Jorge Fagundes – ex-candidato do PS à Presidência da Câmara do BarreiroBarreiro de hoje não é tão solidário como o Barreiro de há 35 anos
“Passados estes anos todos, eu que sou o único sobrevivente dos eleitos do PS, continuo a ter relações de muita amizade com os quatro elementos do PCP, ainda restantes.Naquele tempo, havia uma gestão colegial e idealista.” – sublinha Jorge Fagundes.

Por Jornal Rostos
Numa breve conversa com Jorge Fagundes, perguntámos como sentia esta data evocativa dos 35 anos do Poder Local.
“Sinto com uma certa nostalgia. Tendo em conta, designadamente a evolução negativa, quanto a mim, que foi existindo aos longo destes anos.
Éramos uma equipa relativamente coesa
Evolução negativa, porquê?
“Negativa, porque, quando fomos eleitos, seis na lista do Partido Comunista, quatro filiados e dois que não eram, mais três eleitos do PS, todos nós encarámos a eleição sem partidarismo.
Nós, éramos uma equipa relativamente coesa, com a ilusão que estávamos a trabalhar para bem do Barreiro.
Posteriormente, começou a partidarite a entrar em acção, e, aquela forma de estar na autarquia inicial, hoje, já não existe.
Passados estes anos todos, eu que sou o único sobrevivente dos eleitos do PS, continuo a ter relações de muita amizade com os quatro elementos do PCP, ainda restantes.
Naquele tempo, havia uma gestão colegial e idealista.”
Perdeu-se o espírito que animou as autarquias no início
Que sente no dia de hoje?
“Vejo que, com o decorrer dos tempos, as posições têm-se extremado e tem-se perdido aquele espírito que animou o primeiro executivo municipal”
Não conseguem esquecer o emblema que usam na lapela
Acha que é possível que um executivo seja composto por eleitos de diferentes forças políticas?
“Acho que sim, desde que consigam ultrapassar o facto de terem emblemas diferentes.
O grande problema é que, muito boa gente, quando entra para as sessões de Câmara, não consegue esquecer o emblema que usa na lapela”.
Perdeu-se o espírito barreirense
“O Barreiro mudou. Mudou, porque o Barreiro de hoje não é tão solidário como o Barreiro de há 35 anos, e, até, antes do 25 de Abril. Há muitas alterações nas relações humanas, perdeu-se o espírito barreirense.
No espaço público, fatalmente, existiram melhorias para melhor.”














