Amélia Militão – Barreiro«A escrita faz parte de mim desde sempre»
Agora, aposentada, dedica os seus tempos livres a escrever – “e ao meu neto”. O seu primeiro livro de poesia – “Eterna Incerteza” - foi lançado a semana passada na Biblioteca Municipal do Barreiro e, esse, foi o ponto de partida para uma Conversa com o jornal «Rostos».

Por Jornal Rostos
A Editorial Minerva promoveu a sessão de apresentação da obra poética «ETERNA INCERTEZA», de Amélia Militão, na Biblioteca Municipal do Barreiro.
Amélia Militão, é natural do Lavradio, concelho do Barreiro, onde nasceu a 2 de Junho de 1955, no coração do Lavradio Velho.
Recorda que nos seus tempos de infância, ali, na Rua Dom António Chatillon e Beco Do Forno – “nós podíamos brincar na rua, as pessoas que ali viviam éramos todos uma família”.
Refere que foi na SFAL – Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense e no Sporting Clube Lavradiense que descobriu o mundo dos livros, na Biblioteca do Sporting Clube Lavradiense.
Frequentou o Ensino Primário no Lavradio – “na escola do Alto da Igreja, da 1ª à 4ª classe, com a Professora Cesaltina”.
Depois seguiu-se a Escola Alfredo da Silva onde concluiu o Curso Comercial.
Do Barreiro para Moscovo
Após concluir o ensino na Escola Alfredo da Silva, seguiu para o mundo do trabalho, no ano de 1973, primeiro na CUF e depois na CP.
Posteriormente, candidatou-se a uma Bolsa de Estudo e foi estudar para Moscovo, onde concluiu a Licenciatura de Russo e Inglês.
Na nossa conversa refere os anos que viveu na Rússia de 1978 a 1982 – “tenho boas recordações desse tempo, muitos bons colegas, dos mais diversos pontos da União Soviética, da Ucrânia, da Bielorússia. Era muito bom, todos nos ajudávamos muito uns aos outros”.
“Sabe uma coisa que me impressionava muito era verificar que toda gente lia, pessoas de idade velhinhas, no Metro toda a gente lia” – recorda.
Da CP para Brixelas
De regresso a Portugal, nos anos 80, sentiu os efeitos da profunda crise que abalou o país, com situações de desemprego e fome.
“Eu fiquei no desemprego. Fui vivendo de trabalhos temporários” – refere.
No ano 1987 retomou a sua actividade na CP, mas, sempre na procura de novos sonhos participou num Concurso, e, no ano 1989 foi trabalhar para o Conselho da União Europeia.
“Vivi quase 22 anos em Bruxelas, trabalhando nas altas instâncias da União Europeia”- sublinha.
Amélia Militão é casada, tem uma filha a Ana com 29 anos.
Viver o mundo da escrita
“A escrita faz parte de mim desde sempre, desde que me lembro sempre escrevi” - salienta.
Recorda os tempos que lia as obras que requisitava nas carrinhas da Gulbenkian.
Amélia Militão, desde o ano 2005, integrou o Círculo Literário da União Europeia.
“A meu pedido, o Círculo criou uma revista, onde publiquei muitos textos, poesia, editados em português e traduzidos em Francês e Inglês” – sublinha.
Igualmente participou numa revista de um Grupo Literário Belga, onde divulgou autores portugueses.
Construir e reconstruir a saudade
O livro segundo referiu –“estava pensado já há algum tempo” – uma obra, que ao lermos, sentimos que procura falar das suas raízes, a sua reflexão sobre a cidade enquanto lugar de vivências e partilhas, expressa as suas recordações da passagem por Moscovo – lugar que guarda com saudade e não saudade -, também as vivências em Bruxelas, afinal um espaço onde se reencontrou, se construiu e reconstruiu, e, neste livro, através da sua poesia, tudo emerge como uma esperança e um sorriso voltado para o futuro.
Um livro onde, talvez, procura encontrar-se e reencontrar-se, nos sonhos, onde a palavra surge, afinal, com o peso de uma recusa, os sons vivos de alguém que não aceita chorar, e, que, por dentro sentindo-se feliz consigo mesma, reconhecendo todas as aprendizagens que a vida lhe deu, recria as experiências, por dentro das palavras, mas, há um silêncio que toca, na “incerteza da insónia”, onde revê pensamentos, e, desconfia da felicidade.
Comentámos com Amélia Militão esta breve e rápida interpretação do seu livro.
“É perfeitamente correcta” – disse-nos.
Estou a escrever dois romances
Amélia Militão, agora, após este seu primeiro livro de poesia, está a trabalhar num romance.
“Estou a escrever dois romances. Um deles está praticamente acabado. O outro vai levar um certo tempo.
Espero que o meu primeiro romance poderá vir a ser editado no inicio do próximo ano” – salienta.
Recorda que foi uma surpresa a apresentação do seu livro – “Eterna Incerteza” – que decorreu na Biblioteca Municipal do Barreiro.
“Fizeram criticas muito positivas que eu não estava à espera. Fiquei muito contente, ao sentir que um trabalho é apreciado.
Isto é sempre muito importante, porque partilhamos outras opiniões” – sublinha.
Amélia Militão está aposentada, e, como nos diz – “o meu tempo agora é para a escrita e para o meu neto”.
Foi uma conversa breve, com Amélia Militão, uma barreirense que acredita nos sonhos e nos sorrisos da vida.














