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Catarina Marcelino – PS Mulheres Setúbal“Há um conjunto de condicionantes no Distrito de Setúbal que têm que ser melhoradas”

A questão dos transportes, na zona norte do Distrito de Setúbal, onde, há um movimento pendular, muito grande, de pessoas para Lisboa, é uma realidade que implica na vida dos homens e das mulheres.
A necessidade de existir uma estratégia concertada, que tenha em conta quem utiliza os transportes públicos, foi, um dos temas que animou o debate no Encontro com o tema - “Desenvolvimento Regional e a Dimensão do Género” – promovido Departamento de Mulheres Socialistas de Setúbal.

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Catarina Marcelino – PS Mulheres Setúbal “Há um conjunto de condicionantes no Distrito de Setúbal que têm que ser melhoradas”

Por Jornal Rostos

Para marcar o arranque da actividade do Departamento de Mulheres Socialistas de Setúbal, após as recentes eleições, aquela estrutura do Partido Socialista promoveu o Encontro “Desenvolvimento Regional e a Dimensão do Género”.
As actuais dirigentes do Departamento de Mulheres Socialistas de Setúbal, tomaram posse no dia 8 de Julho.
Catarina Marcelino, Presidente do Departamento das Mulheres Socialistas de Setúbal, referiu ao «Rostos» que “na altura decidimos não fazer uma sessão de posse, constituímos os órgãos de forma normal, mas, tínhamos decidido fazer um encontro que, no fundo, marcasse o início da nossa actividade.”

Debater a perspectiva social e a dimensão do género

Foi esse encontro que decorreu e sobre o qual conversámos com Catarina Marcelino, que fez um breve balanço desta iniciativa.
“Para a realização do Encontro, procurámos um tema que não fosse um tema tradicionalmente, daqueles temas de instituição, da vida privada para a pública, da vida das mulheres, da educação, a saúde, a acção social, apesar de serem temas importantíssimos, em termos de organização social, mas, de facto quisemos fazer uma coisa diferente, então trouxemos o tema do “Desenvolvimento Regional”, que na nossa opinião interessa muito ao Distrito de Setúbal, mas pensando-o não só na perspectiva económica, mas também, trazendo perspectiva social e a dimensão do género.” – referiu Catarina Marcelino, acrescentando – “ou seja, como é que a vida dos homens e das mulheres têm impacto no desenvolvimento, e como é que o desenvolvimento tem impacto na vida dos homens e das mulheres, que sã vidas diferentes, com necessidades especificas ma organização social, portanto, foi esta a lógica que enquadrou o Encontro.”

A igualdade não se faz só com as mulheres

“Procurámos, os oradores não por serem homens ou mulheres, mas por serem pessoas entendidas nestes assuntos.
Curiosamente, tivemos mais homens que mulheres, a falar, também isso é interessante porque a igualdade não se faz só com as mulheres, tem que ser feita com as mulheres e com os homens, portanto, ao por os homens a falar da igualdade de género, também estamos a trazer os homens à participação, nesta matéria o que é fundamental.” – sublinhou a dirigente socialista, acrescentando – “o público que participou também foi heterogéneo, passaram por lá mais de cem pessoas, durante a tarde, houve momentos com mais de 100 pessoas dentro da sala, o que foi extremamente positivo, se considerarmos que foi num sábado à tarde, e, sendo uma iniciativa partidária.”
Melhorar o trabalho das mulheres socialistas no Distrito

Em que medida é que este encontro contribuiu para melhorar o trabalho das mulheres socialistas no Distrito de Setúbal?

“Nós, pensamos que este encontro melhora o trabalho das mulheres socialistas no Distrito de Setúbal porque, não existia trabalho, não existia nada.
Este encontro demonstra perante o Partido Socialista e a comunidade que as mulheres socialistas, o seu Departamento, é um Departamento com capacidade de trabalho, é um Departamento afirmativo, e, um Departamento que pode contribuir, concretamente, para o desenvolvimento do Partido Socialista, dentro do Distrito de Setúbal.”

A vida do distrito influencia a vida dos homens e das mulheres

Qual a avaliação que foi feita da situação da mulher no Distrito de Setúbal? É uma mulher que intervém, ou não, na vida distrital?

“O encontro não tinha muito esse objectivo, ou seja, não era avaliar se as mulheres têm intervenção, ou não, no Distrito de Setúbal.
O encontro tinha sobretudo a ver com uma avaliação mais lata, de perceber como é que a vida do distrito influencia a vida dos homens e das mulheres, em relação aos transportes, em relação aos equipamentos sociais, em relação à própria economia.
O nosso objectivo não era avaliar como era a vida das mulheres no distrito face ao desenvolvimento, porque o encontro não era sobre as mulheres, era sobre as questões de género, que implicam homens e mulheres.”

Há condicionantes a alterar no Distrito de Setúbal

Com que ideia, então, se ficou do Distrito de Setúbal? É um Distrito com condições potenciais de desenvolvimento ou um Distrito onde há dificuldades?

“O Distrito de Setúbal um distrito com potencias de desenvolvimento muito grande.
É um Distrito onde as questões de desenvolvimento se prendem com as questões, sobejamente conhecidas: a questão do Porto de Sines, a questão da Autoeuropa, a questão da localização face a Lisboa da Península de Setúbal.
Agora, o que acontece é que, há um conjunto de condicionantes que o Distrito de Setúbal tem, que têm que ser melhoradas, face à vida das pessoas que aqui habitam, para que a produtividade e esse desenvolvimento seja maior.”

Estratégia concertada nos Transportes

Catarina Marcelino, salientou – “Dou-lhe o exemplo da questão dos transportes, como sabe, na zona norte do distrito há um movimento pendular, muito grande, de pessoas para Lisboa, as pessoas vão para Lisboa trabalhar, mas, onde investem os seus vencimentos é na margem sul.
Se não há uma preocupação com os transportes, e, como esses transportes implicam na vida dos homens e das mulheres que trabalham em Lisboa, e, também, se não há uma estratégia concertada, que tenha em conta quem utiliza os transportes públicos, nós, estamos a dificultar a vida dos homens e das mulheres e estamos a baixar os níveis de desenvolvimento e a baixar os níveis de produtividade.”

Transportes afectam a produtividade

Falta uma estratégia concertada de transportes para a Península de Setúbal?

“Para o norte da península, falta uma estratégia. Falta, nessa perspectiva, tendo em conta quem é que utiliza mais os transportes públicos são as mulheres, e, na verdade, as mulheres e os homens, que usam os transportes públicos, por outro lado, ainda têm um conjunto de actividades inerentes, ao seu papel social, com o levar os filhos à escola, e, de facto, se os transportes não têm boa qualidade e não têm boas condições, estão a prejudicar a produtividade das mulheres.
Com estas condicionantes, elas cansam-se mais, têm mais desgaste e quando chegam ao local de trabalho produzem menos.”

O Encontro foi muito positivo

Está satisfeita com o resultado do encontro?

“Estou muito satisfeita. Acho que foi muito positivo. Contámos com a presença de nomes de grande destaque, como João Ferreira do Amaral, economista, sobejamente conhecido, o Secretário de Estado do Ordenamento do Território, o Secretário de Estado das Autarquias Locais, a antiga Secretária de Estado da Igualdade, Maria do Céu Cunha Rego, a Edite Estrela, que é uma figura nacional do Partido Socialista e uma mulher, com cartas dadas nesta matéria da igualdade do género, é a Vice Presidente da Comissão da Igualdade no Parlamento Europeu, portanto, não estava cá como dirigente do Partido Socialista, mas também nesta vertente de ser especialista nesta matéria.”

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