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António Arnaut referiu no BarreiroIndústria farmacêutica eles são comerciantes
Abusos nos medicamentos originaram acréscimo de despesa em cerca de cem milhões de euros

. Defende que Cuidados Paliativos e Cuidados Continuados devem estar integrados na Rede Nacional de Saúde

António Arnaut, conhecido como o «pai» do Serviço Nacional de Saúde, participou hoje, à tarde, na Sessão Solene evocativa das Bodas de Prata do Hospital do Barreiro.
Numa breve conversa com os órgãos de comunicação social, respondendo a uma pergunta da Lusa, sobre as alterações dos preços dos medicamentos, sublinhou que – “Se for para melhorar a qualidade do serviço, então essas medidas do medicamento estão correctas”.

“Neste país, há, sempre houve e há-de continuar a haver, grupos de interesses, um dos mais poderosos é o sector da indústria farmacêutica, outro é o sector das farmácias, e, quando se mexe na política do medicamento, naturalmente, eles vêm reagir porque, se a medida ferir os seus interesses eles vêm reagir, isso tem que se aceitar como normal.” – sublinhou António Arnaut, em resposta a uma pergunta do «Rostos».

5 min de leitura
António Arnaut referiu no Barreiro Indústria farmacêutica eles são comerciantes Abusos nos medicamentos originaram acréscimo de despesa em cerca de cem milhões de euros

Por Jornal Rostos

António Arnaut, referiu que - “Há um ano e tal, o Governo através da Ministra da Saúde, decretou a gratuidade de medicamentos genéricos para um conjunto de pessoas, com rendimentos inferiores ao salário mínimo, cerca de um milhão de pessoas, salvo erro.
Agora, se o Governo retirar esse benefício, tem que pagar uma percentagem, embora mínima.”

Acréscimo de despesa de cerca de cem milhões

“A razão que foi adiantada para isso, foi que tinha havido, abusos no uso desse direito, isto é, quem levava os medicamentos, algumas vezes não eram pessoas que tinham direito a ele, mas eram pessoas que não tinham, pois, as receitas eram em nome dessas pessoas.” – sublinhou.
“A ministra disse-me, pessoalmente, que tinham havido abusos, de tal forma que tinha havido um acréscimo de despesa, de cerca de cem milhões, em relação ao previsto. Daí que hajam estas medidas de contenção.” – referiu o «pai» do Serviço Nacional de Saúde.

Se for para melhorar a qualidade do serviço medidas estão correctas

“O ideal seria que certas camadas da população, beneficiassem, nomeadamente pessoas com rendimentos inferiores ao rendimento mínimo nacional, pessoas com doenças crónicas e digamos vitalícias, como os diabetes, essas pessoas que beneficiassem.” - referiu
“Se for para melhorar a qualidade do serviço, então essas medidas do medicamento estão correctas.
Elas não se limitaram, apenas, a subir a comparticipação dos utentes, embora mínima, mas também a reduzir o preço dos medicamentos, e, portanto, a indústria farmacêutica também foi chamada a colaborar na resolução dos medicamentos” – sublinhou António Arnaut.

Eles são comerciantes

Questionado pelo jornal «Rostos» pelo facto de a indústria farmacêutica discordar desta medida do Governo, António Arnaut salientou – “Eles discordam porque lhes retiram seis por cento de lucro. É evidente eles são comerciantes.
Neste país, há, sempre houve e há-de continuar a haver, grupos de interesses, um dos mais poderosos é o sector da indústria farmacêutica, outro é o sector das farmácias, e, quando se mexe na política do medicamento, naturalmente, eles vêm reagir porque, se a medida ferir os seus interesses eles vêm reagir, isso tem que se aceitar como normal.”

Qualidade e a humanização do serviço

António Arnaut, por outro lado referiu – “Mas, eu considero essa questão do medicamento de pouca relevância para o Serviço Nacional de Saúde.
A mim interessa-me mais a qualidade e a humanização do serviço, e a prontidão com que dá resposta às necessidades da população, listas de espera, etc.
O problema dos medicamentos puderem subir uns cêntimos em cada embalagem, embora para algumas pessoas já pese no seu orçamento, porque têm um nível muito baixo, eu penso que isso, é relativamente secundário em relação àquilo que é principal: o principal é a qualidade, a humanização, o rigor na gestão e é a capacidade de resposta, pronta e em tempo oportuno, não é haver listas de espera, longas.”

Cuidados Paliativos e Cuidados Continuados integrados na Rede Nacional de Saúde

Questionado pela Lusa, sobre um dos temas da actualidade, nomeadamente a Autonomia Cuidados Paliativos e Cuidados Continuados, António Arnaut, sublinhou – “Isso é uma questão técnica, para a qual não tenho competência para me pronunciar.
Mas, num exame superficial e numa reflexão que já fiz, eu acho que o Serviço Nacional de Saúde deve ser tão abrangente que cobre as necessidades de saúde da pessoa, antes de nascer, até morrer.
Portanto, os Cuidados Paliativos, ou, os Cuidados Continuados, devem estar integrados na Rede Nacional de Saúde, porque há Cuidados Paliativos, para suavizar a dor e a morte, que são prestados no âmbito dos Cuidados de Saúde, e, nem todos os Cuidados Continuados, são pessoas que estão para morrer, daí a dois meses.
Há pessoas que podem ter uma doença terminal mas podem resistir vários anos.”

Distinguir entre Cuidados Continuados e Cuidados Paliativos

“Temos que distinguir entre Cuidados Continuados e Cuidados Paliativos.
Os Continuados são para aquelas pessoas com doenças crónicas, são continuados no tempo.
Os Cuidados Paliativos são aquelas pessoas que estão numa fase terminal, que precisam suavizar a sua dor.
Mas, isso é feito no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, tem que ter um Hospital de referência, tem que ter médicos de referência.” - referiu
António Arnaut, salientou que – “Está a ser implantada uma Rede de Cuidados Paliativos, assim como há uma rede de Cuidados Primários, assim como há uma Rede de Cuidados Hospitalares, há uma Rede de Cuidados de Reabilitação.
Está a ser implantada uma Rede de Cuidados Continuados e uma Rede de Cuidados Paliativos, mas, integradas no Serviço Nacional de Saúde. Esta é a minha ideia.”

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