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António Duro - Vereador da Câmara Municipal da MoitaEm 2010 um PDM aprovado «mas que não agradou a ninguém»

António Duro, Vereador eleito pelo Partido Socialista, na Câmara Municipal da Moita, refere que no ano 2010 foi feito – “zero em políticas sociais” no concelho da Moita e sublinha que a população – “foi duplamente penalizada em termos de taxas, tarifas, impostos e emprego”.

Para 2011 o autarca – “espera que o Vale da Amoreira tenha o seu Centro de Experimentação Artística, obra decidida e paga pelo governo central a 100%.”

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António Duro - Vereador da Câmara Municipal da Moita Em 2010 um PDM aprovado «mas que não agradou a ninguém»

Por Jornal Rostos

Que balanço faz do ano 2010?

“O ano de 2010 foi um mau ano em termos nacionais e em termos concelhios na Moita. Em obra realizada, em desenvolvimento económico e em emprego.
A população do concelho da Moita foi duplamente penalizada em termos de taxas, tarifas, impostos e emprego. A insensibilidade de quem nos governa foi gritante. Centrando-nos no concelho da Moita e da acção executiva municipal, foi para quem tinha tido uma grande experiência há 20 anos atrás, com pelouro então distribuído, e viu muitas obras realizadas, discutíveis é certo, mas discutíveis por terem acontecido aquelas em vez de outras, quando agora a discussão é do que não foi feito, porque nada foi feito de relevo a não ser a gestão da despesa da própria câmara, uma tremenda frustração. E a frustração é maior quando, embora difícil a situação económica nacional e europeia, havia e há mesmo assim saída para o desenvolvimento do concelho a todos os níveis.
A política estratégica de quem nos governa desde 1974, que assentou sempre no concelho dormitório e no desenvolvimento parceiro da construção civil, mostrou quão errada foi, pelos resultados à vista em 2010.
Foi um longo e agonizante ano em que o concelho se arrastou sem rumo, sem futuro visível, em decadência mesmo, sem obra de realce. E é pena que quem governa a câmara nada tenha feito para que houvesse unidade, força e ideias plurais para enfrentar a crise da gestão municipal. Lá foi adiada a piscina da Moita, o pavilhão da Baixa da Banheira, o tratamento de esgotos do Penteado, etc, lá veio o despesismo com a propaganda a rodos e o luxo com que se fez a mesma, lá veio uma política cultural e desportiva fraquinha, de remendos, pontual, sem um rumo, com muito marketing, lá vieram os custos evitáveis com os muitos assessores e quadros superiores em excesso.
Uma política completamente inexistente na área social, como se o concelho não fosse extremamente carenciado em termos sociais. Houve sempre uma desculpa para ignorar e nunca uma ideia para ajudar. Zero em políticas sociais. Um concelho que manteve em 2010 um ambiente urbano decadente, com as zonas histórico/antigas emparedadas e a ruírem, e que viu um PDM ser aprovado mas que não agradou a ninguém.”

Que perspectivas coloca para o ano 2011?

“Infelizmente o ano 2011 não vai ser diferente deste 2010, esperam-se até mais dificuldades, natural, o problema é de raiz, de estratégia errada num tempo que era o certo para outra política, com repercussões no futuro, agora.
Vamos inaugurar um novo jardim-de-infância na Moita, facto de realce, vai continuar o Maré Cheia e o Boletim Municipal, publicações de luxo e caras, a gastar muito dinheiro em propaganda de regime, vão-se continuar a tapar uns buracos, a fornecer a água, a rede de esgotos para os que já dela faziam parte, força-se/aumenta-se a receita em face da despesa com a Simarsul, mas a esperada estação de tratamento de águas residuais Moita e Barreiro, que a população da Moita já pagou e bem na factura da água em 2010, ao contrário da do Barreiro, será sem dúvida a grande obra de 2011.
Vamos ver se a construção do agora “Açude” da Caldeira da Moita, obra co-financiada, após milhões de desperdício num “famigerado” dique, cujo destaque em 2010, mas pela negativa foi a sua demolição, vai avante e resolve o problema da Caldeira no mínimo em termos ambientais. Esperemos que sim, embora entendamos que foi um erro não discutir o projecto com as associações navais e amigos do rio, e o projecto no seu todo ser redutor do que se poderia fazer mais ali, face ao elevado investimento que se vai fazer. Também se espera que o Vale da Amoreira tenha o seu Centro de Experimentação Artística, obra decidida e paga pelo governo central a 100%.
O Orçamento voltará a não ser cumprido, no mínimo porque a avultada verba lá constante com a venda de terrenos e de garagens no Mercado da Moita não vai uma vez mais ser minimamente atingida. Em 2010, 2009, 2008 e há já vários anos mais que a câmara não consegue vender estes terrenos ou garagens. Aconselhar-se-ia a câmara a alugar estas garagens, há muita gente com o automóvel na rua e que a preços razoáveis estaria interessada em alugar aqueles espaços, e seria verba verdadeira que entraria nos cofres da autarquia. Esperemos que as frágeis finanças municipais não derrapem mais do que o previsto, não agravando ainda mais a situação financeira da câmara face ao elevado endividamento á banca. Gostaria de poder ser francamente positivo, ver algo que me desse alguma esperança de melhoria aqui ou ali, mas eu acho que quem dirige os destinos da autarquia já se acomodou a esta situação, encolhe os ombros e vai sobrevivendo sem chama, sem fulgor, tristemente deprimido e sem ideias.”

Que assunto de maior relevo destaca no concelho no ano 2010?

“Não é fácil encontrar relevo em 2010 no concelho da Moita. Mas a construção co-financiada de um novo jardim-de-infância na Moita, no Palheirão e a construção pela Simarsul da estação de tratamento de águas residuais Moita e Barreiro, obra a que a câmara se viu obrigada a participar em parceria com a Águas de Portugal e a C.M.Barreiro, por imposição do governo, e que vai ao fim de 36 anos de poder local democrático tratar os efluentes domésticos e não só, despoluindo assim um Tejo tão propagandeado mas tão desprezado no seu órgão vital, são os relevos que se podem assinalar e que não ficaram só no papel em 2010”.

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