Maria Helena Maduro, directora do “Colégio Minerva”“Tentamos desenvolver todo um projecto que responda às necessidades da criança”
E quanto a projectos futuros, diz passarem pela construção de um Parque de Campismo e um Hotel em Penela, no distrito de Coimbra, e de alargar o ensino até ao secundário, ao que expressa: “Vamos acreditar que os nossos alunos possam entrar aqui aos três anos e sair para entrarem para a universidade. O que era o nosso gosto e a vontade dos encarregados de educação.”

Por Jornal Rostos
Enquanto directora, quais são as principais características do “Colégio Minerva”, que tem o nome da Deusa da Sabedoria?
“Uma das coisas que fazemos questão que nos diferencie é toda a nossa preocupação centrada na criança, no seu desenvolvimento, nos seus interesses, no seu bem-estar físico e psicológico. Com essa filosofia, tentamos desenvolver todo um projecto que responda a essas necessidades da criança. Daí estarmos preocupados não só com o programa curricular, mas com todo um conjunto de outras actividades que façam com que a criança venha para a escola com prazer e que ao mesmo tempo tenham a preocupação de promover o seu desenvolvimento pessoal. E há uma preocupação também com as questões ambientais, daí termos uma Quinta Pedagógica.”
No vosso site têm uma frase que diz “Forte componente da educação pelo real”. É através da prática que mais se aprende?
“Exactamente. Nós temos assumido no nosso programa as chamadas actividades anuais. No Magusto, vamos com as crianças à Mata da Machada, apanhamos a caruma, vamos com eles fazer as compras da castanha e depois no recreio montamos a fogueira e com eles assamos as castanhas. Assim, as crianças acompanham todo o processo. Anualmente fazemos um acampamento, em que temos parado um pouco mais em Penela, no distrito de Coimbra, que reúne todas as condições de segurança, para podermos dar uns dias especiais às crianças, que vão dos três anos aos 14 anos. E vamos ver os pastores com as ovelhas e a ordenha e eles vêem a confecção do queijo e para um dia especial há o queijo confeccionado e fazemos também a broa. Assim, têm a possibilidade de ver ‘in loco’ como é que se fazem as coisas. Vêem como as coisas são confeccionadas com produtos que a natureza nos dá. Temos essa preocupação de os levar aos locais e até na nossa quinta e de viverem situações que na cidade não conseguem.”
Em 19 anos de existência do Colégio, como está a ser a experiência?
“Muito enriquecedora e de realização profissional e pessoal. O colégio acabou por ser aberto na minha tentativa de resolver um problema a nível nacional. Era professora de crianças surdas e, na altura, a educação dessas crianças passava por instituições e isso fazia-me alguma confusão, porque questionava como é que se podia ensinar crianças a comunicar com a comunidade, se passavam todo o tempo num espaço segregado com outros surdos. E um dia, contra a vontade, inclusivamente de instituições locais e do próprio sistema educativo, fui de escola em escola onde integrei as crianças com quem trabalhava. E sinto-me muito orgulhosa desse trabalho, porque consegui.”
E o colégio acabou por ser a continuação desse trabalho?
“Sim, o colégio iniciou a sua actividade vocacionado para o ensino especial. Tinha muita vontade de ter um espaço com uma turma onde pudesse integrar essas crianças e um dia o meu marido que sabia deste meu desejo, falou-me de uma casa à venda na Rua Miguel Pais. E foi assim que nasceu o “Colégio Minerva”, como projecto de integração de crianças, particularmente com deficiências auditivas. E começámos em Outubro de 90 com um grupo pequeno de crianças do 1.º ciclo e muito rapidamente enchemos o espaço, fazendo quatro turmas e de acordo com o nosso regulamento, 20 por cento eram crianças com deficiência auditiva. E durante meia dúzia de anos o próprio sistema educativo apoiou-nos. Mas acontece que com o Decreto-Lei 319, que orientava a educação do ensino especial, de repente o Ministério da Educação veio dizer que não podíamos ter em simultâneo crianças de ensino especial e as ditas “normais”, e isto era uma renúncia total à integração. E deixaram-nos mesmo de nos apoiar. Tinha cerca de 100 crianças sem problemas nenhuns e dez com deficiência auditiva e achei sempre e continuo a achar, e os resultados também o provaram mais tarde, que é muito mais benéfico para todos, inclusivamente para os que não tinham qualquer tipo de deficiência, esta forma de integração. E mantive-me assim, com muita dificuldade mas consegui superar.”
E hoje o ensino especial continua a estar presente no Colégio?
“Sim, até hoje. Apesar de, em termos de números ter havido uma redução. O que também acontece porque quando o sistema educativo envereda pela integração, as crianças também deixaram de ter tanta necessidade. Mas temos sempre uma média de quatro, cinco crianças com necessidades educativas especiais.”
Em termos globais qual é a capacidade do número de crianças no colégio?
“Começámos na Rua Miguel Pais com 43 vagas no pré-escolar e 87 no 1.º ciclo. Hoje, temos 93 para o pré-escolar, 200 para o 1.º ciclo, 64 para o 2.º ciclo e 96 para o 3.º. E a lotação está esgotada, excepto para o 3.º ciclo.”
E como é que surgiram estas novas instalações?
“Também foi uma questão de sorte. Andámos durante muito tempo a procurar um espaço e tivemos muita dificuldade, até pensávamos em ir para o Montijo. Até que, inesperadamente, um pai de uma criança nossa perguntou-nos se estávamos interessados num espaço aqui no Barreiro. E quando a Quimigal vendeu este espaço, nós comprámos um dos lotes. É um espaço recatado que não está na confusão da cidade. E temos uma vista privilegiada para o Parque da Cidade. Agora estamos rodeados de escolas e em termos comerciais poderá não ser muito bom, mas ainda não sentimos isso. Acho que o nosso projecto se diferencia e que a escola pública não pode dar aquilo que nós podemos dar.”
E quais são os projectos futuros a implementar?
“Em termos de futuro, eu e o meu marido, que fomos os fundadores do Colégio, temos um projecto maior que é criar um espaço também privilegiado para as nossas crianças fazerem os acampamentos. Para isso pretendemos fazer em Penela um Parque de Campismo e um Hotel, dando a possibilidade de as crianças estarem connosco, mas perto dos pais ou dos avós e pensamos muito nos avó, porque quem vem muitas vezes buscar os meninos são os avós. Daí, avançámos com o apoio da autarquia de Penela com esse projecto. E pensamos que vai ser um espaço muito especial.”
E já existem datas para o arranque desse projecto?
“As obras começam daqui a dois meses e vai estar completo daqui a 18 meses. Para além disso, e a pedido de muitos pais, gostaríamos de alargar este espaço ao secundário. A nossa limitação é o espaço, vamos ver se a Câmara Municipal do Barreiro colabora connosco, no sentido de nos ajudar e autorizar a criar aqui um espaço para podermos abrir mais três salas para o secundário. E até temos ainda espaço de construção. Vamos acreditar que os nossos alunos possam entrar aqui aos três anos e sair para entrarem para a universidade. O que era o nosso gosto e a vontade dos encarregados de educação.”
Andreia Catarina Lopes














