Orquestra Ligeira do BarreiroVencedora do 1º Concurso Nacional de Orquestras Ligeiras
“Esta vitória significa para mim um grande acontecimento, uma grande estímulo, pelo seguinte, porque nós, pedimos aos jovens que trabalhem connosco um ano inteiro e temos muito poucas compensações para lhes dar, a não ser, estimular o gosto por isto e a alegria que eles têm do convívio e do tocarem em conjunto.” – salientou ao “Rostos” o Maestro José Alberto Cunha.

Por Jornal Rostos
O 1º Concurso Nacional de Orquestras Ligeiras, foi organizado pela Sociedade Filarmónica Vestiariense, de Vestiaria, uma freguesia do concelho de Alcobaça.
Neste concurso participaram nove orquestras, entre elas a Orquestra Ligeira do Barreiro, dirigida pelo Maestro José Alberto Cunha.
No conjunto das Orquestras participantes seis eram da zona norte, e, do sul do país estavam presentes as restantes três representações.
De referir que a Orquestra do Barreiro é composta por 17 elementos.
Foi fundada em 1992 e tem vindo a actuar de forma consecutiva desde a sua fundação.
Um júri exigente e de qualidade
O júri, do 1º Concurso Nacional de Orquestras Ligeiras, era composto por três membros: um solista da Orquestra Sinfónica Nacional, Hugo Assunção; o Maestro Rui Carreira, professor do Conservatório de Música de Leiria e Maestro da Banda de Alcobaça, e, o percussionista, Sertório Calado, que foi baterista da Orquestra de Pedro Duarte, do Programa de Hermam José.
Um júri que, de alguma forma, pelas suas diferenciadas experiências musicais, era conhecedor e de elevado nível de exigência, avaliando desde aspectos da música da mais sinfónica à música mais ligeira.
Pelo que apurámos o júri foi rigoroso na sua avaliação e exigente no cumprimento do regulamento do Concurso.
Ficámos realmente surpreendidos
“Eram Orquestras boas as que participaram, muito particularmente a Orquestra que ficou em segundo lugar, a Orquestra Ligeira de Vale de Sousa, de Paredes, tinha uma constituição muito boa e apresentou-se com grande nível e com grande qualidade.” – referiu ao “Rostos” o Maestro José Alberto Cunha, acrescentando - “Nós ficámos muito surpreendidos quando no final o júri nos atribuiu o 1ºlugar. Ficámos realmente surpreendidos”.
Escolha de reportório à altura da nossa Orquestra
“Nós participámos com a nossa Orquestra, que desta vez não levou voz. Não levou cantora. Mas que, na opinião do júri foi realmente a melhor.” – salientou o Maestro José Alberto Cunha.
“No conjunto da nossa actuação, houve o cuidado, da minha parte, como responsável da Orquestra, de escolher um reportório, que à partida, eu sabia, estava à altura da nossa Orquestra.
Os outros, se calhar, não tiveram esse cuidado. Quiseram, talvez, fazer voos muito altos, mas o avião não chegava lá, e isso não foi bom para eles.
O júri atribui, realmente, o 1º lugar à Orquestra do Barreiro, o segundo lugar à Orquestra de Vale de Sousa, o terceiro lugar à Orquestra Amizade, de Aveiro.” – recordou, com emoção, o Maestro José Alberto Cunha.
Tivemos a pontuação máxima
Na sua participação no 1º Concurso Nacional de Orquestras, cada uma das Orquestras participantes estava limitada a uma actuação de 20 minutos.
“Nós tocámos trechos, alguns clássicos, das Big Band americanas, do pós guerra, e, música mais actual, porque de acordo com o regulamento era obrigatório haver um trecho português.
Nós tocámos um trecho português que, infelizmente é muito pouco ouvido, mas que eu considero das melodias mais bonitas da música ligeira portuguesa : “As Noites da Madeira”, de Toni Amaral, que foi celebrizada pelo Max. Nós tocámos este trecho com um arranjo do Jorge Costa Pinto. Tivemos a pontuação máxima.” – sublinhou José Alberto Cunha.
Deveria ter sido um Concurso de Big Bands
“O Concurso como foi o primeiro teve algumas lacunas. Por exemplo, na minha opinião este Concurso não se devia ter chamado : Concurso Nacional de Orquestras Ligeiras. O adjectivo ligeiro, aqui, a seguir a Orquestra é muito subjectivo.
Para os leigos, Orquestra Ligeira é tudo aquilo que não seja Sinfónico, digamos assim, porque não é Orquestra de Ópera, não é Orquestra de Câmara.
As Orquestras Ligeiras têm determinada constituição que as Big Band não têm, sabemos que, as Big Band têm uma formação que lhes permite ter um determinado tipo de reportório, que as Orquestras Ligeiras não podem.
Recordo que a Emissora Nacional tinha uma Orquestra Ligeira. Essa Orquestra tinha flauta, oboé, fagote, trompa de harmonia, tuba, etc. As Big Band não têm nada disso.
As Big Band têm 5 saxofones, 4 trompetes, 4 trombones e a secção rítmica. É essa a famosa constituição das Orquestras de Dança, do pós guerra.
Portanto, o Concurso deveria ter sido, um Concurso de Big Bands, e, poderiam fazer um paralelo para Orquestras Ligeiras.
Porque apareceram lá Orquestras a tocar música do Parque Maier, tipo revista. Tinham o seu valor. Estava bem tocado, nem coloco defeitos, estou a dizer é que aquelas Orquestras não deviam ter ombreado com as Big Bands.” – referiu o Maestro José Alberto Cunha.
Fomentar o gosto pela música das Big Band
“De salientar que a “Orquestra Ligeira do Barreiro” é uma Big Band, toca música americana, essencialmente, música americana.
Foi para isso que ela foi construída. Foi criada com esse objectivo.
Eu fui o principal responsável disso, por uma razão simples, primeiro porque o Barreiro tem tradições nesse tipo de Orquestra (existiram na SFAL, Franceses, Penicheiros).
Essas Orquestras desapareceram rapidamente, de um dia para o outro, com o surgimento dos pequenos conjuntos, da música italiana.
A minha ideia, ao criar a Big Band da Banda do Barreiro ( que era assim que ela se deveria chamar, e não Orquestra Ligeira do Barreiro), digo-lhe, o meu objectivo ao criar a Big Band da Banda do Barreiro, visava incrementar nos jovens o gosto por aquela música.” – sublinhou.
Fazer renascer o som da tradição do Barreiro
“Infelizmente, os discos daquele tempo tinham desaparecido todos, ou quase todos, e, principalmente, porque, embora a gente diga que no Barreiro, existiram xis Orquestras, ninguém tem documentos dessas Orquestras.
Por isso, pretendi, fazer renascer esse som, porque esse som é característico deste tipo de Orquestras.
Mas, para que a Orquestra tenha este som, tem que ter aquela constituição e não pode ter outros instrumentos, se tiver, esse som desaparece. É isto que as pessoas não sabem, por isso, é que foram ao Concurso, algumas Orquestras, com três flautas e quatro clarinetes. Penso que o Júri teve isso em consideração na sua avaliação.” – salientou José Alberto Cunha
Os nossos músicos foram melhores solistas
“Fomos surpreendidos com a vitória. Mas verifiquei uma coisa interessante, que é o facto da nossa juventude, dos nossos músicos, estarem neste momento a tirar os lucros, que poderão um dia vir a ser maiores do trabalho e do estudo que estão a fazer, deste tipo de música. Digo-lhe, se a Orquestra não existisse, e não tivesse sido criada, eles nunca tinham sido acordados para isto.
Hoje, em dia, temos músicos a estudar no Hot Club Portugal, tenho músicos a estudar na Escola Superior de Jazz de Matosinhos, tenho músicos a dedicar-se ao Jazz com a mesma vontade e com a mesma alegria, digamos assim, com que se dedicam á Banda Municipal do Barreiro.
Por isso, penso, que nós, talvez, tenhamos ganho, porque os nossos músicos foram melhores solistas, do que realmente a Orquestra do Porto que ficou em segundo lugar.” – salientou o Maestro da Orquestra Ligeira do Barreiro.
É um estímulo muito grande
“Esta vitória significa para mim um grande acontecimento, uma grande estímulo, pelo seguinte, porque nós, pedimos aos jovens que trabalhem connosco um ano inteiro e temos muito poucas compensações para lhes dar, a não ser, estimular o gosto por isto e a alegria que eles têm do convívio e do tocarem em conjunto.
Recordo que, não há pagamentos, isto é tudo voluntário, é amador, por isso, estas coisas servem, exactamente, para compensar o esforço, que as pessoas dispõem e dedicam. È um estímulo muito grande.” – referiu.
O prémio foi 1000 Euros
“Nós, não ganhámos nada. O prémio foi 1000 Euros, mas, esses 1000 euros foram para pagar a despesa de nós irmos lá, da deslocação, da alimentação e até da inscrição.” – salientou a finalizar o Maestro José Alberto Cunha.
Uma nota final que permite avaliar o prazer e o gozo de José Alberto Cunha pela música, pela Banda e pela Orquestra.
Conversámos no final do concerto realizado na SFAL – para assinalar os 140 anos daquela colectividade – e o Maestro que aguentou o concerto de pé, disse – “Vamo-nos sentar. Já não aguento estar de pé. Sai ontem do Hospital onde esteve dois dias a soro e tive que ir ao bloco”
Apesar de estar em período de convalescença não rompeu com os seus compromissos e seu amor pela música e pelos barreirenses.
Fica o registo. E, naturalmente, os votos de rápida recuperação.
SP














