.

A dirigente estudantil

Entrou para a Escola Secundária e o seu irmão quis fazer uma lista para a Associação de Estudantes.
Tinha 14 anos. “Tinha vontade de fazer coisas e já fazia coisas.” – salienta.
“A Lista B ganhou as eleições e passado pouco tempo entrei para a JCP.
Primeiro pertenci à Associação de Estudantes e depois é que fui militante da Juventude Comunista” - recorda.

A luta contra a PGA

“Na Associação de Estudantes travei uma das lutas politicas mais interessantes, recordo que em dois meses caíam três ministros da Educação.
Foi uma luta mesmo a sério acabámos com a PGA – Prova Geral de Acesso.
Foi o ano em que houve três ou quatro erros na construção da prova que levou ao fim dessa prova.
Foi uma altura em levámos uns abanões da Polícia, em plena 5 de Outubro.
Eu era Presidente da Associação de Estudantes e ia à frente das manifestações.
A luta contra a PGA dizia respeito a toda a gente.” – salienta Regina Janeiro.
“Eu senti muito naquela PGA. Tive 68% o que fez que eu não entrasse para Psicologia por 0.2%. Isso foi para mim muito marcante.
Não só a injustiça que eu achava e continuo a achar, que havia no acesso ao Ensino Superior.” – sublinha.

O primeiro trabalho

Vamos conversando. Percorrendo os dias de uma vida.
“Eu jogava andebol. Trabalhava. Comecei a trabalhar desde os 15 anos, nos ATL’s, nos OTJ’s.
Queria ganhar dinheiro para não ter que pedir para as minhas coisas.” - refere
Pertencia à Comissão Municipal de Juventude de Vila Franca de Xira. Esta autarquia tinha um Pelouro da Juventude.
“Deve ter sido a primeira a nível nacional a comemorar o Dia da Juventude.
Na altura fez um projecto, com os jovens de dinamizar alguns espaços de juventude.
Na Piscina de Vila Franca, para onde eu fui trabalhar, tínhamos quinze jovens que garantiam as tarefas de funcionamento da Piscina, desde limpeza. Fui convidada a coordenar esse grupo de 15 jovens.
Recebi, a partir deste momento o meu primeiro dinheiro, acho que quando recebemos o primeiro dinheiro a gente já dificilmente gosta de voltar a pedir dinheiro.
Sentimo-nos emancipados, independentes. A partir daí resolvi sempre trabalhar. Isso nunca colidiu com o horário da escola. Nunca prejudiquei a Escola.” – recorda.

A opção Universitária.

Desde cedo praticou desporto - Atletismo e Andebol, pelo que sentia apetência pela área do desporto.
“O meu pai foi ciclista ( integrou a equipa do GAC da Baixa da Banheira, na Volta a Portugal, o meu irmão foi ciclista profissional ( integrou a equipa do Sporting Clube de Portugal, a última equipa foi do Tavira).” – refere.
“Eu queria ir para Desporto. Tinha que ir para Lisboa e a minha mãe não deixou.
Fiquei em Alverca e no 10º ano tive o contacto com a Psicologia, e, a partir dai ficou definida a minha opção pela Psicologia.” – salienta.
Na Universidade Lusófona, em Psicologia, frequentou o “Cursos das Organizações e do Trabalho.”

Acreditar num projecto

Afastada pela PGA de entrar na Faculdade, após ter concluído o Secundário, refere que – “Como não entrei no primeiro ano para a Universidade fui trabalhar para a JCP, como funcionária da JCP.
A minha vida foi sempre muito ligada ao Partido.
Fui para funcionária da JCP porque sentia que ia fazer aquilo que gostava, lutar por sociedade mais justa e por acreditar num projecto.
Achei que na JCP podia dar o meu contributo.
Sempre estive organizada.
Sempre tive o meu colectivo de discussão, de debate político.” – salienta, colocando convicção forte nas suas palavras.

Choque de mentalidades

No segundo ano optou pela matrícula na Universidade Privada, na Lusófona.
“Os primeiros meses foram muito complicados. Eu vinha de um meio de grande discussão política e ideológica. Era funcionária da JCP, era esse o meu trabalho.
Chego a uma Universidade Privada, onde as pessoas tinham um nível de vida bastante elevado, cujas preocupações não passavam por querer construir um sociedade mais justa.
O primeiro confronto não foi bom. Não gostei, não me identifiquei. Não me sentia bem.” - recorda

Entre a teoria e a prática

“No primeiro ano eram cadeiras muito teóricas, muito chatas. Eu era uma pessoa dinâmica, com uma vida activa e tudo aquilo fez-me alguma confusão.
Na medida em que fui avançando no Curso, fui tendo cadeiras mais práticas, com as quais eu mais me identificava.
Matemática era uma cadeira que eu gostava, assim como “Dinâmica de Grupo” e “Psicologia Social”, estas eram as cadeiras que mais me atraíam. Sempre gostei de “Ciências do Comportamento” – salienta Regina Janeiro.

Instrumentos para trabalhar.

“O Curso Universitário deu-me instrumentos para trabalhar.
O mais importante que aprendi na Universidade foi saber ir à procura de informação. Saber encontrar a informação que se pretende.
Se eu tivesse ficado a exercer Psicologia optaria por “Diagnóstico Organizacional” e “Comunicação”, são as áreas com as quais me identifico.” – sublinha Regina

Uma escola de vida

Regina Janeiro, depois de funcionária da JCP, passou a exercer funções de funcionária no PCP, encontrava-se no 3º Ano da Faculdade.
Na brincadeira comentamos – “Chegou ao 3º ano na Faculdade foi promovida para o partido”. Sorri com uma gargalhada.
Refere que integrou o DEP–Departamento de Propaganda, na sede central do PCP, na Rua Soeiro Pereira Gomes.
Perguntamos se é difícil trabalhar no PCP - “Não é difícil trabalhar no PCP. Os comunistas, normalmente, são sempre boas pessoas.
A minha experiência de trabalho no PCP foi muito importante, como escola de vida. Aprendi muito sobre a vida.”

Trabalhar com Jerónimo de Sousa

“Tive uma experiência muito importante, na primeira Campanha que Jerónimo de Sousa foi candidato à Presidência da República.
Fiz parte do Gabinete de Campanha.
Foi uma experiência que me deu um grande crescimento pessoal.
Trabalhei com Jerónimo de Sousa directamente. Ele é uma excelente pessoa, com um coração tamanho do mundo.
É um homem muito íntegro. Muito caloroso. Um homem que ajuda a procurar soluções, a construir soluções. Ouve com muita atenção.
Gostei muito, muito, de trabalhar com ele.” – salienta, notando-se o entusiasmo com que fala ao recordar esta experiência.

Trabalhar com Luís Sá

“Depois fui trabalhar com Luís Sá para as autarquias, na campanha de 1997.
Fiz a Campanha das Autárquicas na Soeiro.
Luís Sá marcou-me como politico, pela confiança que depositou sempre em mim.
Ele confiava nas pessoas que estavam no Gabinete e obrigava-nos a pensar, a encontrar soluções, perante as questões mais adversas, a irmos à procura da informação.” – salienta Regina Janeiro.

A experiência de Évora

Em 1998 foi para Évora. Uma nova experiência de vida. Um novo mundo. Refira-se, foi neste cidade que nasceram os seus filhos.
“Sabe, foi o deixar de trabalhar, num meio em toda a gente se trata por tu, tem opções ideológicas e políticas comuns, onde, se quisermos é quase uma grande família e passar a trabalhar numa grande estrutura como é uma Câmara, com cerca de 600 trabalhadores.
Para quem acaba de sair de uma Universidade, e de funcionária do PCP, aquela era uma grande, grande organização.
Ir trabalhar com uma pessoa que sabia muito, que já não era muito jovem, Abílio Fernandes, tinha 60 anos.
Ele, nunca tinha tido nenhuma mulher a trabalhar com ele e muito menos uma mulher tão jovem.
Foi um processo de criar cumplicidades que, acho decorreu muito bem, porque Abílio, rapidamente depositou muita confiança em mim e as coisas resultaram muito bem, em relação à Câmara e à estrutura da Câmara.” – refere Regina Janeiro.
“Ao princípio não foi muito fácil, perceber tantos mecanismos, com tantas pessoas, tantos Departamentos, tantas Divisões, com muita burocracia e muitos papeis a circular.
Não percebia muito bem como estas coisas fluíam, porque desde a ideia à concretização da ideia, os tempos necessários, eram muitos e eu não percebia, porque, de facto, no meu passado profissional as coisas tinha sido sempre muito mais simples.” – salienta.

Conhecer as caras das pessoas

“Évora é uma cidade que é preciso entender. Em Évora toda a gente se conhece. De principio isso assustou-me.
Fui trabalhar directamente com Abílio Fernandes, estava na rua todos os dias com ele, fui muito rapidamente conhecida pela população.
O Abílio, ainda hoje, o tratam por Presidente. Ele foi Presidente durante 27 anos.
Fui conhecida rapidamente. Isso intimidou-me. Depois aprendi a viver com as vantagens disso, porque, na verdade, todos os dias aprendi a perceber as vantagens de cumprimentar muitas pessoas, de conhecer as suas caras, de falar directamente com as muitas pessoas para quem trabalhamos. Nós estamos a programar trabalho e sabemos as caras para quem trabalhamos.” – recorda.

Visão de Cidade

“Costumo dizer que eu sou a soma de todas as partes da minha vida. Não houve nada na minha vida que não interferisse naquilo que eu hoje sou.
Évora foi a minha primeira experiência não posso dizer autárquica ( já tinha sido eleita na Assembleia Municipal de Vila Franca) em termos de trabalho.
Sabe, perceber como uma Câmara funciona a partir do Gabinete de Presidência, permite ter uma visão muito ampla do funcionamento de uma cidade.
Normalmente, quando se está só num sector acaba por não ter essa visão do conjunto, porque nos preocupamos muito com a área que estamos envolvidos” – sublinha, acrescentando - “O Abílio Fernandes foi para mim uma grande exemplo e escola de honestidade.”

A experiência da Moita

O PS conquistou a Câmara de Évora. A perda das eleições, pela CDU, fez que Regina Janeiro deixasse para trás aquela cidade, onde deixou amigos e recordações da Festa de S. João. Afinal esta é a terra dos seus filhos.
“Vim para a Moita. Na Moita foi mais simples. Vivia em Alverca e trabalhava na Moita.
A minha integração na Câmara Municipal da Moita foi muito fácil. Trabalhei com o Presidente João Lobo.
Ele era Presidente há um mês, nunca tinha tido essa experiência. Tinha sido Vereador do Urbanismo. Teria, talvez, uma visão mais restrita do fazer cidade.
Eu acabei de chegar. João Lobo é uma pessoa acessível, com quem é muito fácil conversar, trocar ideias. Confia nas pessoas que tem à volta dele, ausculta e ouve quem está à sua volta.” – refere, acrescentando – “A Câmara da Moita, na minha opinião, é muito bem organizada, actualizada, com muitos quadros jovens na Direcção da Câmara.
Foi muito fácil para mim trabalhar na Moita.”
Regina Janeiro salienta que “tenho muitos amigos na Moita, mantenho uma relação muito forte com a Moita e guardo muito boas recordações da Moita.”

Recuperar a Câmara do Barreiro

Porque foi escolhida como candidata no Barreiro? – perguntámos. Remeteu a resposta para o Partido. Refere que foi convidada pelo responsável Concelhio, Nuno Costa, com quem tinha, em tempos, integrado a Direcção Nacional da JCP.
“Mas acho que foi uma decisão do colectivo” – sublinha.
Vive no Barreiro há três anos. Trabalhava na Moita e optou por viver no Barreiro.
“Sabe, há certos concelhos com os quais os comunistas se identificam, Évora, Barreiro, Loures, Vila Franca, Grândola, Marinha Grande, são uma série de concelhos que aos comunistas dizem muito, porque foram terras de resistência, de luta.
O Barreiro era a cidade operária, foi sempre uma referência, em termos de formação politica, uma grande lição de resistência.
Eu vivia no Barreiro e tinha dificuldades em aceitar que tínhamos perdido a Câmara.
Não posso deixar de dizer que a decisão de aceitar o convite tinha, por um lado, por o cabeça de lista ser quem era e, também, o facto de o meu partido entender que eu poderia contribuir para a vitória.
Era importante essa vitória. Isso era importante para mim, era importante recuperar a Câmara Municipal do Barreiro.” – salienta Regina Janeiro, acrescentando – “Sabe, a pessoa que liderava a equipa era uma pessoa em que eu confiava, quer politicamente, quer pessoalmente, para além de todo o respeito politico que tinha por ele, tenho uma grande consideração individual.
Se o Partido achava que eu podia ajudar a construir essa vitória e ajudar a construir a cidade, por tudo isso resolvi aceitar o convite de ser candidata.”

Campanha eleitoral tão bonita

“Fizemos a Campanha mais linda do mundo, conversámos com milhares de pessoas e isso foi muito, muito bom.
Foi muito marcante. Nunca fiz uma campanha eleitoral tão bonita, de contacto directo com as pessoas, de ir mesmo falar com as pessoas.
Ouvir e querer estar com elas” - sublinha.

O Barreiro uma cidade bonita

Que descobriu nesse contacto com o Barreiro? - perguntámos
“Eu vim viver para o Barreiro por alguma razão. Morava em Alverca e trabalhava na Moita e quis vir viver para o Barreiro.
Eu acho o Barreiro uma cidade bonita. Não digo isto com falsidade, é mesmo o que eu sinto, custa-me ouvir, quando as pessoas cá vivem não sei há quantos anos, ou são de cá, e dizem que o Barreiro é feio.
Eu não acho. Acho que nós temos uma relação muito bonita com o rio.
Acho o Barreiro muito bonito. O meu primeiro fascínio pelo Barreiro tem a ver com a relação com o rio, a proximidade da cidade ao rio.
Vivo na zona central e estou muito perto do rio.
Depois gosto muito das pessoas. Sinto muito que o Barreiro é uma cidade grande mas aqui toda a gente se conhece. No Barreiro as pessoas são muito afáveis, são muito comunicativas.” – salienta com entusiasmo.

Um degrau de cada vez

Regina Janeiro, foi eleita Vereadora da Câmara Municipal do Barreiro, sendo responsável pela área Cultural, Desporto, Educação, Juventude, Movimento Associativo, Assuntos Sociais.
Como sente o trabalho que está a realizar? – perguntámos.
“A minha procura todos os dias é subir um degrau de cada vez, com muita calma e segurança.
Não saltar fases. Respeitar o que existe. Querer conhecer todos os dias o que existe.
Obviamente que existem constrangimentos que dificultam a actuação.
As dificuldades financeiras não podem ser descuradas, não podem ser, porque sentimos no dia a dia as coisas que não podemos fazer, ou as coisas que gostaríamos de fazer de forma diferente.
Por isso, temos que ser criativos e tentar atingir o mesmo objectivo mas com menos dinheiro.
Este é um estrangulamento que custa, mas é a realidade com que temos que trabalhar, é assim que temos que continuar a fazer as coisas.” – sublinha

Construir com as pessoas

“Por vezes pensamos que o ideal é fazer aquilo, mas não o vamos fazer sem olhar a meios.
Todos os dias temos preocupações, pensar onde é que se pode poupar meios, onde é que se pode cortar mais.
Como é que é possível não gastar tanto, esse é que é, digamos, o grande constrangimento de todos os dias.
Depois procuramos, todos os dias, tentar construir com as pessoas que estão à nossa volta, com o Movimento Associativo, com os Professores, com os Agrupamentos, discutir com as pessoas, falar muito com as pessoas.
Falar é fundamental, mas fundamentalmente conseguir ouvir aquilo que têm para nos dizer e, também, às vezes, ouvir aquilo que não nos estão a dizer, aquilo que está nas entrelinhas e não se diz frontalmente.” – salienta Regina Janeiro.

Conhecer as opiniões sobre a cidade

“Sabe, é importante perceber as necessidades, os objectivos, as estratégias, as formas como as pessoas consideram que as coisas funcionariam melhor, as próprias opiniões que as pessoas têm sobre a cidade.
Sentir tudo isso está a ser muito interessante, é um exercício de disponibilidade física e mental muito grande, mas que está a ser para mim muito recompensador.
Conheci muita gente, já estive com muita gente, creio que fiz 190 a 200 atendimentos, até hoje, e estou a falar praticamente do Movimento Associativo e de pessoas ligadas às Artes e aos pelouros que eu coordeno.
Tenho feito reuniões mensais com os Presidentes dos Agrupamentos, com quem, no essencial o ano lectivo foi construído, foi tudo feito em conjunto, na procura de soluções à volta da mesa, onde as opiniões por mais que sejam divergentes é sempre possível encontrar pontos de encontro.
Por isso, digo-lhe, que tudo isto está a ser muito agradável.” – salientou.

Dar mais visibilidade à cidade

“O Movimento Associativo riquíssimo que nós temos, no Barreiro, de todos os tipos de Movimento Associativo nós temos na nossa cidade e no concelho.
No próprio desporto, o número de clubes que praticam desporto, a importância que todos nós damos aos desporto.
Considero que é importante tentar dar mais visibilidade às muitas coisas que se fazem na nossa cidade.” – salientou.

Apoio dos investidores

“Nas Festas do Barreiro nós sabermos que não tínhamos condições financeiras para as fazer, então, fomos à procura de investidores do concelho e sentirmos que eles estiveram ao nosso lado e prontificaram-se a ajudar e construir estas Festas do Barreiro, acho que tem foi um grande enriquecimento, quer para actividade que desenvolvemos, quer também ao nível pessoal.” – salientou.

Uma cidade com opinião

Que sentimento tem hoje da cidade? É uma cidade conflituosa? È uma cidade criadora? – perguntámos
“O Barreiro é uma cidade onde as pessoas têm opinião própria, onde as pessoas têm sentido critico, sabem onde estão e sabem para onde querem ir, e, pessoalmente, acho que isso é típico das cidades onde se incentiva a cultura, uma cidade onde há conhecimento. As pessoas questionam sobre as coisas e querem participar”.

Fazer a cidade

Quando desenvolve a sua actividade tem preocupações apenas partidárias ou preocupações de cidadania?
“Tenho preocupações políticas, de promover politicas, de fazer a cidade. Não são preocupações de ordem partidária.
Naturalmente, sou militante de um partido, o Partido Comunista Português, e essa realidade faz com que eu tenha opções filosóficas e ideológicas.
No dia a dia o meu trabalho é feito com base naquilo em que eu acredito, no que considero que é o mais justo.”
Encontra estigmas nos vários agentes com quem contacta pelo facto de ser comunista?
“Eu acho que não. Nunca senti isso. Já senti isso em outras coisas na minha vida. A minha família tem origem em Viseu.”

Mais emprego para o Barreiro

Qual o seu sonho para o Barreiro?
“Gostava que o Barreiro tivesse mais emprego. Que as pessoas do Barreiro não tivessem que ir para Lisboa trabalhar, que pudessem viver mais na sua cidade e participar mais activamente na vida do Barreiro.
Que as pessoas do Barreiro tivessem tempo para ter opinião sobre o Barreiro e que pudessem dar o seu contributo na sua construção.
O que gostava é que o Barreiro, fundamentalmente, tivesse era mais emprego, mais emprego para as pessoas ficarem cá e viverem na cidade”.

Uma sociedade mais justa

Nunca teve dúvidas em ser comunista, com os conflitos mundiais, com as quedas dos muros?
“Não, de ser comunista não.”
O que é ser comunista hoje para si?
“É acreditar todos os dias que é possível haver uma sociedade mais justa. Pode considerar uma resposta muito vaga, mas é isso que sinto, achar que estou, todos os dias, a contribuir para que esta sociedade seja menos injusta.
Fazendo isso, todos os dias, com as mais pequenas atitudes, com aquilo que eu acho que é justo, procurar construir uma sociedade mais justa”.

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