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PS Setúbal - Barreiro“Não é o Governo que cria os Partidos, são os Partidos que criam o Governo”
- salientou Vítor Ramalho

. Vítor Ramalho expõe pintura na Secção PS do Lavradio - Barreiro

“A solidariedade não é subserviente, a solidariedade é frontal, é aberta, e os militantes do Partido Socialista devem se habituar a ter este tipo de raciocínio e esta forma de agir” – salientou Vítor Ramalho, numa breve conversa com “Rostos”.

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PS Setúbal - Barreiro “Não é o Governo que cria os Partidos, são os Partidos que criam o Governo” - salientou Vítor Ramalho

Por S.P.

O líder distrital de Setúbal do Partido Socialista referiu as suas preocupações sobre o próximo Congresso do Partido Socialista e considera fundamental que seja feito o debate de ideias.

Vítor Ramalho, Presidente da Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista, apresenta oito quadros, numa exposição de pintura que pode ser visitada na sede da Secção do Lavradio do Partido Socialista.
A propósito desta exposição, numa breve conversa Vítor Ramalho, referiu ao “Rostos” o seu interesse pela pintura e, na circunstância, algumas das suas inquietações sobre o debate de ideias no interior do seu partido, em vésperas de realização de um Congresso.

Um apelo muito grande à pintura

Que significa esta exposição?

“É um hobby. É uma brincadeira. Nos momentos em que a pessoa se quer expandir, por interiormente ter necessidade de o fazer, há um apelo muito grande à pintura.
Como lhe disse é um hobby. Não andei em nenhuma escola de pintura. Fui pintando desde os anos 80, às vezes com maior intensidade, outras vezes com menos, e, nos últimos dois anos, com muito menos intensidade, até porque não tenho tido disponibilidade.
Apesar de ser um hobby já fiz duas exposições individuais, em Galerias de amigos e participei em algumas colectivas.
Quando os camaradas do Lavradio, souberam que eu pintava, com gosto lhes disse que trazia os quadros e colaborava na realização de uma pequena exposição.”

Exteriorizar o conceito da própria beleza

Que pretende exteriorizar com este seu hobby?

“Como é óbvio, quando sinto essa necessidade, que é uma necessidade que lhe direi, é explosiva, interior, muito forte, o que eu pretendo sobretudo exteriorizar, é o conceito da própria beleza, as cores, a combinação das cores, porque a vida tem muito a ver com as cores.
Nasci em Angola. Eu vim muito cedo de África para cá, vim com 17 anos, mas fiquei marcado pela infância, pelo apelo de África, pelas cores de África e pela dimensão do território.
Tudo isso de alguma maneira fascinou-me sempre e essa transmissão da cor, da beleza, da profundidade, foi sempre uma marca que, de alguma maneira directa ou indirectamente, nos meus quadros está presente, ainda que, através do elemento feminino, que é, realmente, a beleza e uma marca característica daquilo que eu pinto.
Estão aqui apenas 8 quadros, tenho muitíssimos mais e esse elemento feminino e a cor estão sempre presentes.”

Os Partidos são os pilares do Governo

Falou de África. Acabei de ler o seu livro “A Dança do Fogo” e fiquei com uma sensação de actualidade, principalmente quando o personagem reflecte sobre a ausência de ideário. Acha que hoje, também, há essa falta?

“É interessante colocar-me essa pergunta, porque esse livro foi muito marcado pelo Congresso que o Partido Socialista teve, no tempo do Engenheiro Guterres, na EXPO.
Esse Congresso, a mim, tocou-me muito fundo pela negativa, porque foi um Congresso onde não houve um debate aprofundado de ideias.
Eu, que sou um velho militante, estava habituado àqueles Congressos acalorados, vivos, e, saí desse Congresso, com alguma sensação de que o Partido Socialista estaria condenado a prazo, do ponto de vista do suporte à governação. Infelizmente não me enganei.
E, nesse sentido, que me está a referir, tem razão, para mim, os pilares da democracia, são os Partidos. Quem elege os Governos são o povo português, mas através dos Partidos.
Os Partidos são os pilares do Governo. Não é o Governo que cria os Partidos, são os Partidos que criam o Governo.
Nesse sentido a ideologia é um aspecto determinante do Partido, que eu sinto necessidade e tenho procurado fazer valer esses princípios, para que o próximo Congresso do Partido Socialista não se afaste do debate de ideias e caminhe no reforço do ideário de esquerda, de um ideário de tolerância, de um ideário de solidariedade, tão indispensável, neste novo mundo de ausência de valores.”

O político que mais me marcou na vida

O livro transmitia o seu estado de espírito daquele tempo?

“Transmitia sinceramente. E, tem muitos aspectos que não sendo propriamente autobiográficos, porque não é, embora existam muitos aspectos que tenham a ver com percursos da minha vida, nomeadamente, em personalidades que lá invoco, como o Lucas, que é um homem angolano que privou comigo muitos anos.
Um homem de uma dimensão verdadeiramente invulgar, que me ensinou, de facto, muitíssimo.
Foi, talvez, o político que mais me marcou na vida, de todos os que eu conheci.
Eu quis transmitir também isso.
Há, ali, aspectos que ele reflecte que são rigorosamente verdadeiros, em termos de coragem, de determinação, sobretudo quando esteve preso em Angola, em situações difíceis. Eu, quis dar esse relato como um homem, em momentos desesperados, consegue manter alma.”

Preocupado com debate de ideias

Há dias no Diário de Noticias falava dessa situação da falava de ideário, tem essa preocupação hoje?

“Enorme. Enorme. Enorme. Acho que no próximo Congresso os militantes responsáveis, como eu me sinto que sou, em termos de Presidente de uma Federação, têm que alertar os militantes, para a necessidade de haver um forte debate de ideias, em solidariedade, claro está, porque isso é, digamos, o cimento que solidifica o partido e não o contrário.
A solidariedade não é subserviente, a solidariedade é frontal, é aberta, e os militantes do Partido Socialista devem se habituar a ter este tipo de raciocínio e esta forma de agir”.

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