Concelhia do Bloco de Esquerda do Barreiro«Incapacidade do executivo afirmar uma estratégia de desenvolvimento sustentado para a cidade»
Para o ano 2011 o Bloco de Esquerda espera – “que decididamente seja definida uma política de reabilitação urbana e que sejam priorizados os fogos devolutos ao invés de se insistir na nova construção”.

Por Jornal Rostos
Que balanço fazem do ano de 2010?
A nível nacional, 2010 foi um ano de consolidação de políticas anti-sociais.
De PEC em PEC, os trabalhadores foram sucessivamente perdendo direitos e vendo crescer as injustiças protagonizadas pelo grande capital.
Desemprego, precariedade, aumento de impostos e consequentemente da pobreza, foram questões dominantes em 2010.
A nível concelhio, é de registar a conclusão da ETAR Barreiro-Moita, a atenção dispensada à Mata da Machada, enquanto elemento ambiental importante e o grande pulmão da cidade. Foi igualmente importante o impulso dado ao nível da criação de creches e novas escolas.
Porém, não podemos deixar de assinalar, como nota negativa, a pouca atenção atribuída ao pequeno comércio, ao comércio tradicional, para, em contraposição, se seguir um modelo de desenvolvimento assente na prioridade às Grandes Superfícies Comerciais.
De igual modo, vimos perpetuado um conceito de participação que vai excluindo as populações nas decisões a tomar em momentos da maior importância para a orientação futura do Barreiro.
É exemplo disso a rejeição, em Assembleia Municipal, pela força maioritária no executivo camarário, do Orçamento Participativo.
Não deixámos igualmente de assistir, mesmo em tempos de crise, ao aumento de algumas taxas e impostos municipais.
Que expectativas colocam para o ano de 2011?
Sabe-se que 2011 mantém expectativas muito negativas, particularmente para os que têm menos condições económicas, já que até os bens de primeira necessidade não escapam à subida de preços.
A nível concelhio, espera-se que decididamente seja definida uma política de reabilitação urbana e que sejam priorizados os fogos devolutos ao invés de se insistir na nova construção.
Ainda que o orçamento não o faça o prever, esperamos que em matéria de habitação social, a CMB possa vir a ter, finalmente, uma política para a sua promoção, nomeadamente pelo apoio ao movimento cooperativo.
É preciso que, definitivamente, se defina uma política de cidade assente em pilares que apontem para a criação de emprego estável e para o aproveitamento das potencialidades geográficas do Barreiro.
Que assunto de maior relevo destacam no concelho no ano de 2010?
Ressalta como relevante, em 2010, a incapacidade do executivo afirmar uma estratégia de desenvolvimento sustentado para a cidade, com inovação e participação cidadã, cedendo em toda a linha ao poderio económico das Grandes Superfícies Comerciais. Esta transformação por mimetismo e omissão, revela a falta de um projecto cultural global e próprio que pudesse dar corpo a uma visão de futuro para uma terra que se deseja vir a afirmar-se, no contexto do Arco Ribeirinho Sul, da Área Metropolitana de Lisboa e da Península de Setúbal.














