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João Lobo, presidente da Câmara Municipal da Moita“Pensamos que estamos a conseguir implementar o nosso objectivo de criar o bem-estar à beira Tejo”

O presidente da Câmara Municipal da Moita, João Lobo, define como fundamental para o concelho da Moita o que chama de regresso ao rio Tejo e aos espaços públicos. E, nesse sentido, diz que a câmara tem vindo a desenvolver iniciativas para possibilitar esse “regresso às origens” do município: “Acho que hoje consegue-se voltar a ver as pessoas sentadas no poial e a conversar”.

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João Lobo, presidente da Câmara Municipal da Moita “Pensamos que estamos a conseguir implementar o nosso objectivo de criar o bem-estar à beira Tejo”

Por Jornal Rostos

Quanto às Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem, que se realizam de 7 a 16 de Setembro, reconhece ser esse o ponto alto das festividades mas advoga: “Este concelho anda sempre em festa”, ao que acrescenta: “Começamos em Junho com as Festas Multiculturais no Vale da Amoreira e acabamos em finais de Setembro com as Festas de Sarilhos Pequenos”. Momentos que considera importantes de se manter, ou não fossem “um grande ponto de encontro entre as pessoas”.

Arco-Ribeirinho – para a “continuidade da zona ribeirinha”

Para além do PROTEJO, um programa de revitalização da zona ribeirinha da Moita, o presidente da Câmara da Moita diz que a autarquia assumiu um compromisso, na sequência do Congresso do Tejo, no sentido de procurar juntar agentes do Arco Ribeirinho Sul, que começa em Almada e acaba em Alcochete, de modo a: “possibilitar uma articulação de projectos e intervenções e eventuais candidaturas conjuntas”, ao que remata: “É fundamental articular os diferentes projectos para permitir a “continuidade da zona ribeirinha”.

Viagens Individuais ou Colectivas – para poder “desfrutar e regressar ao Tejo”

E no sentido de proporcionar uma maior aproximação entre o rio e a comunidade, falou também de um projecto lançado este ano, a par dos Passeios Fluviais em grupo, que são as Viagens Individuais, ao que explica: “Se alguém quisesse passear no barco mas que não estivesse integrado numa associação ou num grupo, não o podia fazer, o que agora já é possível”. Para isso basta reservar lugar para poder “desfrutar e regressar ao Tejo”.
“Pensamos que estamos a conseguir assistir ao nosso objectivo de criar o bem-estar à beira Tejo”, considera.

“Animação de Espaços Públicos” – promover o encontro entre as pessoas

A Câmara da Moita através da iniciativa “Animação de Espaços Públicos” procura “chamar as pessoas”, trazendo, essencialmente aos fins-de-semana, música, dança e cinema às ruas do concelho. Um factor que é, na opinião do presidente da câmara, um contributo importante para a ligação entre as pessoas, ao que considera: “cada vez mais tendemos a calçar as pantufas e fecharmo-nos em casa, o que nos faz muito mal”. Nesse âmbito, os meses de Julho e Agosto tornaram-se sinónimo de animação na Moita: “procurámos de uma forma diversa, também respondendo aos diferentes gostos e públicos, animar o concelho”.

Permitir a passagem junto da zona ribeirinha em bicicleta ou de forma pedonal

Em relação aos momentos mais significativos para o concelho, e apesar de sublinhar que essa é uma tarefa complicada, focou os trabalhos que têm sido feitos no âmbito da requalificação urbana, sublinhando a recuperação do corredor da antiga Estrada Nacional Nº11, que liga a Moita à Baixa da Banheira, o que seguiu, no seu entender “o conceito de cidade de grande circulação e acessibilidades”, permitindo uma requalificação da imagem e da acessibilidade do local. Quanto a esta medida, diz estar integrada num projecto que consiste num plano municipal da criação de uma rede de ciclovias, “que se prende com as questões de acessibilidade e acima de tudo de lazer e de saúde”, comenta.
Referindo que sendo o concelho da Moita um território plano, o objectivo da câmara é permitir a passagem, junto da zona ribeirinha, em bicicleta ou de forma pedonal, o que diz: “hoje já quase que até à Moita se pode fazer isso”.

Demolição parcial do dique da Caldeira da Moita a aguardar resposta

Outra questão realçada foi o pedido de licenciamento da demolição parcial do dique da Caldeira da Moita à Administração do Porto de Lisboa, referindo que neste momento aguardam uma resposta para poderem proceder à intervenção dos projectos hidrológicos para a requalificação na Caldeira.

Novas viaturas “amigas do ambiente” previstas para Novembro

A renovação da frota ligeira da Câmara Municipal da Moita foi outro aspecto mencionado pelo presidente, esclarecendo que se trata de uma acção que ainda está a decorrer, estando previsto para Novembro o uso de novas viaturas que assentam em três factores, ao que explica: “na redução do número de viaturas, na redução de consumos e, na, não menos importante, actuação amiga do ambiente”. Desse modo, vão passar a ser utilizados carros híbridos e viaturas ligeiras de baixa cilindrada, ao que acrescenta” e também com menos danos para a atmosfera”.

Moinho de Marés – um espaço municipal e um espaço de memórias

Um momento que considera também importante para o concelho, numa vertente referente ao património arquitectónico e cultural, foi a inauguração a 25 de Abril do Moinho de Maré de Alhos Vedros, depois de restaurado, no âmbito de um projecto que diz chamar-se: “Ciclo do Pão”. O moinho passou assim a ser um espaço lúdico e cultural, utilizado para conferências, colóquios e exposições. E adianta que vai ser posta em funcionamento uma das Mós, ao que comenta: “é um espaço municipal e é um espaço de memórias que é importante de preservar, relembrando uma actividade muito importante”. Sublinha ainda que o Moinho de Maré está integrado num projecto mais global, o “Alhos Vedros Cultural”, que passa pela vontade de desenvolver diversas actividades, ao que adianta: “contamos até ao final de Setembro ter a posse do edifício ao lado do moinho e ai implementar o arquivo histórico e geral da Câmara Municipal da Moita”

Necessidades ao nível da saúde – pelo encerramento do Hospital de Alhos Vedros

Quando interrogado com os problemas mais premente do concelho, diz preferir utilizar a expressão “necessidades” e dessas necessidades, destaca a saúde, o emprego e a segurança. A nível da saúde fala do impacto que teve para o concelho o encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) no Hospital Concelhio de Alhos Vedros e o posterior encerramento do Serviço de Atendimento Complementar em Alhos Vedros, com a consequente deslocação para a Moita. Questões que considera serem da máxima importância, pois, nas suas palavras, constituem “o direito e acesso à saúde”.

Problemas sociais – “indissociáveis da realidade nacional”

A nível social reconhece que existem questões preocupantes mas que, como comenta: “acabam por ser indissociáveis da realidade nacional”, acrescentando: “ nomeadamente do nosso distrito que ao longo dos anos tem sofrido flagelos ao nível da actividade económica, resultantes do encerramento de empresas”. Na Moita considera que a crise dos têxteis teve os seus efeitos. Refere ainda que o município é também caracterizado por receber imigrantes, “tem acolhido pessoas que saem das suas terra e vêm para outras e que são pessoas que precisam de ter o seu espaço de integração”, zonas onde reconhece que por vezes se acentuam algumas carências.

“Queremos que haja meios humanos e físicos numa perspectiva de prevenção”

Considerando que quando existe carência social, podem “surgir outros fenómenos que promovem o sentimento de insegurança, que muitas vezes não se trata de insegurança propriamente dita”, diz ser a segurança uma área na qual a Moita está um pouco fragilizada. Refere que as instalações que existem para as forças de segurança são da propriedade do município e que não foram construídas para essa função. Desse modo, queixa-se da “falta de instalações próprias e de efectivos das forças de segurança”, advogando: “Queremos que haja meios humanos e físicos numa perspectiva profilática, de prevenção”.

A aguardar o parecer da CCDR-LVT sobre o PDM

Quanto à questão do Plano Director Municipal (PDM) da Moita, diz que actualmente essa questão está entregue à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT), depois da decisão a nove de Julho “sobre as 16 alterações que tiveram o parecer da Comissão Técnica de Acompanhamento”. Acrescentando que aguardam a sua resolução: “Temos esperança e a convicção de que o processo, depois deste tempo todo, siga para decisão superior, para ter o seu términos em breve prazo”, comenta.

Moita é palco de inúmeras festas durante o ano

Em época de festa, no período das Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem, o presidente da Câmara da Moita refere que o concelho é palco de inúmeras festas durante o ano, na sua opinião importantes do ponto de vista cultural e económico. Das festividades destaca a Feira Equestre, que diz ser “sem falsa modéstia” considerada a segunda maior feira equestre do país; a Feira de Maio, uma feira que em tempos teve uma presença muito forte da produção de leite, ao que comenta: “Muita gente não sabe mas o município da Moita era o maior produtor de leite do Mondego para baixo”, e que actualmente tem uma componente mais ligada à actividade tauromáquica, que está também enraizada nas tradições do concelho.

Festins para os mais jovens – Feira de Projectos Educativos e Quinzena da Juventude

Ao nível da educação, destaca a Feira de Projectos Educativos, como sendo um momento muito importante, ao que explica: “porque é nessa feira onde a comunidade educativa mostra o seu trabalho”. E falando ainda de jovens, mencionou a Quinzena da Juventude que diz ser “um processo que vem dos jovens para os jovens”, explicando: “não é algo que os eleitos e técnicos da câmara projectam para os jovens, mas sim, os projectos que os jovens têm e que se candidatam e que a câmara apoia a sua implementação”.

Romaria Moita e Viana do Alentejo – que “aconteça em Viana do Alentejo”

Falou ainda da Romaria Moita e Viana do Alentejo, expressando o desejo de que “aconteça em Viana do Alentejo, aquando a Festa em Honra de Nossa Senhora de Aires”. Uma festa que se realiza no quarto fim-de-semana de Setembro e um acontecimento que o presidente da Câmara da Moita considera ser “a manutenção das nossa raízes e da tradição que vamos mantendo e que é importante do ponto de vista cultural”. Acrescentando: “uma ruralidade própria da Moita, com o trabalho da terra, com o cavalo, o touro e o rio, o que são referências e uma memória a preservar”.

Festas reflectem as ligações ao rio e à tauromaquia

Quanto às Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem, diz ser esse o “ponto alto das festividades” e que têm “uma importância de carácter regional e nacional”. Uma ocasião que diz reflectir as ligações do concelho ao rio e à tauromaquia, através de inúmeras actividades, entre elas: “A Noite do Fragateiro” ou o “Cais Vivo”. Em relação à componente religiosa, considera que é fundamental e refere que o seu ponto alto se dá com a Procissão em Honra da Nossa Senhora da Boa Viagem, no domingo, dia 9 de Setembro, com a tradicional deslocação ao cais para a bênção dos barcos. E quanto à vertente desportiva, diz ser diversificada e à volta das componentes culturais do rio, para além da Prova de Atletismo dos 8 km Ribeirinhos, realiza-se o passeio de cicloturismo, e, no que diz ser “numa perspectiva mais cultural”, o “Concurso dos Barcos Engalanados”.

“Tarde do Fogareiro” a 14 de Setembro, um espaço de convívio depois das largadas

A nível da tauromaquia refere que, como é já tradição, vão ser realizadas largadas de touros, ao que considera: “no fundo no que se revêem milhares de pessoas que aqui vêm nessa altura”, e conta que daí surgiu a ideia de se fazer um arraial para sexta-feira, dia 14 de Setembro, a chamada “Tarde do Fogareiro”, ao que comenta: “aproveitando o que já era tradicional para algumas pessoas, que no final da largada ficavam no meio da avenida com os amigos a confraternizar e a petiscar, institucionalizamos essa iniciativa”. Um espaço na Avenida Teófilo de Braga que diz ser de convívio, lazer e cultura, animado pela Xaranga do Rosário e por fados.

Feira Comercial e Industrial – com actividades do concelho e não só

Uma componente também importante, na opinião de João Lobo, é a Feira Comercial e Industrial, “a maior do concelho”, comenta e onde diz que o Pavilhão de Exposições e o telheiro já não são suficientes: “chegamos inclusive a não poder aceitar mais inscrições, porque o espaço enche com actividades comerciais do concelho e não só”.
E de há dois anos para cá diz ter começado o Espaço das Tasquinhas, o que diz ser um espaço de diferentes tipos de gastronomia. “Porque no fundo este concelho recebeu gente de todo o lado, eu próprio sou fruto disso, sou filho de alentejanos que vieram à procura de melhores dias”, comenta.

Diversidade musical

A vertente musical também marca presença, sempre com três palcos, um para os bailes populares, outro onde desfila a chamada “prata da casa” (o Palco da Praça da República) e o Palco da Marginal, com os nomes mais sonantes do panorama musical nacional. Ana Moura, uma referência actual do fado, Tara Perdida, Sabor Cubano, Kussondulola, André Sardet e 4Taste são alguns dos nomes apontados para subir aos palcos nas noites da festa. Tudo com, o que o presidente da câmara diz ser, a “preocupação de agradar aos diferentes públicos”.

Andreia Lopes Gonçalves

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