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Carlos Humberto, Presidente da Câmara do Barreiro“Não é apenas a documentação e a fotografia, como também o edificado que tem de ser património”

Ontem, no lançamento do 2.º Caderno do Arquivo dos Sindicatos Ferroviários no Barreiro, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, em conversa com o “Rostos”, afirmou que a autarquia do Barreiro defende que “não é apenas a documentação e a fotografia, como também o edificado que tem de ser património.” Nesse âmbito, advoga que “o património seja mantido e defendido como património histórico ferroviário do edificado do concelho do Barreiro.” Daí que fale num núcleo museológico ferroviário no Barreiro, “não só pela história do sector ferroviário que o concelho do Barreiro tem, como pelo edificado e ainda por aquilo que vai ser no futuro o concelho do Barreiro”, ao que sublinha a necessidade de “diversificar e aumentar a importância do sector.”

E no ano que em que se assinala os 150 anos de caminhos-de-ferro, que coincidiu com a retirada dos carris da antiga Estação Ferroviária pela REFER, entende que sendo “um aspecto menos positivo" não põe em causa a preservação do património ferroviário, nem a estratégia que a autarquia defende para o Barreiro “terra ferroviária do passado, presente e futuro.” Aidianta que a autarquia tem mantido contactos com as empresas ferroviárias e com o Ministério dos Transportes e refere que: “a curto, médio prazo até possamos estar em condições de ir mais longe nos contactos e até na informação pública” sobre o futuro a dar à herança ferroviária no Barreiro.

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Carlos Humberto, Presidente da Câmara do Barreiro “Não é apenas a documentação e a fotografia, como também o edificado que tem de ser património”

Por Jornal Rostos

O Barreiro possui um espólio ferroviário que vai para além da documentação, o que em 2004 levou a que fosse aberto pelo IPPAR um Processo de Classificação. A autarquia tem conhecimento do futuro que vai ser dado a essa herança?

“Independentemente de todas os esforços que têm sido feitos para classificar os edifícios ferroviários, nós, Câmara Municipal do Barreiro, defendemos que algum do património seja mantido e defendido como património histórico ferroviário do edificado do concelho do Barreiro, entre o qual a antiga Estação Fluvial, as antigas oficinas, que também foram inicialmente Estação Fluvial, a rotunda e outros elementos com valor patrimonial. Não é apenas a documentação e a fotografia, como também o edificado que tem de ser património. Deste ponto de vista, o que gostaríamos era que um Museu Ferroviário ou uma parte do Museu Ferroviário se localizasse no concelho do Barreiro, não só pela história do sector ferroviário que o concelho do Barreiro tem, como pelo edificado e ainda por aquilo que vai ser no futuro o concelho do Barreiro, do ponto de vista ferroviário. Porque queremos diversificar e aumentar a importância do sector, assim como potenciar a sua criação de riqueza e postos de trabalho.”

Há pouco tempo foram retirados os carris da antiga Estação Ferroviária pela REFER. Isso pode ser um mau prenúncio para levar a cabo esse objectivo, de preservar o património?

“Sendo um aspecto menos positivo ou negativo não põe em causa esta estratégia que defendemos para o Barreiro, terra ferroviária do passado, presente e futuro e do Barreiro que defende e quer preservar o património ferroviário. Mas naturalmente que isso é um aspecto a tratar com o sector ferroviário e há que o aprofundar com os vários contactos que temos vindo a ter. Agora é preciso também olhar para aquele património todo, com o actual corredor ferroviário, as oficinas da EMEF, a antiga estação e todos os outros elementos com uma visão de desenvolvimento e património. De desenvolvimento no futuro, de desenvolvimento económico no presente e de criação de emprego e do ponto de vista patrimonial. E é preciso ter esta visão de conjunto. E não isolarmos um facto, mesmo que não sendo positivo. O importante, do meu ponto de vista, é ter uma estratégia global, única e articulada relativamente ao património. E sendo um facto que pode não ser o mais positivo, o que aconteceu não põe em causa a eventualidade, se for caso disso, da reconstrução de uma linha para ir à antiga Estação Fluvial.”

Mas a autarquia ainda não tem conhecimento do futuro a ser dado à estação?

“Não, não temos. Estamos neste momento a preparar um conjunto de documentação e até de estratégias para dialogar com as empresas ferroviárias e naturalmente com o ministério. De qualquer forma não havendo ainda nada definido, existem várias propostas em cima da mesa e há muitos contactos que temos vindo a fazer e que vamos intensificar com este objectivo. Pensamos que a curto, médio prazo até possamos estar em condições de ir mais longe nos contactos e até na informação pública.”

Andreia Catarina Lopes

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