O coração como tema da “Egoísta” de Março

Por Jornal Rostos
E desde o coração nas mãos de quem o vê já sem vida, às ficções mais extraordinárias, descobrimos que o coração não é sinónimo exclusivo da ideia de romance.
Sobre o coração, como proposta temática, escreve Mário Assis Ferreira: “Por destino ou por capricho, há um músculo que nos comanda, que nos dá e tira a vida, que matiza esse percurso em volúpias do imaginário (...) E sendo tanto e tão disperso, dele evoco o pouco que no coração mais me fascina: o seu tropel na força da adrenalina, quando corpo e alma se fundem no amplexo de uma emoção. No primeiro beijo, no nascer de um filho, no rosto de uma mãe, no longo anseio conquistado, na partilha com alguns amigos. E na sua ausência. Talvez seja isso que mais marca o coração - o meu coração: o silêncio de quem não está”.
Os exemplos de leitura obrigatória nesta “Egoísta” são simples de encontrar e estão assinados. De António Mega Ferreira a Inês Pedrosa, de Filipa Melo a Pedro Oliveira, de Vasco Graça Moura a Hugo Gonçalves (no caso das Letras); a Pedro Cláudio e Helena Gonçalves, Augusto Brázio a Daniel Krtsch, a Nuno Ribeiro ( a contar histórias com imagens), temos aqui um verdadeiro pulsar para boas leituras.
O maior órgão do corpo não é - ao contrário do que se poderia pensar - o coração. A sua imensidão chega-nos simbólica e metaforicamente, remetendo-o órfão como a pele para localidades bem distantes da nossa imaginação.
Percorrer a “Egoísta” de Março, página a página, é um exercício apaixonante e sedutor. Ou não estivesse em causa o coração.














