Zélia Silva – Vereadora da Câmara Municipal do BarreiroAutarca considera necessário um projecto que «potencie uma nova imagem urbana da cidade»

Por Jornal Rostos
Que balanço faz do ano que agora termina?
Destaco o deficit de participação e o diminuto reconhecimento do Estatuto de Oposição, que se reflecte em dificuldade na actividade dos vereadores do Partido Socialista em discutir, construir e consolidar propostas para o Concelho, no âmbito do mandato para que foram democraticamente eleitos para a CMB. A não disponibilização de documentação solicitada, tais como o balanço de acções realizadas, resultados de iniciativas, etc.
As propostas apresentadas pela maioria comunista em sessão de Câmara, mesmo as estruturantes, são pouco discutidas e apresentadas sem tempo significativo para esse efeito, obrigando, em muitos casos, a maratonas para a sua aprovação. As propostas de carácter social apresentadas pelos vereadores do PS, nomeadamente no âmbito das oficinas domiciliárias, voluntariado e plano de redução de despesa, foram chumbadas ou, quando aprovadas, a maioria comunista ignorou a sua implementação. O Executivo comunista na CMB não entende que a participação é uma relação biunívoca e transparente, que a construção de um projecto de cidade se faz com todos e para todos.
Ao longo do ano tem-se verificado uma constante degradação do espaço urbano, nomeadamente nos pavimentos, (passeios e estradas), e na higiene urbana. No campo da actividade cultural, verifica-se a inexistência de uma programação estruturada, com um fio condutor e objectivos evidentes, assistindo-se a um conjunto de iniciativas avulsas - falta uma programação de referência para a cultura no Barreiro, mesmo que os vereadores do PS admitam que pudesse não ser, ainda, de excelência.
O ano fica também marcado pelo arrastar da revisão do PDM (Plano Director Municipal), que dura há cerca de 6 anos, assim como pelos trabalhos do POLIS, sem data de conclusão à vista. De referir que as verbas em Orçamento de Estado, (OE), aproximadamente meio milhão de euros, para o POLIS estão à disposição do município, não se entendendo o porquê da não conclusão das referidas obras.
Quais as perspectivas para 2011?
O ano político vai iniciar-se com a eleição presidencial. Com expectativa vamos olhar para os resultados no nosso concelho, nomeadamente os indicadores da abstenção, recordando que, no último acto eleitoral, esta se cifrou acima dos 60 por cento. É uma realidade que contraria a propalada afirmação da CDU que o Barreiro é cidade da participação e que deverá inquietar todos os agentes, por indiciar uma fraquíssima participação, fruto também do modelo de gestão local que tem sido implementado.
A nível local no próximo ano é necessário reafirmar que o Barreiro não é só o território, são também as pessoas. Há um deficit de trabalho social no concelho e o município deve desempenhar um papel importante na dinamização social.
O Barreiro continua a carecer de um projecto que perspective todo o território e potencie uma nova imagem urbana da cidade, que se pretende mais moderna e dinâmica. O projecto Quimiparque, iniciativa do Governo PS, apesar da sua enorme importância estratégica, incide em 10 por cento do território do concelho. Para os outros 90 por cento é necessário que se construa um projecto com a mesma consistência e este é de responsabilidade municipal.
Desejo ainda a conclusão do POLIS, fazendo uso das verbas ainda disponíveis para o efeito no OE. É importante e necessária!
Qual, ou quais, os assuntos que considera mais relevantes a nível do concelho?
Destaco a evolução do projecto Arco Ribeirinho para o Quimiparque, com todas as consequências, potenciando mais e melhor emprego, atracção de nova população, requalificação ambiental, paisagística e urbanística. Intimamente ligados ao desenvolvimento que se deseja para o concelho não posso deixar de referir a TTT e o que ela representa para a coesão da Área Metropolitana de Lisboa (AML), com a possibilidade de se estabelecer uma nova ligação ferroviária suburbana entre o Barreiro e Lisboa e a recentralização do território do Quimiparque na AML.
Destaco ainda o investimento realizado nas escolas e equipamentos pré-escolares, num esforço partilhado pelo Governo, pelas autarquias e pelas instituições de solidariedade social do nosso concelho. Em especial, estas últimas souberam vencer todas as dificuldades e demonstrar que a generosidade do trabalho cívico pode mesmo mudar o mundo, começando pelas comunidades onde estão implantadas.
Para concluir, gostaria de deixar a todos os Votos de Boas Festas e de um Ano Novo mais solidário, num concelho em que seja bom viver e onde as pessoas estejam mesmo em primeiro.
Vanessa Sardinha














