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Francisco Fanhais no Barreiro“Hoje, ainda, continua o Cristianismo a ser uma força de libertação”

“Foi aqui, no Barreiro, que eu contactei com muita gente que não tendo como referencial o Cristianismo, tinha como opção a libertação do Homem” – salientou ao «Rostos» Francisco Fanhais, tendo acrescentado que – “Nesse tempo, aqui, aprendi que o essencial na vida é ser fiel aos explorados, àqueles que sofrem, àqueles que estão na mó de baixo.”

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Francisco Fanhais no Barreiro “Hoje, ainda, continua o Cristianismo a ser uma força de libertação”

Por Jornal Rostos

Francisco Fanhais, um nome que marcou gerações de barreirenses e uma voz que muitos portugueses guardam na memória e recordam, ainda hoje, sempre que sentem que “vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar”.
Fanhais marcou presença num jantar de solidariedade promovido pela PERSONA e, no final, numa breve conversa recordou, para «Rostos» a importância do Barreiro na sua formação como Cristão e como Homem.

O essencial na vida é ser fiel aos explorados

“O Barreiro marcou-me porque nos três anos que eu aqui vivi, descobri, ou melhor continuei a descoberta, que há problemas sócias para os quais um cristão tem que tentar dar uma resposta.
Os problemas sociais são as grandes diferenças que há entre quem trabalha e que dirige, eram assim nessa altura, não sei qual é a realidade de agora, entre os engenheiros e os operários.
Muitas vezes tive que optar, entre ser fiel à classe dirigente ou ao operariado.
Nesse tempo, aqui, aprendi que o essencial na vida é ser fiel aos explorados, àqueles que sofrem, àqueles que estão na mó de baixo.
Essa é a razão, por ter descoberto isso, aqui, no Barreiro, tendo sido chamado a responder a esse apelo, daqueles que são explorados, é essa a razão porque considero que os três anos que vivi no Barreiro foram decisivos na minha vida.” – salientou Francisco Fanhais.

Cristianismo como opção a libertação do Homem.

“O Cristianismo aprofundou-se na minha experiência do Barreiro, porque foi, para mim, uma interpelação muito forte.
Até aí eu vivia numa redoma, o meu Cristianismo era um Cristianismo um bocado de redoma.
Vivia sempre, ou quase sempre em contacto só com pessoas que viviam em contexto de Igreja, de Cristãos empenhados, mas, de facto, o meu contacto era quase nulo com gente que não tinha como referencial o Cristianismo.
Foi aqui, no Barreiro, que eu contactei com muita gente que não tendo como referencial o Cristianismo, tinha como opção a libertação do Homem.
Foi aqui que eu encontrei muitos companheiros que vindo de outros horizontes, de outros caminhos diferentes, queriam no fundo a mesma coisa que eu queria, e, ao querer a mesma coisa que eu queria, vindo de horizontes diferentes, eu, tomei-os, para mim próprio, companheiros da jornada dos objectivos que ambos procurávamos.” – referiu Fanhais, enquanto à nossa volta, aguardavam que a nossa breve conversa terminasse para um abraço de amizade e recordar tempos idos.
“Foi o Padre Fanhais que me baptizou” – dizia-nos uma jovem a caminhar para os 40 anos.

Cristianismo foi um caminho de resistência

Francisco Fanhais, salientou, na nossa conversa que, na sua vivência no Barreiro – “O Cristianismo foi um caminho de resistência. E, hoje ainda, o Cristianismo é mais uma razão para eu não me resignar, para eu resistir, mais uma razão para eu me empenhar na libertação do Homem. Hoje ainda continua o Cristianismo a ser uma força de libertação.”

Uma terra a qual eu estou e me sinto bastante ligado

“Esta noite significou para mim um acto de solidariedade com as pessoas e com a PERSONA, instituição que organizou esta iniciativa.
Significou também e muito um encontro com pessoas a quem eu devo pelo facto de se lembrarem dos tempos que eu aqui vivi e, por ser, fisicamente, geograficamente, uma terra a qual eu estou, e me sinto bastante ligado, por todas as razões que expus.” –referiu Francisco Fanhais.

Procuro continuar sempre, atento ao mundo

Francisco Fanhais actualmente está a viver no Alvito, no Alentejo.
“Agoira estou com um ritmo mais sossegado porque deixei de dar aulas, deixei de ser professor, estou retirado do Ensino.
Mas, procuro continuar sempre, atento ao mundo que me rodeia e a responder presente sempre que sou solicitado.” – sublinhou a finalizar o nosso brve diálogo.

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