Juvenal Silvestre, Presidente da Junta de Freguesia de Coina“Felizmente já há quem consiga transmitir aquilo que pensa”

Por Jornal Rostos
. “Deve haver uma colaboração entre a Junta de Freguesia e a Câmara, para que os problemas que existam possam ser resolvidos com mais facilidade”
Juvenal Silvestre, presidente da Junta de Freguesia de Coina, numa pequena conversa com o “Rostos”, sublinhou a importância da “Semana de Coina”, iniciativa no âmbito do “Roteiro das Freguesias” da Câmara Municipal do Barreiro, considerando que a colaboração entre a junta de freguesia e a câmara municipal permite solucionar mais facilmente os problemas que existam, e que, por isso, a vinda da comitiva camarária à freguesia de Coina é vista como uma acção positiva e uma oportunidade para que as pessoas possam “expor os problemas que sentem no dia-a-dia”.
Referindo que, apesar de a Junta de Freguesia de Coina ser de um partido diferente da do executivo da Câmara Municipal do Barreiro, a grande questão para si é: “trabalhar em prole da população”, ao que acrescenta: “vamos fazendo as exigências como já fazíamos no mandato anterior”e isto para que “a população se sinta satisfeita”, sublinha.
“Limar as últimas arestas” da AUGI de Covas de Coina
Em relação à situação da AUGI de Covas de Coina, considera ser “um problema muito importante de ser resolvido”. A marcação de uma reunião entre a Associação de Proprietários e o vereador Joaquim Matias, com a presença dos técnicos da câmara e do engenheiro Rocha Pinto, responsável pelo projecto, é, no seu entender, um passo que considera importante para a resolução do problema, para “limar as últimas arestas”, afirma e também pelo facto de as pessoas sentirem que os seus problemas são ouvidos e resolvidos.
Obras feitas no âmbito da “Semana de Coina”
Juvenal Silvestre fez menção às pequenas obras realizadas nesta semana pela Câmara Municipal do Barreiro, atendendo assim aos pedidos da população e da junta de freguesia. Informou que na localidade do Alto da Malhada foi pintado o ordenamento do estacionamento das viaturas, que no Mercado foram feitas obras para a melhoria de condições: “os concessionários queixavam-se de que as pias para lavar o peixe eram relativamente pequenas” e foram reparadas algumas rupturas de água. Na Quinta da Areia procedeu-se a uma intervenção de limpeza, onde referiu que a junta de freguesia colaborou também com dois funcionários. Na zona verde junto ao Mercado foi colocada a rega automática e no parque infantil, em frente à Escola Básica 1ºCiclo de Coina, foram realizadas obras de beneficiação, o que também tinha sido solicitado pela junta, ao que Juvenal Silvestre explica: “porque o parque infantil apesar de amplo e de ter condições e brinquedos, simplesmente não tinha segurança”, neste sentido foi criada uma porta e vedada a existente, porque não era segura, estando virada para a estrada, e foi feito um passeio ao longo do jardim, “para que as crianças possam brincar em segurança”, salienta.
Trânsito – o grande problema da freguesia
Apontando o problema do trânsito como o mais premente na localidade, que na parte da manhã e no final da tarde “chega a ser caótico”, referiu que essa questão também foi tida em conta esta semana pelo executivo camarário. De modo a assegurar a segurança dos habitantes de Coina foram feitas pequenas obras como a colocação de uma lomba de sete centímetros em frente à escola primária e adiantou: “também vai ser feita uma lomba aqui logo à entrada da vila porque as viaturas passam aqui com excesso de velocidade”. A velocidade excessiva com que passa o trânsito na freguesia e a poluição inerente dos gases libertos pelos automóveis constituem, na sua opinião, verdadeiros perigos para a população.
Para a resolução dos problema de trânsito na localidade, felicita as novidades trazidas pela câmara, a respeito do avanço das obras da Nacional 10, com a construção da rotunda, e a CRIPS que, apesar de ser uma medida a longo prazo, vai proporcionar ”uma modificação total”, uma vez que a maior parte do trânsito irá deixar de circular dentro da vila, acrescentando: “penso que as coisas irão ficar radicalmente melhor do que aquilo que estão neste momento”.
Necessidade de ser repavimentado o Caminho Municipal 1028
Quando questionado com o que ficava por resolver, o presidente da Junta de Freguesia de Coina mencionou a necessidade de ser repavimentado o Caminho Municipal 1028, entre o cruzamento de Penalva e a Quinta do Peliche, que apesar de já ter tido uma intervenção nesse local, há cerca de um mês, considera que os resultados não foram os melhores, nomeadamente no que diz respeito às bermas que considera estarem perigosas para as viaturas que ali passam e que, por isso, devem ser feitos os aquedutos para melhorar as condições da estrada. Desse assunto, disse já ter falado com o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, e com a vereadora Sofia Martins, fazendo questão em sublinhar que esta chamada de atenção não se trata de uma questão de diferenças políticas mas sim de trabalhar em favor da população: “para que as populações sintam que o trabalho está a ser realizado”.
Segurança da população – necessidade de passeios pedonais
Um projecto para o passeio pedonal entre a Fábrica do Plástico e o cruzamento “que chamamos o cruzamento do Ferreira”, diz ser outra questão necessária, na medida em que diz tratar-se de uma zona perigosa para os peões, pela falta de passeio e pelo excesso de velocidade dos automobilistas, o que causa transtorno à população. A este respeito informa que a própria Junta de Freguesia de Coina já se responsabilizou em fazer a obra, depois do projecto ser feito e aprovado.
No que toca ainda à segurança da população, falou também da necessidade de terminar um projecto que existe para a construção de um passeio em frente à farmácia, de modo a facilitar a passagem na estrada, uma vez que as Estradas de Portugal retiraram uma passadeira que havia junto aos Correios, o que dificultou a passagem dos peões. “É uma zona muito perigosa porque ali vão muitas pessoas idosas receber as suas reformas”, e por isso considera ser essa uma obra muito importante de ser feita.
O “prédio” de Coina – ex-líbris da freguesia
Relativamente ao palácio de Coina, um edifício histórico, o qual é apelidado de “prédio” pela comunidade, Juvenal Silvestre diz ser esse o ex-líbris da freguesia e confessa que gostaria de o ver preservado, mesmo tendo em conta que se trata de uma propriedade privada, “um edifício do Xavier Lima”. Reconhece, no entanto, que seria uma obra de recuperação com um valor muito elevado, mas também considera que através de fundos comunitários podia ser facilitada a sua restauração, o que na sua opinião seria uma grande satisfação para toda a população da freguesia de Coina. Com a construção da CRIPS diz que está previsto para essa zona da Quinta de São Vicente “cerca de dez a doze mil pessoas a viver” e que nessa altura a recuperação do edifício poderá então acontecer, para isso também vão precisar do apoio da câmara, refere. Na sua opinião a propriedade reúne todas as condições que fosse feito um aproveitamento hoteleiro ou de restauração: “As bases estão lá ainda, dentro de um programa que pudesse criar o aproveitamento de toda a área, ficaria uma zona espectacular de lazer”, considera.
Alto da Malhada – uma oportunidade para os jovens se fixarem na freguesia
A respeito da comunidade de Coina, diz ser caracterizada por uma população mais envelhecida, que vive de reformas baixas por terem trabalhado fundamentalmente em actividades agrícolas. A urbanização do Alto da Malhada é vista, pelo presidente da Junta de Freguesia de Coina, como uma oportunidade para que os mais jovens se fixem na região, o que não tem acontecido pela ausência de moradias novas, o reflexo, no seu entender, da crise que afecta o país e que também se estende na construção civil. Adianta que nessa nova urbanização: ”praticamente tudo o que está construído, está vendido”. Nesse sentido fala na esperança que tem no aparecimento de mais urbanizações: “para que se fixem aqui novos casais”.
“No próximo ano talvez poderão ser feitas mais algumas obras”
Falando um pouco na forma como as iniciativas da “Semana de Coina” foram recebidas pelos habitantes de Coina, Juvenal Silvestre considera que apesar de “as pessoas, às vezes, terem algum receio em falar”, constatou, ao longo da semana, que “felizmente já há quem consiga transmitir aquilo que pensa”, o que considera fundamental. Rematando: “Penso que o executivo levará com certeza a mensagem daquilo que as pessoas lhe transmitiram e não digo que seja já este ano mas no próximo talvez poderão ser feitas mais algumas obras”.
Andreia Lopes Gonçalves














