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Faustino Mestre, presidente da Direcçãodo Grupo Desportivo Fabril do Barreiro
“Em Abril acaba o meu mandato, mas se notar
que o Grupo Desportivo Fabril precisa da minha
continuidade, eu vou apresentar nova candidatura”

Enumerando minuciosamente o tempo em que está à frente do clube: “ três anos, cinco meses e três dias”, Faustino Mestre começa já a contar o tempo que lhe falta para o final do seu mandato e refere que, se por um lado, o cansaço e a saturação de ter de lidar com alguns políticos locais e algumas situações que considera discriminatórias para o clube, como a falta de subsídios ou a falta de atenção prestada pela comunicação social local, o impelem a sair, também lhe fazem ponderar a sua recandidatura.

12 min de leitura
Faustino Mestre, presidente da Direcção do Grupo Desportivo Fabril do Barreiro “Em Abril acaba o meu mandato, mas se notar que o Grupo Desportivo Fabril precisa da minha continuidade, eu vou apresentar nova candidatura”

Por Jornal Rostos

“Em Abril acaba o meu mandato, mas se notar que o Grupo Desportivo Fabril precisa da minha continuidade, eu vou apresentar nova candidatura”. É magoado e mesmo revoltado que diz gostar demasiado do clube para o “deixar cair no vazio”. O seu primeiro clube, onde chegou a praticar atletismo. O mesmo clube em que, um dia, por considerar que estava a ser mal gerido, se disponibilizou para o presidir, movido pelo que diz ser o seu “apetite voraz por combater injustiças”.

Momentos que “o clube não vivia há muitos anos”

Numa época de êxitos para o Grupo Desportivo Fabril do Barreiro, em que seis das 14 modalidades do clube se sagraram campeãs nas competições em que participaram, o presidente da direcção do Fabril, Faustino Mestre, considera que esses resultados têm um grande significado, porque constituem momentos que “o clube não vivia há muitos anos”, evidenciando com especial agrado a vitória no remo de Felipe Ramos e Frederico Gaspar, que alcançaram o estatuto de campeões nacionais. Somando ainda as vitórias a nível distrital no futebol sénior, júnior e escolas, na ginástica, no atletismo, no futsal e no KickBoxing, Faustino Mestre aponta essa situação como o resultado do trabalho das boas equipas que a direcção encontrou. Mas é sem esconder alguma revolta que refere: “O que é certo é que o Grupo Desportivo Fabril, sem a ajuda da Câmara Municipal do Barreiro, sobreviveu, está vivo, recomenda-se e está ali para servir de exemplo”.

“Ninguém faz nada sozinho” – aposta nos jovens

Recordando o tempo em que veio para a direcção do clube, Faustino Mestre diz que, na altura, mais do que os resultados desportivos, a grande questão prendia-se com a recuperação da credibilidade do clube e do seu parque desportivo. Uma aposta muito clara que seria no sentido de “salvar o clube”. Depois de estas situações estarem consolidadas: “então foi tempo de se virar para a área desportiva” e o trabalho foi no sentido de procurar boas equipas. E seguindo a máxima de que “Ninguém faz nada sozinho”, considera que os bons resultados se deveram às pessoas que foram contratadas e que “se revelaram à altura dos pergaminhos daquela casa e das ambições da direcção”. A aposta nos jovens foi, desde logo, uma opção assumida pelo presidente do Fabril, até porque, no seu entender, essa faixa etária da população está a ser subaproveitada em Portugal, justificando que “ou não se olha para eles”, ou, quando se faz, “é de uma forma demasiadamente paternalista”. “Não se aproveitam as ideias e aquele labor e aquela vitalidade que só a juventude tem”, argumenta. Ainda a respeito desta opção, fez questão em elogiar o trabalho do professor Flávio Santos que está à frente do futebol de formação, adiantando que “vai continuar até ele querer”.

“Queremos que os infantis e juvenis e todas essas camadas mais inferiores da formação subam também à nacional”.

Diz não haver no clube objectivos prioritários, sendo o propósito fundamental que logo implementou na sua vinda para o clube: “Ganhar”. Revelando ser essa a atitude com que enfrenta a vida: “Eu não sei estar na vida de outra maneira, mas não quero ganhar a qualquer preço”. E para ganhar diz que tem de ser por ser mais competente ou mais capaz. Reconhecendo o valor dos treinadores e das equipas de trabalho do clube, diz que é natural que a ambição também se torne maior. Neste momento, a respeito da formação pretende que a equipa júnior de futebol ascenda à 1ªDivisão Nacional, alargando ainda essa vontade: “Queremos que os infantis e juvenis e todas essas camadas mais inferiores da formação subam também à nacional”.
A formação é, no seu entender, essencial em todas as modalidades, e é com essa ideia que diz que o clube trabalha, até porque considera que sendo o Barreiro uma terra com uma história importante na formação de desportistas, quer no futebol, quer no hóquei em patins ou no basquetebol, não podia ser esquecida essa vertente. “Foi sempre uma terra de desportistas por excelência”, sublinha.

Equipa sénior de futebol – a 2º Divisão Nacional é o patamar desejado

Relativamente ao futebol, considera que no caso da equipa sénior, que esta época se sagrou campeã distrital, o que conferiu a subida para a 3ªDivisão Nacional, a 2ª Divisão Nacional é o patamar desejado, ao que acrescenta: “O Grupo Desportivo Fabril não pode estar na 3ª Divisão Nacional, ou está definitivamente na 1ª Divisão Distrital ou tem de fazer um esforço para subir à 2ª Divisão Nacional”, argumentando que a 3ª Divisão Nacional constitui o “cancro” dos clubes do distrito de Setúbal, na medida em que as viagens ao Sul do país são muitas, o que acarreta inúmeras despesas: “tudo isto são factores que inibem o crescimento desta casa”, sublinha. Pelo contrário, refere: “a 2ªDivisão, por incrível que pareça, sai mais barata”, e neste âmbito fala no acréscimo das receitas, pelo aumento da presença dos sócios nos jogos.

“Com tantos campeões, temos de equacionar muito bem como é que aquela casa vai sobreviver a todos estes êxitos”

Estando agora o clube num patamar em que são muitas as equipas campeãs e a subirem de divisão, Faustino Mestre pondera: “com tantos campeões, temos de equacionar muito bem como é que aquela casa vai sobreviver a todos estes êxitos”. E é nesse âmbito que se queixa da falta de subsídios disponibilizados pela Câmara Municipal do Barreiro, e, embora faça questão em sublinhar que a Câmara Municipal do Barreiro não está de costas voltadas para o clube, adianta: “mas aqueles apoios que nós esperávamos e ansiávamos que nos dessem, continuam nulos”. Uma questão que se prolonga e que diz brevemente terá de ser colocada à câmara.

Faustino Mestre lança apelo aos sócios para perguntarem directamente à câmara o porquê de não haver subsídios para o Fabril

Faustino Mestre diz que as dificuldades
do clube são muitas, dando como exemplo o facto de serem precisos 15 mil euros por mês só para a manutenção
do clube. Queixa-se por isso da falta de apoios e chega mesmo a falar de “má vontade” e discriminação de que o clube está a ser alvo, estendendo as críticas à Câmara Municipal do Barreiro, à Governadora Civil de Setúbal
e à comunicação social local, que, no seu entender, não tem prestado ao clube, a atenção que este merece.
A respeito da Câmara Municipal do Barreiro, diz que apesar de reconhecer que o actual executivo “foi encontrar, uma Câmara com muitas dificuldades”, considera que, ao fim de dois anos de mandato, a ausência de subsídios é uma situação que não compreende. E porque diz que são os próprios sócios que o questionam, insatisfeitos, acerca da sua posição face à situação, Faustino Mestre lança um apelo aos sócios: “perguntem directamente ao presidente da Câmara do Barreiro e à senhora vereadora do desporto, o porquê da continuação de uma política discriminatória em relação ao Grupo Desportivo Fabril.”
“Neste momento não somos tão discriminados
mas continuamosa sentir que não são correctos connosco”
Diz que os apoios que têm vindo da câmara para o Fabril são basicamente apoios logísticos e que, apesar de “a porta da Câmara estar sempre aberta”
neste mandato, também no executivo
anterior, com Emídio Xavier a porta nunca esteve fechada. Nesse sentido Faustino Mestre refere: “Eu entrar, entrava, mas os dinheiros e os apoios foram sempre para os mesmos
lados”. Nessa época diz ter sido alvo de discriminação “neste momento não somos tão discriminados mas continuamos a sentir que não são correctos
connosco”. Do actual executivo diz ter havido uma promessa de que para o próximo ano não ia haver uma política de continuidade de subsídios a quem os recebia e acerca disso comenta:
“Cá estamos para ver”. Considera
que é vital que a câmara não prolongue a mesma política do antigo
executivo: “A câmara tem de uma vez por todas escolher o que é que quer, ou quer um grupo desportivo à imagem do que está agora, dinâmico e aberto à população, ou um grupo desportivo à imagem daquilo que nós fomos encontrar, fechado como se fosse um ovo”. A respeito de apoios faz questão em elogiar a postura da Junta de Freguesia do Lavradio, que considera ser “excelente”, entende, no entanto, que as suas competências estão limitadas e que cabe à câmara e não à junta a realização de protocolos para a atribuição de subsídios.
Voz contra o desporto profissional financiado pelo Estado
A respeito do desporto profissional diz que não pode continuar a ser financiado
pelas autarquias, chega-o mesmo a apelidar de “cancro” do desporto, anunciando: “Se querem fazer desporto profissional têm de ser autónomos e não é apenas uma autonomia fictícia, na qual se alimentam
dos cofres do Estado”. A respeito destas questões diz continuar a ser uma voz muito contra, porque não pode concordar com o facto de serem “desbaratados milhões de contos e depois de repente fecham a torneira mas fecham para aqueles que não deviam fechar, os grupos desportivos que estão ao serviço do povo”.
As suas críticas estendem-se também aos próprios partidos locais, aos quais lança um repto: “É preciso que esta terra dê uma pirueta de 360 graus para que ponham gente mais nova à frente.”
“Querem ver se o clube cai para resolver os problemas dos outros”
Quando questionado com o porquê de achar que existe uma atitude de discriminação em relação ao Fabril, refere que ao longo dos três anos à frente do clube tem tentado de todas as formas perceber o porquê da continuação
de uma política discriminatória
em termos de atribuição de subsídios
ao Grupo Desportivo Fabril e diz que a explicação já a encontrou. No executivo anterior achava que as políticas
em relação ao Grupo Desportivo Fabril iam no sentido de “um estrangulamento
para que o clube caísse e morresse”, de modo a resolver os problemas
de falta de condições físicas de uma série de clubes, falando aqui do Luso Futebol Clube “uma instituição respeitada pela sua história dentro da cidade do Barreiro e que segundo o que consta dentro de pouco tempo irá ficar sem casa” e do Futebol Clube
Barreirense “que já vendeu a sua casa”. Actualmente diz que este é ainda
um problema presente dos clubes “que vai cair em cima deste presidente
que nem tem culpa nenhuma desta guerra”. Adiantando: “Querem ver se o clube cai para resolver os problemas dos outros”. Mas lança o aviso: “Não contem comigo, porque o Faustino Mestre quer ir-se embora, mas o vazio no Grupo Desportivo Fabril não vai haver mais”. E acrescenta: “Em Abril, se o Fabril necessitar da minha continuidade
eu vou dizer presente”.
O clube onde mais mulheres
têm praticado desporto
Considerando o Fabril como o único clube verdadeiramente eclético do concelho do Barreiro, pelas 14 modalidades
que dispõe, Faustino Mestre refere que é o clube onde mais mulheres
têm praticado desporto, o que lhe agrada: “Faz-nos sentir que afinal a aposta está ganha, que valeu a pena, há que continuar”. E diz ter sido esse facto que despertou a atenção para que houvesse “umas aberturas para que se conceda de alguma forma subsídios
ao desporto feminino”.
A patinagem artística, uma modalidade
nova no clube, diz que se em tempos
fazia parte do clube, foi pela sua mão que voltou a estar à disposição da comunidade.
Nessa actividade, que muito aprecia, faz questão em sublinhar a graciosidade
e a beleza que confere às praticantes,
características que no entender
do presidente do Fabril conferem à mulher toda a feminilidade que a distingue do homem.
Remo vai ser gerido
autonomamente
Em tempos o clube tomou a opção de gerir autonomamente algumas modalidades
desportivas, foram elas o judo, o ténis e a ginástica. Faustino Mestre adianta que em breve também o remo irá ser gerido dessa forma. Tendo em conta a experiência com as outras três modalidades, considera que esse é o melhor caminho para a actividade, de modo a que possa ter uma maior autonomia, mas dando continuidade “ao bom trabalho que têm estado a desenvolver”.
Explicando um pouco como funcionam
essas autonomias, o presidente do Fabril refere que a diferença em relação às modalidades autónomas reside no facto de o clube não ter tantos gastos, ficando-se por pagar as deslocações e os equipamentos. No entanto, faz também questão em referir
que se trata de “uma autonomia saudável e responsável”, que passa pela assinatura de um protocolo com a direcção do clube, na qual são definidos
parâmetros a respeitar e que o clube não deixa de se fazer representar
por essas modalidades: “O que quer dizer que o clube fica a ganhar, é fortemente representado e as pessoas têm mais liberdade”.
Fundamental: “termos um clube ao serviço da população.”
Faustino Mestre diz que a melhor forma de gerir o clube é através da concessão de liberdade e autonomia às modalidades e consequentemente
às pessoas que estão à frente das equipas, reconhecendo que a direcção
não se pode distanciar muito, considera que também não pode ter um controlo muito apertado sobre os profissionais: “Ninguém gosta de trabalhar
controlado e penso que como as pessoas estão a trabalhar bem, não há necessidade de se fazer alterações”.
Alegando que é com natural rejubilo e satisfação que vê as vitórias que levam as equipas a ser campeãs em algumas das modalidades mas que esse não é a preocupação fulcral do clube, assumindo como fundamental:
“Termos um clube ao serviço da população”.

Andreia Lopes Gonçalves

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