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Nuno Santa Clara Gomes – Vereador da Câmara Municipal do Barreiro«Em épocas de crise, o investimento público é fundamental»

“O balanço do ano de 2010 não pode ser considerado positivo”, admite ao ‘Rostos’, Nuno Santa Clara Gomes, vereador da CMB. Neste sentido, o autarca considera que o clima de optimismo no Barreiro sofreu “um rude golpe” e perspectiva que 2011 seja um ano “sombrio”. Para Nuno Santa Clara Gomes, o adiamento da TTT foi um dos factores que contribuiu para condicionar o progresso do país e do concelho, já que, para si, “o investimento público é fundamental” em tempos de crise.

4 min de leitura
Nuno Santa Clara Gomes – Vereador da Câmara Municipal do Barreiro «Em épocas de crise, o investimento público é fundamental»

Por Jornal Rostos

Que balanço faz do ano que agora termina?

O balanço do ano de 2010 não pode ser considerado positivo, quer a nível nacional, quer a nível concelhio.
A nível nacional, o agravamento da crise que já se vinha desenhando desde a descoberta das fraudes e especulações derivadas da falta de regulação dos mercados financeiros, problema para o qual não parece haver solução à vista, vem bater em cheio nas economias mais débeis, e logo mais fáceis de atacar, da periferia da União Europeia.
As medidas tomadas dão ao cidadão comum a desagradável impressão de “estratégia do bombeiro”, sem que as causas ou questões de fundo sejam resolvidas e, pior ainda, um sentimento de impotência e desinteresse que só pode acarretar o descrédito nas instituições. Esta situação reflectiu-se no Barreiro, quer directamente através do desemprego, baixa de rendimento familiar, insegurança no trabalho e nas perspectivas de futuro.
No entanto, nem tudo foi negativo para o concelho. Tivemos a abertura de dois grandes espaços comerciais, o Continente e o Retail Park que, apesar de muitos contestarem os efeitos reais sobre a economia do Barreiro, não deixaram de ser dois pólos de criação de emprego. Claro que não só no concelho; hoje, o mercado de trabalho transpõe até as fronteiras nacionais, quanto mais as da nossa autarquia. Foram abertos novos espaços destinados às nossas crianças, e recuperadas infra-estruturas escolares. Enfim, alguns melhoramentos são de registar.
Continuamos com a situação anómala de os Transportes Colectivos do Barreiro (TCB) não receberem fundos compensatórios, apesar de prestarem um serviço público à semelhança de outros operadores, públicos ou mesmo privados; até se poderia dizer que haveria maior garantia de receber esses fundos se os TCB fossem privatizados…
Não quero deixar de registar uma acção que, se não teve grande impacto na opinião pública, não deixou de ser importante. Refiro-me à remoção dos produtos perigosos que ainda existiam na Companhia de Petroquímica do Barreiro (CPB), e a forma como esse processo se desenvolveu, nomeadamente pela participação de ex-trabalhadores no processo.

Quais as perspectivas para 2011?

As perspectivas para 2011 são sombrias, dado que o Barreiro irá ser atingido no que mais condiciona o seu progresso, ou seja, as suas fontes de receita. Para além dos cortes nas transferências do Governo, o abrandamento da economia, incluindo na área da construção, não deixará de se reflectir negativamente na vida do concelho.
A alteração de vulto para o próximo ano será o início do novo processo de inumação no cemitério de Vila Chã, em nichos de consumpção aeróbia, que se prevê para o início do próximo ano. Não será assunto muito conveniente para a quadra festiva, mas representou um grande investimento da Câmara e permitirá melhorar os serviços, contribuindo para dar aos nossos entes queridos a dignidade que merecem.
O adiamento da construção da Terceira Travessia do Tejo (TTT) também não contribui para melhorar as perspectivas para 2011.
Enfim, nas nossas casas ou na Câmara, aproximam-se tempos difíceis, que porão à prova o verdadeiro sentido da palavra Solidariedade.

Qual, ou quais, os assuntos que considera mais relevantes a nível do concelho?

Para mim, o facto que mais impacto teve no Barreiro foi a decisão de adiamento do início das obras TTT. Em épocas de crise, o investimento público é fundamental, para suprir a redução do investimento privado e relançar a confiança dos investidores – a par, naturalmente, da criação de emprego e do efeito multiplicador das grandes iniciativas. O clima de optimismo que se vinha desenvolvendo no Barreiro, e em todo o Arco Ribeirinho, sofreu um rude golpe.
E há outros efeitos perversos: concorrendo com a política deliberada de esvaziamento da EMEF, de que a não electrificação das Oficinas é o melhor exemplo, o adiamento da TTT pode fazer acelerar o processo de encerramento, já que as novas instalações serão feitas lá mais para a frente… ou simplesmente “esquecidas”.

Vanessa Sardinha

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