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Gilberto Ferreira, director de “O Carinho”“Estão reunidos os ´condimentos´ para fazer uma boa escola”

Depois de 26 anos no Lavradio, “O Carinho” mudou-se para a freguesia do Alto do Seixalinho, junto ao Parque da Cidade e tomou a forma de um novo Centro Escolar para os mais pequenos, que abriu em Outubro de 2008. O seu director, Gilberto Ferreira, diz que a mudança se deveu essencialmente ao facto de as antigas instalações se terem começado a mostrar pequenas para o projecto que gostava de implementar. E esse projecto passa pela concretização de uma Escola Integrada, que engloba o Jardim-de-infância e o 1.º ciclo e em que diz existir uma preocupação em termos ecológicos e de rentabilização dos recursos naturais e cujo projecto pedagógico tem por nome: “Das coisas da natureza, à natureza das coisas”.

Enquanto professor de Educação Especial, diz que a escola também está vocacionada para esse tipo de ensino e expressa: “Temos uma boa equipa, um bom espaço e boas instalações. Estão reunidos os ´condimentos´ para fazer uma boa escola.”

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Gilberto Ferreira, director de “O Carinho” “Estão reunidos os ´condimentos´ para fazer uma boa escola”

Por Jornal Rostos

Ao fim de 26 anos no Lavradio, o que é que levou à mudança para este espaço, junto ao Parque da Cidade?

«No Lavradio as instalações já começavam a ser um pouco apertadas, não estavam muito de acordo com o que entendíamos desenvolver, em termos de educação, e com os projectos que queríamos implementar.»

E surgiu a oportunidade de vir para esta zona com uma vista privilegiada para o Tejo…

«Este espaço era nosso já há dez anos mas as burocracias e muitas vezes as incompatibilidades entre ministérios tornam as coisas complicadas. Pretendemos que seja uma Escola Integrada, o que implica que trabalhemos com crianças desde o mais cedo possível, até ao mais tarde possível.»

Enquanto director de “O Carinho”, como é que o definiria? O nome alude desde logo para os afectos…

«Sim, é verdade. A vida é feita de afectos, de razões e de convicções. “O Carinho” nestas instalações é uma escola um pouco diferente da noção de escola. Existe uma preocupação em termos ecológicos e de rentabilização dos recursos naturais. Em todos os espaços existe luz natural, assim que haja luz natural lá fora. Por exemplo, a nível de aproveitamento de água, temos um circuito independente para os autoclismos das casas de banho, o que quer dizer que, a nível de água, só dependemos da rede pública para beber. Depois defendemos a inserção do projecto pedagógico que tem um nome sugestivo: “Das coisas da natureza, à natureza das coisas”. Pretendemos que todas as salas alicercem o seu projecto de sala numa base de aspectos práticos.»

Que assente no saber fazer…

«Sim e começando do concreto para o abstracto. Depois procuramos ter também o contacto com a natureza, temos ali uma galinha com pintos que a todos encanta.»

Têm também uma horta pedagógica…

«Sim. Queremos implementar uma horta pedagógica mais alargada nos próximos tempos.»

E como é que está a ser a sua experiência pessoal à frente deste espaço?

«É gratificante, pois permite fazer aquilo que sempre gostei e pensei fazer. É um projecto que já vem de há muito tempo, já teve muitas alterações, alguns melhoramentos, muitos recuos e neste momento estávamos a fazer um percurso normal. Temos uma boa equipa, um bom espaço e boas instalações. Estão reunidos os ´condimentos´ para fazer uma boa escola.»

A escola tem capacidade para 175 crianças, 75 do jardim-de-infância e 100 do 1.º ciclo. As vagas estão todas preenchidas?

«Não, ainda temos espaço para preencher. Também abrimos muito tarde, já foi no final de Julho de 2008 e nessa altura são poucos os pais que andam à procura de escola para os filhos. Agora neste momento estamos a ser muito solicitados e esperamos estarmos próximos de atingir a capacidade máxima. Neste momento temos três turmas, que correspondem a cerca de 60 crianças.»

Sendo professor de educação especial, esta escola está vocacionada para esse tipo de ensino?

«A Escola Integrada implica também atender crianças da educação especial e as instalações estão preparadas para receber crianças com necessidades educativas especiais. Existem desde rampas, o elevador, o que permite que uma criança com dificuldades motoras possa movimentar-se em toda a escola, sem necessitar de ajuda. Ao nível pedagógicos, temos duas crianças sinalizadas e três a sinalizar, com necessidades educativas especiais.»

E quanto a projectos futuros?

«Nós desafiamos os nossos técnicos a apresentar propostas que possamos implementar. É uma escola que se rege por padrões pedagógicos e se houver uma professora que queira fazer outro tipo de actividade, estamos disponíveis para aceitar. Também há valores que pretendemos respeitar. Trabalhamos muito com as famílias, com os pais. E a nível de envolvimento, desafiamos as pessoas para utilizarem o nosso espaço. Esta é uma escola para estar integrada no meio. O “ballet”, por exemplo, que é uma actividade extracurricular, está aberta às pessoas de fora. Quem quiser participar, pode fazê-lo. A nível de actividades extracurriculares não limitamos as pessoas, temos muito espaço coberto e se houver alguém que queira aprender a fazer o que quer que seja, logo que seja rentável em termos pedagógicos, nós disponibilizamo-lo.»

Andreia Catarina Lopes

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