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Nuno Banza, Vereador da Câmara Municipal do Barreiro«Espero que o Barreiro reconheça e invista seriamente no seu valor próprio»

Nuno Banza, responsável pelo pelouro da Sustentabilidade Ambiental, lembrou que, apesar do contexto de crise económica que afecta o país e o concelho, alguns pontos são importantes de salientar pelo seu carácter positivo. Entre outros, o autarca destacou a fase inicial do processo de classificação do Sapal de Coina e da Mata Nacional da Machada como Área Protegida Local. “Trata-se de uma decisão que põe fim a um impasse de 20 anos”, disse. Já no que diz respeito a 2011, Nuno Banza considera que, para enfrentar situações de grande dificuldade, é necessário investir nas pessoas. “[As pessoas] são o nosso maior capital”.

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Nuno Banza, Vereador da Câmara Municipal do Barreiro «Espero que o Barreiro reconheça e invista seriamente no seu valor próprio»

Por Jornal Rostos

Que balanço faz do ano que agora termina?

Nuno Banza, responsável pelo pelouro da Sustentabilidade Ambiental, lembrou que, apesar do contexto de crise económica que afecta o país e o concelho, alguns pontos são importantes de salientar pelo seu carácter positivo. Entre outros, o autarca destacou a fase inicial do processo de classificação do Sapal de Coina e da Mata Nacional da Machada como Área Protegida Local. “Trata-se de uma decisão que põe fim a um impasse de 20 anos”, disse. Já no que diz respeito a 2011, Nuno Banza considera que, para enfrentar situações de grande dificuldade, é necessário investir nas pessoas. “[As pessoas] são o nosso maior capital”.

O ano de 2010 marcou a população nacional – não sendo diferente no Barreiro - com a instalação de uma crise económica que a afectou de forma muito negativa. A tomada de medidas de austeridade, associada ao aumento do desemprego - que não poupou o Barreiro – marcou o ano que passou. No Barreiro, a acção da autarquia, que se debate com sérias dificuldades financeiras, pautou-se pela continuidade da acção que vinha sendo desenvolvida anteriormente.
Alguns marcos, são no entanto, de destacar. Em primeiro lugar, gostava de dar ênfase à decisão de iniciar o processo de classificação do Sapal de Coina e da Mata Nacional da Machada como Área Protegida Local – trata-se de uma decisão que põe fim a um impasse de cerca de 20 anos, desde a primeira intenção anunciada, de criação do Parque Ambiental do Barreiro que, no entanto, nunca passou do papel. Finalmente a Autarquia aprovou o início dos trabalhos de classificação destes que são os espaços naturais com maior importância para o concelho. Este início não poderia ter sido melhor – a autarquia organizou um período informal de discussão pública que envolveu directamente cerca de 3000 pessoas, tendo a certeza, por isso, de que a mensagem chegou a muitas mais pessoas.
Ao mesmo tempo, concluiu-se o Mapa de Ruído do concelho. O ruído é uma área do ambiente que nem sempre mereceu a atenção devida, mas ela influencia de forma muito directa a qualidade de vida dos habitantes do nosso concelho e foi assim possível conhecer com rigor a situação do concelho em termos de poluição sonora – o que revelou que a situação não é, de todo, animadora!
Vai ser preciso tomar medidas, mas também aqui, só é possível resolver um problema quando o conhecemos bem! E foi isso que fizemos. Todos estes trabalhos e outros de que poderia aqui falar são como corridas de fundo, que levam tempo e representam um esforço grande para a autarquia, mas que funcionam como investimentos de longo prazo e que fazem toda a diferença em termos de qualidade de vida dos habitantes do concelho! É um investimento sério e que, consequente, a seu tempo dará frutos! Resta-nos continuar a trabalhar!

Quais as perspectivas para 2011?

Quando todos os cenários traçam situações de grande dificuldade para o próximo ano, penso que no Barreiro essa situação não será – infelizmente – muito diferente!
As pessoas são o nosso maior capital e é preciso investir nelas. As dificuldades por que passam os desempregados, as pessoas em situação de desvantagem e com um deficit social significativo são as mais vulneráveis às situações de crise que se referem. É por isso que é para essas que é preciso encontrar as respostas mais rápidas.
Ao mesmo tempo não podemos deitar a perder todo o trabalho que vem de trás por causa de novas dificuldades, caso contrário estaremos sempre a começar do início e nunca conseguiremos inverter o ciclo de dificuldade em que estamos! É preciso ser solidário e envolver aqueles que podem, nas estratégias de apoio.
Em 2011 daremos início a uma proposta já aprovada, de constituição de uma bolsa de voluntários no âmbito do Projecto Voluntariado Ambiental Municipal (VAMOS)! Através de uma estratégia de proximidade e envolvimento, será possível contar com o apoio de muitos que estão disponíveis para se envolver na sua comunidade, dando o seu contributo para um bem comum. É uma resposta a uma necessidade e que estamos certos poder ser seguida noutras áreas.

Qual, ou quais, os assuntos que considera mais relevantes a nível do concelho?

Todos os indicadores apontam para um cenário de maiores dificuldades financeiras no futuro, quer para as famílias e empresas, quer para a administração pública. Neste cenário, muitos têm sido os avanços e recuos em relação à Terceira Travessia do Tejo (TTT) – que se encontra actualmente adiada pelo Governo. Independentemente de avançar ou não – sendo conhecida a minha posição de defesa deste investimento para o Barreiro – não me sinto confortável em ver que toda a estratégia de desenvolvimento do Barreiro assentar única e exclusivamente na existência ou não da TTT. Há muito que defendo que o Barreiro deve ter um Plano B! B de Barreiro!
Espero que o Barreiro reconheça e invista seriamente no seu valor próprio! Como primeiro pólo nacional de indústria do Vidro; como centro dos Descobrimentos Portugueses pelo património de Coina e Vale de Zebro; como pólo industrial de proto-indústria – sendo um dos locais com maior concentração de moinhos de vento e maré; como Pólo de indústria ferroviária e química, marcando a revolução industrial em Portugal; com uma Escola Superior de Tecnologia – que precisa de se tornar referência a nível nacional no âmbito da nova estratégia de reabilitação urbana!
E, naturalmente, com uma área de excelência para a conservação da natureza que espero, verá em 2011 reconhecida a sua importância através do seu estatuto legal de protecção.
Por tudo isto, 2011 é um ano de desafios! São as dificuldades que nos impelem a continuar e nos estimulam a fazer bem! É a única solução que nos tirará das dificuldades em que nos encontramos!

Vanessa Sardinha

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