Gilberto Ferreira, director de “O Carinho”“Estão reunidos os ´condimentos´ para fazer uma boa escola”
Enquanto professor de Educação Especial, diz que a escola também está vocacionada para esse tipo de ensino e expressa: “Temos uma boa equipa, um bom espaço e boas instalações. Estão reunidos os ´condimentos´ para fazer uma boa escola.”

Por Jornal Rostos
Ao fim de 26 anos no Lavradio, o que é que levou à mudança para este espaço, junto ao Parque da Cidade?
«No Lavradio as instalações já começavam a ser um pouco apertadas, não estavam muito de acordo com o que entendíamos desenvolver, em termos de educação, e com os projectos que queríamos implementar.»
E surgiu a oportunidade de vir para esta zona com uma vista privilegiada para o Tejo…
«Este espaço era nosso já há dez anos mas as burocracias e muitas vezes as incompatibilidades entre ministérios tornam as coisas complicadas. Pretendemos que seja uma Escola Integrada, o que implica que trabalhemos com crianças desde o mais cedo possível, até ao mais tarde possível.»
Enquanto director de “O Carinho”, como é que o definiria? O nome alude desde logo para os afectos…
«Sim, é verdade. A vida é feita de afectos, de razões e de convicções. “O Carinho” nestas instalações é uma escola um pouco diferente da noção de escola. Existe uma preocupação em termos ecológicos e de rentabilização dos recursos naturais. Em todos os espaços existe luz natural, assim que haja luz natural lá fora. Por exemplo, a nível de aproveitamento de água, temos um circuito independente para os autoclismos das casas de banho, o que quer dizer que, a nível de água, só dependemos da rede pública para beber. Depois defendemos a inserção do projecto pedagógico que tem um nome sugestivo: “Das coisas da natureza, à natureza das coisas”. Pretendemos que todas as salas alicercem o seu projecto de sala numa base de aspectos práticos.»
Que assente no saber fazer…
«Sim e começando do concreto para o abstracto. Depois procuramos ter também o contacto com a natureza, temos ali uma galinha com pintos que a todos encanta.»
Têm também uma horta pedagógica…
«Sim. Queremos implementar uma horta pedagógica mais alargada nos próximos tempos.»
E como é que está a ser a sua experiência pessoal à frente deste espaço?
«É gratificante, pois permite fazer aquilo que sempre gostei e pensei fazer. É um projecto que já vem de há muito tempo, já teve muitas alterações, alguns melhoramentos, muitos recuos e neste momento estávamos a fazer um percurso normal. Temos uma boa equipa, um bom espaço e boas instalações. Estão reunidos os ´condimentos´ para fazer uma boa escola.»
A escola tem capacidade para 175 crianças, 75 do jardim-de-infância e 100 do 1.º ciclo. As vagas estão todas preenchidas?
«Não, ainda temos espaço para preencher. Também abrimos muito tarde, já foi no final de Julho de 2008 e nessa altura são poucos os pais que andam à procura de escola para os filhos. Agora neste momento estamos a ser muito solicitados e esperamos estarmos próximos de atingir a capacidade máxima. Neste momento temos três turmas, que correspondem a cerca de 60 crianças.»
Sendo professor de educação especial, esta escola está vocacionada para esse tipo de ensino?
«A Escola Integrada implica também atender crianças da educação especial e as instalações estão preparadas para receber crianças com necessidades educativas especiais. Existem desde rampas, o elevador, o que permite que uma criança com dificuldades motoras possa movimentar-se em toda a escola, sem necessitar de ajuda. Ao nível pedagógicos, temos duas crianças sinalizadas e três a sinalizar, com necessidades educativas especiais.»
E quanto a projectos futuros?
«Nós desafiamos os nossos técnicos a apresentar propostas que possamos implementar. É uma escola que se rege por padrões pedagógicos e se houver uma professora que queira fazer outro tipo de actividade, estamos disponíveis para aceitar. Também há valores que pretendemos respeitar. Trabalhamos muito com as famílias, com os pais. E a nível de envolvimento, desafiamos as pessoas para utilizarem o nosso espaço. Esta é uma escola para estar integrada no meio. O “ballet”, por exemplo, que é uma actividade extracurricular, está aberta às pessoas de fora. Quem quiser participar, pode fazê-lo. A nível de actividades extracurriculares não limitamos as pessoas, temos muito espaço coberto e se houver alguém que queira aprender a fazer o que quer que seja, logo que seja rentável em termos pedagógicos, nós disponibilizamo-lo.»
Andreia Catarina Lopes














