Padre José Manuel – Barreiro“O amor que consagrei à Igreja está muito enraizado aqui no Barreiro”
É conhecido como o “padre novo” do Barreiro. O Padre José Manuel tem 33 anos e já há 17 que está no Barreiro, por isso hoje diz ser mais barreirense do que da sua “terra”, São Paio de Oleiros: “O amor que consagrei à Igreja está muito enraizado aqui no Barreiro”. Está há três enquanto reitor da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e há um ano como pároco da Igreja de Santa Cruz e das Festas do Barreiro diz ser a componente religiosa “a base que alimenta tudo o resto”.

Por Jornal Rostos
Festas que considera terem cada vez mais aderência: “De ano para ano aumenta o número de pessoas que vêm prestar o culto a Nossa Senhora do Rosário e não são só pessoas envolvidas na nossa comunidade”. E é com alegria que vê a vontade com que as pessoas participam: “A maior parte das pessoas do bairro colocam as suas melhores colchas às janelas”.
Aumento da prática cristã no Barreiro
O Padre José Manuel refere que a prática cristã tem aumentado no Barreiro, ao contrário do que acontece em outras zonas do país, acrescentando que inclusivamente este ano aumentou o número de promessas. E a explicação desse acréscimo reside, na sua opinião, no facto de a Igreja de Nossa Senhora do Rosário funcionar como um local de acolhimento “dessas pessoas que vêm à procura da presença de Deus e de um sentido para a vida”. Refere ainda que este ano aumentou o número de baptismos, de casamentos, assim como a presença de jovens na celebração das Eucaristias, o que considera ser “o resultado de um trabalho pastoral dentro da própria comunidade”. E tendo como missão ajudar o próximo, comenta: “não procuramos que o outro entre imediatamente na própria comunidade, estamos antes abertos a ajudar as pessoas a fazer um caminho de encontro e de busca de Deus”, ao que acrescenta: “E creio que o papel da Igreja é esse, ajudar a que as pessoas possam ver que este também é o seu lugar.”
Programação religiosa – “O objectivo é ajudar as pessoas a integrarem-se na Procissão”
Das Festas refere que até à Procissão, que se realiza a 15 de Agosto pelas 18 horas, a programação religiosa incide no que chama de “preparação para a Procissão”, o que diz começar a 11 de Agosto com a Celebração Penitencial, “a celebração do perdão em que a comunidade é acolhida pelo amor de Deus, através das mãos do sacerdote”, seguindo-se a Recitação Solene do Terço do Rosário. “O nosso objectivo é ajudar as pessoas a integrarem-se na Procissão”, e em jeito de analogia, acrescenta: “É como uma criança pequenina que é baptizada e que não sabe responder a tudo e o papel dos pais é ajudá-la nessa caminhada”. No entanto, sublinha que logo no primeiro dia das festas, a 10 de Agosto, a Igreja já estará aberta: “as pessoas podem lá ir para queimar a sua vela, para fazer as suas orações”.
Nas Homílias – ”Mensagem de esperança, de conforto e de uma Igreja que acolhe”
Nas Homílias, no âmbito das Festas de Nossa Senhora do Rosário, o Padre José Manuel diz ter uma mensagem específica para cada um dos peregrinos: ”Deixo uma mensagem de esperança, de conforto e de uma Igreja que acolhe”. Referindo que tem sentido o aumento da pobreza na zona do Barreiro Velho e que é especialmente pensando nessas pessoas que dirige essa mensagem, quando percebe que existe cada vez mais a “necessidade de as pessoas se agarrarem ao Invisível”. Conta que são muitas as pessoas que através de pedidos e de solicitações se dirigem à comunidade cristã, o que chama de “S.O.S.”. Considerando que nesses casos ”A Igreja é uma alternativa para as suas vidas”, ao que advoga: ”E isso é importante, mas gostaria que as pessoas não nos vissem apenas como um “S.O.S” mas que vissem que deve haver uma continuidade de ajuda, de partilha e de solidariedade”.
Procissão –“a necessidade dessa caminhada é a de deixar crescer o seu interior”
Falando do momento alto da programação religiosa, a emblemática Procissão, O Padre José Manuel diz que, tal como foi a construção da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, que teve um crescimento gradual, assim é a caminhada das pessoas, ao que comenta: “Porque a Fé é um dom de Deus que é preciso que cada homem e que cada mulher, que o busca, o vá encontrando”, acrescentando: “E a necessidade dessa caminhada é a de deixar crescer o seu interior e de se deixar transformar pelo amor de Maria”. Fala ainda no significado de alguns símbolos, como o de carregar os andores em ombros: “Enquanto pudermos fazemo-lo, porque isso é fruto da necessidade de tocarmos no divino”.
“ Sinto-me preso, quando o meu desejo é estender a minha mão, como Jesus estendia, e dizer: Vem comigo, faz esta Procissão!”
E é com emoção que fala nos sentimentos que o afloram durante a Procissão: “ É uma junção de sentimentos de alegria e de compaixão, compaixão no sentido de ver aquelas pessoas que ao longo do ano estiveram comigo, que os vi na igreja e que os vi a chorar e que estão ali ao lado de Nossa Senhora do Rosário”, acrescentando: “E olho para eles e penso: Estais no meu coração! Estais no coração da Igreja!”. Situações que diz ajudarem-no a viver melhor o seu papel de sacerdócio: ”porque não posso estar confinado a um culto fechado, o ministério de sacerdócio é celebrar o amor de Jesus e celebrar, a partir de mim e a partir da Igreja, para aquelas pessoas que o procuram”. E em jeito de confissão, diz: “Na Procissão, às vezes, sinto-me preso, quando o meu desejo é estender a minha mão, como Jesus estendia, e dizer: Vem comigo, faz esta Procissão!”
Lançamento do livro previsto para 7 de Outubro
Depois de a 25 de Março de 2006 ter-se procedido à assinatura do Protocolo “Inventário e Tratamento do Arquivo Histórico da Igreja do Rosário”, entre a Câmara Municipal do Barreiro e a Igreja Nossa Senhora do Rosário, o Padre José Manuel aguarda com expectativa o lançamento de um livro com seu prefácio, que reúne aspectos históricos e fotografias da Igreja. Contando como surgiu essa vontade em ver reunida a informação existente sobre a igreja: “Quando cheguei, olhei para aquele monte de folhas e de documentos, cheios de pó e atados com cordas, já um pouco estragados e achei que era hora de olhar para aquilo com ‘olhos de ver’. Era um crime continuar a esconder isto à comunidade cristã e à comunidade em geral.”
Ainda sem data marcada para o lançamento do livro, o padre José Manuel aponta o dia 7 de Outubro, o dia Litúrgico de Nossa Senhora do Rosário, como a eventual data para se realizar esse acontecimento. Já com um orçamento previsto de cerca de três mil euros para fazer 2.500 exemplares, informa que a câmara vai auxiliar a Igreja através da compra de uma parte dos livros. E reconhecendo que “o orçamento ainda é um bocado elevado para a Igreja”, diz ser “com base na boa fé das pessoas e na vontade de conhecerem um pouco mais da história” que se lançaram neste projecto. Informa ainda que o preço do livro irá rondar os cinco euros.
A estreia do órgão de tubos, que foi restaurado, e que está marcada para o dia 8 de Dezembro é também outro aspecto importante para a paróquia: “Uma casa que é de todos” e daí fala na importância de se ajudar a manter “essa casa” com as condições que lhe são devidas, o que muitas vezes o leva a pedir ajuda à comunidade.
“Estou no Barreiro já há 17 anos, agora vou para onde? A minha casa é esta.”
Imbuído no espírito de ajudar o outro, refere: “Penso que devemos tomar consciência de que podemos dar uma vida nova ao Barreiro”. E nessa nova vida, considera que a Igreja têm um papel determinante em todos os aspectos, não devendo desligar-se também da dimensão cultural da vida das pessoas. E nem que fosse por coincidência, na véspera desta entrevista tinha organizado uma festa de fados: “Ontem tive com a comunidade até às duas da manhã e todo o bairro estava aqui na festa”. O que torna natural que os laços com o concelho mais se enraízem: “Estou no Barreiro já há 17 anos, agora vou para onde? A minha casa é esta.”
Andreia Lopes Gonçalves














