Manuel Lopes, Presidente do Futebol Clube Barreirense“O Barreirense é um clube que tem condições para ter futuro”

Por Jornal Rostos
No dia em que se comemorava o 96º aniversário do Futebol Clube Barreirense, Manuel Lopes, presidente da Direcção, em conversa com o “Rostos” diz ter uma mensagem de esperança para os associados do clube, pois mesmo tendo em conta as dificuldades que atravessam o Barreirense, acredita que “O Barreirense é um clube que tem condições para ter futuro” porque, como justifica, continua a ter um património valioso, ainda que faça questão em sublinhar: “temos é de ser ponderados na forma como gerimos esse património”, ao que acrescenta: “de modo a que esse património nos assegure o futuro e não a sobrevivência durante dois ou três anos e depois acabarmos”.
Considerando o número de praticantes que passaram pelo Futebol Clube Barreirense ao longo dos noventa e seis anos, Manuel Lopes fala de uma ligação afectiva que marca “uma parte significativa da população do Barreiro pelo facto de terem praticado desporto no nosso clube” e também enquanto apoiantes e associados.
A respeito dos muitos jogadores que deram os primeiros passos na sua carreira no Barreirense e que depois acabaram por disputar a liga profissional, tornando-se reconhecidos a nível nacional e mesmo internacional, o presidente da Direcção refere: “O Barreirense é um clube basicamente de formação e quando se chega a um certo nível profissional não temos, infelizmente, possibilidades de manter esses atletas”.
“Todos estamos em grandes dificuldades”
Da actual situação do clube, Manuel Lopes não hesita em falar de uma crise, mas crise essa que, como salienta, afecta todos os clubes do distrito de Setúbal nos últimos anos: “Todos estamos em grandes dificuldades”. O que na sua opinião se prende com a debilidade económica do tecido empresarial do distrito, argumentando que há trinta anos atrás o distrito de Setúbal se destacava em termos industriais: “era a maior potência industrial”, situação que actualmente se inverteu, o que acaba, como considera, por se reflectir no quotidiano dos clubes e esse reflexo, como nos fala, toma visibilidade não só nas empresas que “são cada vez menos e mais débeis economicamente e têm menos possibilidade de apoiar os clubes”, como também nos municípios que não têm meios para apoiar os clubes e, também, como acrescenta: “os clubes não podem aumentar as suas cotas e acompanhar a inflação porque senão perdem associados”. Outra questão que pode contribuir para o aumento das dificuldades em que vivem os clubes desportivos é, segundo Manuel Lopes, a diminuição do trabalho de voluntariado que era prestado em outros tempos aos clubes e que tende a desaparecer, o que acarreta custos adicionais, ainda assim, não deixa de referir que existem ainda algumas dezenas de pessoas a trabalhar de forma gratuita e voluntária “e que pagam para trabalhar.”
“Tentarmos manter esta massa de jovens a praticar deporto”
A respeito do Futebol Clube Barreirense diz que nos últimos quatro, cinco anos tem sobrevivido à conta de venda de património, “o que não é aconselhável”, comenta. Chega mesmo a considerando esta situação como perigosa: “porque o património acaba por se esgotar”. Referindo que apesar de o Barreirense ser um clube com um “património bastante valioso”, há que ter cautela nestas questões e que a tendência deverá ser no sentido de continuar a reduzir as despesas. “Não temos outra hipótese”, declara. Estando o futuro do clube relacionado com essa cautela, para que “o resto do nosso património se dirija no sentido da construção de novo património e construção de novas infra-estruturas condignas que o clube necessita para a prática desportiva”, sendo esse o grande objectivo para assegurar o futuro do clube e para: “ tentarmos manter esta massa de jovens a praticar deporto, penso ser este o nosso papel essencial”.
Perda de receitas de 40% nos últimos quatro anos
Com uma perda de receitas do clube na ordem dos 40%, relativamente aos últimos quatro anos, Manuel Lopes fala na necessidade de se tomarem decisões que por vezes “não agradam”, insiste por isso na necessidade de haver ponderação mas também racionalidade na gestão do clube. Ainda a respeito da redução dos meios financeiros que suportavam as receitas correntes do clube, o presidente da Direcção em jeito de alusão compara a gestão que tem de ser feita no clube com a de uma casa familiar: “Se se tomasse uma decisão racional, que as pessoas também tem de tomar no seu equilíbrio financeiro familiar, se calhar não se teria 700 pessoas a praticar desporto, tinha de se ter só 300, teria eventualmente de se acabar com as equipas seniores”, o que não é uma vontade sua: “Vamos tentar manter todos os nossos jovens em actividade”, acrescentando: “e ter um pouquinho de esperança que esta situação económica do país e do nosso Concelho melhore, para que quer a autarquia, quer as nossas empresas tenham mais possibilidade de nos apoiar.”
Novo espaço desportivo lá para finais de 2008
A respeito de um novo espaço desportivo que considera primordial para o clube, diz contar que dentro de um ano e meio essa situação esteja resolvida, justificado o seu atraso com os processos burocráticos “que são sempre muito mais morosos do que aquilo que nós desejamos”.
“Vai ser muito difícil não descermos de divisão”
Já a eventual descida à 3ª Divisão da equipa sénior de futebol do Barreirense é uma situação que não é do seu agrado, ao que sublinha: “já há muito tempo que não passamos pela terceira divisão” mas acrescenta também que há muito tempo que o clube não vivia as condições económicas em que vive actualmente: “Pelo menos nos últimos 20 anos nunca teve condições económicas tão débeis em termos de receitas para despertar a sua actividade desportiva” e essa eventual descida acaba por ser, na sua opinião, “um pouco o reflexo disso”.
Ainda a respeito da descida do clube, diz que para acautelar o equilíbrio do clube têm de ser tomadas medidas que por vezes tem custos desportivos, “como está a acontecer neste momento” mas que não era uma situação esperada: “Tínhamos consciência de que a equipa tinha mais valor do que os resultados que acabou por alcançar”, acrescentando: “infelizmente os resultados acabaram por não aparecer e vai ser muito difícil não descermos de divisão”.
Andreia Lopes Gonçalves
O essencial para o clube é continuar com a formação, “o resto são decisões”
Outra situação a ser ponderada é a questão da manutenção da equipa de Basquetebol na Liga, “porque o clube vive desequilíbrios brutais”, fundamenta. Mas também diz que essas decisões e responsabilidades têm de ser assumidas colectivamente, “os sócios também têm de ser informados da realidade financeira que o clube atravessa”. E, independentemente do que possa acontecer, considera que o que é essencial para o clube é continuar com a formação, “o resto são decisões”. Mas também não deixa de referir que se está ainda a terminar um época e que “ainda falta muito para iniciar uma nova”, por isso ainda há questões que têm de ser analisadas antes de serem tomadas quaisquer decisões: “vamos ver os apoios que serão possíveis reunir e os problemas que temos de resolver”.
Andreia Lopes Gonçalves














