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Eduardo Gageiro no BarreiroAuditório Augusto Cabrita é um espaço magnífico
. Fazer um reencontro com o meu velho amigo Augusto

Augusto Cabrita “era uma pessoa que me ensinou, de certo modo, a ver a fotografia. Tínhamos muitos contactos. O Augusto a nível de Portugal foi a pessoa que me marcou, porque era um crítico do meu trabalho. Conversava muito com ele” – referiu ao “Rostos” Eduardo Gageiro.

Auditório Augusto Cabrita “é um espaço magnífico, lindíssimo. Acho que o Augusto merecia isto, porque foi um homem na verdade que, durante muitos anos, tendo nascido no Barreiro, tal como eu nasci em Sacavém, terra de que tenho muito orgulho, ele sempre se orgulhou da sua terra. O Augusto falava sempre do Barreiro, como eu falo de Sacavém.” – sublinhou Eduardo Gageiro.

5 min de leitura
Eduardo Gageiro no Barreiro Auditório Augusto Cabrita é um espaço magnífico . Fazer um reencontro com o meu velho amigo Augusto

Por Jornal Rostos

A «Exposição de Fotografia de Eduardo Gageiro em Grande Retrospectiva» abre com a fotografia que conquistou o 1º Prémio da 11ª Exposição Internacional de Fotografia Artística da China, em 2005 – o maior concurso de fotografia do mundo.
A fotografia vencedora intitula-se “Poluição” e retrata dois homens que trabalham na rua, com as chaminés da cidade do Barreiro em pano de fundo.

Uma reportagem sobre a poluição no Barreiro

Em breve diálogo com Eduardo Gageiro pedimos-lhe que nos contasse a «história» dessa fotografia do Barreiro.
“A fotografia não tem tantas histórias. A história que tem é esta : eu estava no «Século Ilustrado» na altura e marcaram uma reportagem, para vir fazer ao Barreiro, sobre o tema da «Poluição no Barreiro». Vim fazer essa reportagem e esta fotografia faz parte dos trabalhos inseridos nessa reportagem. É tão simples quanto isto, não tem nenhum artificio, não tem nenhuma história por trás, a não ser essa, de ter vindo fazer uma reportagem sobre a poluição no Barreiro, editada no «Século Ilustrado» na altura, numa data que não deve ser aquela referida, porque deve ser uma confusão minha.»

Barreiro teve um “boom” fantástico

Que imagem guarda na sua memória desse Barreiro do tempo que veio fazer a reportagem e o Barreiro que encontrou hoje? – perguntámos
“Eu conheço mal o Barreiro. Hoje vejo o Barreiro cheio de cimento, cheio de betão. Eu só vi o Barreiro nesta zona. O Velho Barreiro, de hoje, não conheço, teria que lá voltar.
Houve um grande espaço de tempo que deixei de vir ao Barreiro, porque não é um sítio normal de passagem.
Agora não reconheci o Barreiro. Evidentemente, a parte central do Barreiro, só se me levarem lá, eu não conheço.
Noto que o Barreiro teve um “boom” fantástico, tem milhares de habitações, tem zonas novas que eu não conheço, inclusivamente, eu nunca tinha vindo aqui ao Auditório Augusto Cabrita.
Por isso, não estou à vontade para falar sobre o Barreiro”.

Este é um espaço magnífico, lindíssimo

Qual a sua opinião sobre o Auditório Augusto Cabrita?
“Este é um espaço magnífico, lindíssimo. Acho que o Augusto merecia isto, porque foi um homem na verdade que, durante muitos anos, tendo nascido no Barreiro, tal como eu nasci em Sacavém, terra de que tenho muito orgulho, ele sempre se orgulhou da sua terra. O Augusto falava sempre do Barreiro, como eu falo de Sacavém.
Quando eu soube que existia este Auditório achei óptimo e quando me convidaram, ainda fiquei mais contente, porque, na verdade, vinha fazer um reencontro, com o meu velho amigo Augusto, e, portanto, iniciar aqui um ciclo de exposições, num Auditório que tem o nome de um grande amigo meu e de quem eu era um grande admirador.”

Augusto Cabrita uma pessoa que me ensinou

Que significou Augusto Cabrita para si?
“Era uma pessoa que me ensinou, de certo modo, a ver a fotografia. Tínhamos muitos contactos. O Augusto a nível de Portugal foi a pessoa que me marcou, porque era um crítico do meu trabalho. Conversava muito com ele.
Do ponto de vista técnico não me ensinou, simplesmente, nós, conversávamos muito e discutíamos muito sobre o trabalho de cada um e nisso ensinou-me, aliás, a primeira exposição que fiz no Barreiro foi o Augusto que me convidou. Essa foi a primeira vez que eu estive aqui no Barreiro.”

Trabalhos reproduzidos um pouco por todo o mundo

Eduardo Gageiro nasceu em Sacavém, em 1935. Empregado de escritório na Fábrica de Loiça de Sacavém, de 1947 a 1957, conviveu diariamente com pintores, escultores e operários fabris, o que influenciou a sua decisão de fazer Fotojornalismo. Com 12 anos publica no Diário de Notícias, com honras de primeira página, a sua primeira fotografia.
Com 73 anos, Eduardo Gageiro é um dos mais galardoados fotógrafos portugueses e tem trabalhos reproduzidos um pouco por todo o mundo, com os quais ganhou mais de trezentos prémios internacionais, entre eles 77 Grandes Prémios ou Medalhas de Ouro.
Foi editor da revista Sábado e fotógrafo do Diário Ilustrado, O Século Ilustrado, Eva, Almanaque, Match Magazine e da Presidência da República, entre outros. Actualmente é freelancer e trabalha, entre outros, para a Assembleia da República.

Primeira grande retrospectiva de Eduardo Gageiro em Portugal

A «Exposição de Fotografia de Eduardo Gageiro em Grande Retrospectiva» com entrada livre, pode ser visitada, até 15 de Março, das 9h00 às 13h00, das 14h00 às 19h00 e das 20h00 às 22h00 (encerra à segunda-feira).
De referir que esta é a primeira grande retrospectiva de Eduardo Gageiro, em Portugal.

S.P.

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