João Raio, Santo André - Barreiro“Ajudei a tornar a terra, que tão bem me acolheu, mais próspera e rica, em termos urbanísticos”

Por Jornal Rostos
De raízes alentejanas, João Raio é presidente da Junta de Freguesia de Santo André desde 1 de Março de 1991. Hoje, passados dezasseis anos à frente da junta, pondera abandonar o cargo no final deste mandato. Um “balanço positivo com prejuízo para a minha família”, é a avaliação que faz. Reconhecendo que é o cansaço e a vontade de se dedicar mais à família que o impelem a sair. Quando questionado com o que irá fazer quando se reformar, responde numa frase: “ler, brincar com os netos e viajar”. E apesar de referir que “há vida para além da autarquia”, admite que as saudades também serão muitas, até porque confessa gostar muito do debate político. Mas porque ainda há trabalho para fazer, diz que neste mandato gostava de ver a construção da igreja resolvida, assim como de uma escola primária na Quinta das Canas, as carências que considera serem mais prementes de colmatar.
“Em termos de qualidade de vida melhorou substancialmente”
Da freguesia faz uma avaliação positiva, considerando que “em termos de qualidade de vida melhorou substancialmente”. Um trabalho que diz ter sido feito pela Junta de Freguesia de Santo André e pela Câmara Municipal do Barreiro. Da sua parte, e em jeito de reflexão, refere: “Ajudei a tornar a terra, que tão bem me acolheu, mais próspera e rica, em termos urbanísticos”. Uma terra para a qual veio em 1969 e da qual diz ter apanhado a cultura, onde ingressou no movimento associativo, chegando a ser presidente do Galitos Futebol Clube.
“Na área cultural estamos a sair da casca”
Diz que, se há uns anos atrás a nível cultural estavam um pouco atrasados, quando comparados com outras freguesias, como a do Lavradio, actualmente reconhece que “na área cultural estamos a sair da casca”, ao que se deve o surgimento do Grupo Coral de Santo André e o Grupo de Teatro PROJÉCTOR, que conta com a presença do encenador Luciano Barata, um “cidadão do mundo” apelida-o.
Obras de embelezamento da área urbana
Em relação aos trabalhos realizados no ano corrente pela Junta de Freguesia de Santo André, João Raio destaca o que foi feito nas áreas culturais, desportivas e de embelezamento da área urbana, dividindo-as em dois períodos, sendo o primeiro de Dezembro de 2006 a Abril de 2007 e o segundo de Abril a Junho de 2007. No primeiro período, e a respeito de obras no embelezamento da área urbana, evidencia a intervenção nas Escolas do Ensino Básico do 1ºCiclo relativamente à pintura de algumas salas de aula, aproveitando as pausas lectivas das férias do Carnaval e da Páscoa. Fala também da parceria com a Câmara Municipal do Barreiro para retirar as manilhas de esgoto que estavam há alguns anos a servir de floreiras, assim como a plantação de árvores na Rua de Morgumão e a limpeza do interior do Centro de Saúde, onde conta terem sido retiradas toneladas de lenha, arbusto e lixos vários. No período compreendido entre Abril e Junho, destaca a intervenção no recreio da Escola do Ensino Básico do Bairro 25 de Abril, de modo a torná-lo mais aprazível e com “alguma qualidade ambiental” e a substituição das “urnas” nos passeios, que se tornavam perigosas, fundamentalmente para os mais idosos, por pinásios, mais de acordo com a legislação.
Substituição das árvores “grevileas” consideradas inadequadas à área urbana
Sublinha também a substituição de árvores "grevileas robustas”, que foram plantadas há oito anos e que atingiram um “porte desmesurado”, começando a criar conflitos entre a copa das árvores e os elementos urbanos, quer pelos problemas que acarretam no período em que começa a cair a folha, deixando as ruas cheias de folhas, quer pelo facto de ocultarem o sol aos moradores. Em substituição destas árvores, João Raio diz que os técnicos da câmara concluíram que seria melhor substituir as "gravilias" por outras espécies, que apelida de árvores de boa qualidade e adianta ter ainda mais onze para plantar.
Igreja – redefinição do projecto para um espaço mais pequeno
Quanto às carências da freguesia, fala da questão da construção de uma igreja “que pudesse desempenhar o serviço religioso”, apontando como uma das falhas da localidade também a falta de casas mortuárias e acrescenta que no projecto de construção da igreja está contemplada a resolução desse problema. Adianta que o facto de a construção não ter avançado ainda se prende com o surgimento de um entrave, uma vez que o terreno para a sua edificação, no alto do Parque da Cidade, se encontrar numa área de Reserva Ecológica Nacional (REN). No entanto, afirma haver possibilidade de se construir nesse terreno, uma vez que um terço desse espaço não é REN. O que está a ser feito é uma redefinição do projecto para um espaço mais pequeno, por parte da paróquia e que depois tem de ser sujeito à aprovação da Câmara Municipal do Barreiro. Depois disso, diz que “a Igreja tem de arranjar fundos e é mãos à obra”. Referindo que a função da junta nestas questões passa por pressionar as entidades e por fazer a ponte entre elas, ao que acrescenta “e esbater, às vezes, um pouco a ira”.
“Se a urbanização arrancar, a AUGI tem pernas para andar”.
A falta de uma escola primária do ensino básico na área da Quinta das Canas é outra questão que pretende ver resolvida, assim como a AUGI da Quinta Francisco Rodrigues, a única da freguesia, para a qual já existe um projecto aprovado pelo executivo e que falta “avançar”. Acerca disso adianta que vai ser construída uma urbanização ao lado e que, de acordo com as informações de que dispõe, os esgotos dessa AUGI vão entrar nessa urbanização e por isso refere: “se a urbanização arrancar, a AUGI tem pernas para andar”.
Projecto Polis – prevê-se que em meados de 2008 esteja pronto
A concretização do Projecto Polis para a zona ribeirinha é também uma questão que quer ver concluída e acerca disso diz: “Está tudo a funcionar”. Depois de uma derrapagem nos orçamentos, previstos na ordem de 30 por cento, o actual executivo pediu autorização para continuar a obra e foram lançadas quatro empreitadas, sendo uma delas na Caldeira do Alemão. E, pelo que tem ouvido, diz que para meados de 2008 se prevê que esse projecto esteja pronto.
Protocolo de delegação de competências – “É positivo, embora haja arestas a limar”
Relativamente à assinatura do protocolo de delegação de competências entre as juntas e a câmara, apesar de ter acarretado maiores competências para as juntas na área dos espaços verdes e na gestão urbana, considera que tem funcionado bem: “é positivo, embora haja arestas a limar”. Referindo que também é da opinião de que “Mais perto faz-se melhor”, o slogan do protocolo. Neste âmbito, a câmara disponibiliza apoio técnico e monetário, tendo nesse sentido dispensado às freguesias cantoneiros e jardineiros. Quanto às arestas, fala do protocolo com os pólos desportivos que na sua opinião tem de ser revisto, considerando que existe um conjunto de circunstâncias que têm de se ter em conta, como o facto de o pólo ter de ter um seguro, ao que acrescenta: “é uma questão que tem de ser resolvida entre a junta e a câmara”.
Implementação do sistema de rega automático nos espaços verdes da freguesia
A nível do reforço das competências da junta na área dos espaços verdes, diz que pretende que as áreas ajardinadas, que eram anteriormente da competência da câmara e que ficaram sob a sua responsabilidade, fiquem com sistema de rega automático. Considerando que esses espaços “apesar de serem bem tratados eram regados à moda antiga”. Nessa modernização, diz ter gasto perto de sete mil euros em material para poder controlar o horário da rega e também para não haver falta de pressão da água. Um processo que adianta estar em fase de conclusão.
Assinalar as datas especiais
O assinalar das datas especiais é um procedimento praticado pela junta, reconhece João Raio, considerando que essas iniciativas são benéficas até no sentido de a população se “distrair das dificuldades que de uma maneira geral têm afectado o país”. Nesse sentido falou de algumas das iniciativas realizadas este ano. Do dia Internacional da Mulher para o qual foi organizada uma tarde de poesia e de debate sobre o cancro da mama, no espaço do Futebol Clube Quinta da Lomba. “Ficámos com uma casa cheia, com pessoas a transmitir a sua experiência de vida”, sublinha. Nesse dia foram também feitos rastreios no Bairro 25 de Abril e na junta, em parceria com a Associação Clínica Frater. Em Março comemorou-se o Mês do Teatro e o Dia Mundial da Poesia e no âmbito das comemorações do 25 de Abril, para além da distribuição dos tradicionais cravos pela população, organizaram a II Milha da Liberdade integrada nos Jogos desportivos, assim como um espectáculo em memória do cantor Zeca Afonso com o grupo “Erva de Cheiro”, onde diz ter tido “centenas de munícipes” a assistir. Datas como o Dia Mundial da Dança a 29 de Abril, o 1ºde Maio e o Dia Internacional da Criança foram outros momentos que não deixaram passar em branco.
Festas evocam a data em que a freguesia de Santo André foi elevada a vila
As próprias Festas da Vila de Santo André, que tomaram início no dia 15 de Junho, prolongando-se até 24 de Junho, também acabam por se integrar na ideia de assinalar datas. Evocando o dia 21 de Junho de 1995, data em que a freguesia de Santo André foi elevada a vila. Há quatro anos consecutivos que as festas são uma promessa que se concretiza. João Raio conta que tudo começou com o pedido do prior da freguesia, o padre Armando Azevedo, que propôs uns festejos em honra de Santo André no momento em que a paróquia comemorava 25 anos de existência. Depois disso, comenta: “nós agarrámos a ideia com ambas as mãos e começámos a brincar às festas”, e nessa “brincadeira” diz que nem tudo é fácil, fazendo uso da expressão popular “quem quer festas, sua-lhe a testa”. Considerando que não cabe às juntas de freguesia a substituição da comissão de festas, mas porque o voluntariado tende a desaparecer, acabam por ter de desempenhar um papel mais interventivo do que o que seria esperado. Desse modo, tiveram de integrar o grupo que constitui a comissão das festas, a par da Paróquia de Santo André e do Agrupamento de Escuteiros 927. Não deixando ainda de mencionar o apoio da indústria e do comércio local que mostram disponibilidade para ajudar, “apesar da crise que também os afecta”, sublinha.
Andreia Lopes Gonçalves














