Raul Malacão, presidente da Junta de Freguesia do Barreiro“Começam a estar criadas condições para tirarmos partido da localização do Barreiro”

Por Jornal Rostos
E no ano em que a freguesia comemorou 520 anos de existência, aponta como maiores dificuldades a falta de trabalho, o problema do estacionamento e a degradação de alguns edifícios no Barreiro Velho.
Junta defende a ideia de prolongamento do centro – “Não deixar morrer toda a zona do Parque Catarina Eufémia e Mercado 1º de Maio”
Raul Malacão refere que a junta defende a ideia de prolongamento do centro, compreendida nos projectos da CMB para a requalificação do centro do Barreiro, que incluem a remodelação do Mercado 1º de Maio, a construção de um parque de estacionamento subterrâneo e os arranjos exteriores da Praça 1640 e do Parque Catarina Eufémia, com o intuito de prolongar o centro desde a Avenida Alfredo da Silva até à Rua Stara Zagora, onde decorrem as obras do novo Forum Barreiro. Esse prolongamento do centro parece-lhe ser a solução mais acertada, no sentido de “não deixar morrer toda a área do Parque Catarina Eufémia e Mercado 1º de Maio, visto que foi durante muitos anos a zona central do Barreiro”. A respeito dos projectos diz ainda que o papel da junta é de os acompanhar e de dar o seu parecer, ao que considera: “ tudo o que se está a fazer é no sentido de que se mantenha o centro mas com uma outra imagem, criando as condições necessárias para a população e para a modernidade naquele espaço”.
Problema de estacionamento – “com essa solução, em cave, pensamos que temos aí resposta para essa situação.”
O facto de o projecto para o centro do Barreiro incluir um espaço de estacionamento subterrâneo é algo que considera ser importante: “Os espaços previsto de estacionamento têm em conta as carências que temos aqui, que é a falta de espaço e com essa solução, em cave, pensamos que temos aí resposta para essa situação.”
Abertura da estrada do antigo Largo das Obras para escoar o trânsito do centro da cidade
Considerando que a Quimiparque “deve continuar e pode ter um papel importante na vida e desenvolvimento do Barreiro”, por se tratar de “uma zona privilegiada, dada a sua localização de frente de rio”, comenta: “há todo o sentido em retirarmos daquela área o melhor benefício para o desenvolvimento do Barreiro”, ao que acrescenta: “Começam a estar criadas condições para tirarmos partido da localização do Barreiro”.
Nesse âmbito falou na importância da abertura da estrada do antigo Largo das Obras até ao Lavradio, através de um protocolo entre a Câmara Municipal do Barreiro e a Quimiparque, o que considera ser: “uma decisão importante para escoar mais o trânsito, evitando que se concentre aqui no interior do centro”, acrescentando: “só espero que aconteça o mais brevemente possível”.
Novo Fórum Barreiro – “Penso que, no conjunto, todos beneficiarão”
Em relação às consequências da abertura do novo Forum Barreiro, no Outono de 2008, o presidente da junta responde: “Como deve calcular esperamos as melhores”. Considerando que, pelo facto de a nova superfície comercial trazer um conjunto de serviços “que vão ser postos ao proveito da população, como restaurantes, cinemas, espaço para estabelecimentos comerciais, estacionamento e novas vias de circulação”, essas valências, no seu entender, “vão trazer uma outra animação aqui ao centro, com um comércio mais variado”. E em relação aos comerciantes locais que já fazem o seu negócio no centro, considera: “penso que, no conjunto, todos beneficiarão”, ao que acrescenta: “Tudo aponta para que mais pessoas, não só no concelho, mas também fora dele, se desloquem ao Barreiro e penso que aí os comerciantes, quer os que já estão instalados, quer os que venham a instalar-se, têm perspectivas de futuro e de acompanhar o desenvolvimento”. E acerca desta questão conclui: “E a perspectiva é a de que futuramente não vai haver necessidade de nos deslocarmos para fora do concelho, porque vamos ter um conjunto de equipamentos que podem dar resposta às necessidades das pessoas.”
Protocolo de Delegação de Competências - “Penso que as juntas podem ter um papel muito importante”
Dos acontecimentos ocorridos em 2007, Raul Malacão destaca, entre eles, o Protocolo de Delegação de Competências assinado entre a Câmara Municipal do Barreiro e as Juntas de Freguesia, em Janeiro de 2007, o que acarretou novas responsabilidades para as juntas de freguesia. E, acerca disso, considera: “Temos vindo a preparar e a colher experiências, de modo a que possamos dar a melhor resposta a estas novas responsabilidades”. E em sintonia com a expressão: “Mais perto faz-se melhor”, acrescenta: “Penso que as juntas podem ter um papel muito importante, sobretudo na área da higiene, visto que estamos mais próximo das populações”.
Quanto a avaliações, diz que no final do ano está prevista uma análise à situação, acrescentando: “Neste momento estamos na fase de acompanhar e procurar resolver as situações que aparecem no dia-a-dia”.
“Dar resposta para termos uma freguesia mais bonita e mais limpa”.
Nesse acréscimo de responsabilidades, falou do trabalho da junta, que passou a acompanhar todos os problemas dos espaços públicos, para além da área da toponímia, informando que estão a preparar uma intervenção, de modo a resolver algumas falhas de sinalização de ruas, onde faltam placas, passaram a intervir na limpeza de resguardos das paragens dos autocarros, no calcetamento das ruas, “Há um conjunto de situações que nos ocupam todo o tempo disponível”, comenta. Com a preocupação que diz ser no sentido de “dar resposta para termos uma freguesia mais bonita e mais limpa”.
No ano lectivo de 2008/2009 os alunos da Escola 1º Ciclo EB1 e da EB2 vão passar a estar nas instalações da antiga Mendonça Furtado
Nas escolas do ensino básico refere que, se anteriormente competia à junta de freguesia fazer intervenções mais pontuais, hoje, com as responsabilidades acrescidas, as intervenções incidem na própria recuperação das instalações. No entanto, a este respeito refere que têm sido feitas pequenas intervenções, uma vez que esperam que até ao fim de 2007 se iniciem as obras da recuperação da antiga escola Mendonça Furtado, para que depois de concluídas, os alunos da Escola 1º Ciclo EB1 e da EB2 possam passar a estar nessas instalações. O que está previsto de acontecer no ano lectivo de 2008/2009. Por sua vez adiantou que as obras na Mendonça Furtado estão previstas de começar em Outubro deste ano.
“Hoje estamos quase só reduzidos a serviços”
A freguesia mais antiga do concelho, que este ano assinalou os seus 520 anos de vida, e que em tempos teve o maior centro industrial da Península de Setúbal, considera Raul Malacão, carece nos dias de hoje, nas palavras do seu presidente de junta, “de postos de trabalho” o que faz com que: ”as pessoas tenham, na sua maioria, de procurar trabalho fora do concelho”. Consequências do encerramento da antiga CUF e de outras empresas, assim como do complexo da CP “que tinha aqui uma certa força com as oficinas e que era um ponto importante de apoio a todo o Caminho-de-Ferro do Sul”, comenta, acrescentando: “Hoje estamos quase só reduzidos a serviços e mesmo aí vejo que há já alguns concelhos vizinhos com mais importância nessa área”.
Para além dos problemas de emprego e da falta de estacionamento, aponta a degradação de alguns edifícios na zona do Barreiro Velho que carecem de requalificação, referindo: “No Barreiro velho temos problemas tanto na área da habitação, como no saneamento e no piso, que precisam de meios financeiros para serem solucionados”.
Movimento associativo – “Era a nossa escola e aí aprendíamos muita coisa”
Raul Malacão nomeia a presença de um forte movimento associativo, como uma das características mais marcantes da freguesia do Barreiro, considerando que essas associações: “têm dado projecção ao Barreiro e têm tido um papel importante no seu desenvolvimento e engrandecimento”. Já muito enraizadas na história da freguesia, fundamenta o seu aparecimento como sendo “um meio que as pessoas encontraram, criando entre si instituições, para resolver muitos dos problemas da população”, ao que acrescenta: “ e que nasceram pela falta de estruturas que o Estado devia de ter criado e não criou”. “No Barreiro, em determinada época, o movimento associativo era a nossa escola e aí aprendíamos muita coisa”, comenta.
“Se nos substituirmos às colectividades, estamos a matá-las.”
Ainda a respeito das associações da freguesia, considera: “Acho que é positivo para as instituições que existem, até para se dinamizarem, terem possibilidade de desenvolver as suas actividades, serem elas a organizar”, acrescentando: “A minha preocupação é que desenvolvam as suas acções e nós temos a função de as apoiar, porque se nos substituirmos às colectividades, estamos a matá-las.”
Protocolo entre a câmara e o Cine Clube prevê programação semanal de cinema no AMAC depois das férias do verão
Em relação ao Cine Clube do Barreiro anuncia que foi assinado um protocolo entre a Câmara Municipal do Barreiro e a direcção do Cine Clube que prevê uma programação semanal de cinema para o Auditório Municipal Augusto Cabrita (AMAC) a vigorar durante o ano de 2007, depois do período das férias de verão. O que considera ser “uma iniciativa interessante e uma experiência que pode resultar numa maior dinâmica, quer para o Cine Clube, quer para o Barreiro, trazendo filmes com qualidade”
Presença das 8 juntas na MEI –“para dar a conhecer as áreas em que trabalhamos”.
Um momento de grande significado, não só para a freguesia, mas também para o concelho, são, no entender do autarca, as Festas do Barreiro que se realizam de 10 a 19 de Agosto e sobre elas Raul Malacão considera que é a sua projecção e antiguidade que a tornam “parte da história do Barreiro”. Uma Festa que diz não ter apenas um pendor popular, tendo uma componente religiosa muito forte, ligada à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário. Na festa, diz que a novidade em relação à junta é a presença das oito juntas do concelho do Barreiro na Mostra Empresarial e Institucional (MEI), uma iniciativa que considera positiva “para dar a conhecer um pouco as áreas em que trabalhamos”.
O facto de este ano as Festas mudarem de local, deslocando-se da Avenida Bento Gonçalves (Avenida da Praia), para a Rua Bento Jesus Caraças, junto à Escola Secundária Alfredo da Silva e ao espaço El Matador, é, na sua opinião, um aspecto positivo: ”evitando o fecho da avenida Bento Gonçalves ao trânsito e procurando afastar o ruído mais do centro do Barreiro”, considera.
O orgulho do concelho – “O Barreiro, no seu conjunto, lutou pela liberdade”
Das festas diz que o que se pretende é “dar uma imagem positiva do Barreiro”, mostrando os valores não só artísticos, através da música e do artesanato, mas também dos comerciais, empresariais e institucionais. Mostrar o que se faz hoje numa terra, onde Raul Malacão diz haver razões para se ter orgulho: “Pelo seu passado, pelas suas origens e pelo que o Barreiro, através das suas pessoas, lutou na defesa da democracia no nosso país”, ao que conclui: “O Barreiro, no seu conjunto, lutou pela liberdade.
Andreia Lopes Gonçalves














