“Correio da Manhã” destacaMercúrio - à pesca do perigo no Tejo

Por Jornal Rostos
Na noticia, hoje, divulgada no jornal “Correio da Manhã” refere-se que o “estuário do Tejo, entre os mais poluídos da Europa, é depósito de 21 toneladas de mercúrio. “A melhoria do tratamento dos efluentes industriais e consequente eliminação ou redução de emissões não teve qualquer efeito na concentração de mercúrio em sedimentos”, diz o investigador João Canário, num estudo realizado para o Instituto de Investigação das Pescas e do Mar. Indiferentes ao perigo, os pescadores continuam à espera de que o linguado do estuário do Tejo pique.”
Acrescenta-se que o “mercúrio é absorvido por microrganismos que servem de alimento aos peixes, que depois acabam na mesa do homem.”
Entretanto, citando Mário Duval, Delegado de Saúde Pública do Barreiro, este sublinha “que o perigo não resulta da ingestão ocasional de peixe com algum daquele metal, mas da exposição repetida a baixos teores, uma vez que o organismo humano não se livra dele com facilidade – tende a acumulá-lo”
Sublinha-se a noticia do “Correio da Manhã” que “da exposição crónica a baixas concentrações de metais pesados, incluindo o mercúrio, resultam alterações do sistema nervoso central, lesões no córtex e na capa granular do cérebro. Também os órgãos do sistema cardiovascular, urogenital e endócrino podem ser afectados.”
Mário Durval diz “Não ao linguado”
Entretanto acrescenta a noticia que “o linguado, o robalo, a anchova e a enguia contam-se entre as espécies que – alimentando-se no fundo ribeirinho, onde se deposita o mercúrio – são mais susceptíveis.”
Mário Durval, comenta que costuma evitar o linguado quando, num restaurante da cidade, pede um prato de peixe. “Prefiro os que andam mais à superfície”, afirma, adiantando que “o mais importante é diversificar a alimentação, não comer sempre o mesmo”.
Sobre o mercúrio, produto da indústria química no Barreiro, entretanto atenuada, e na zona da Azambuja, o médico observa: “Tentar retirá-lo implicaria movimentar os sedimentos, o que não convém.”
Focos de maior poluição na área do Montijo
Acrescenta a noticia do “Correio da Manhã” que “O Plano de Bacia Hidrográfica do Rio Tejo prevê a existência no tempo de contaminação do estuário. “Uma parte dos problemas está associada a poluentes de carácter tóxico, persistente ou bioacumulável, com efeitos a longo prazo, em várias espécies e ecossistemas e, em geral, fortemente associados aos sedimentos, pelo que a sua permanência no meio hídrico será de longa duração, mesmo após ser eliminada a sua origem ou atenuada severamente a sua descarga.”
O investigador João Canário constatou que, em relação aos primeiros estudos, de 1985, os focos de maior poluição deslocaram-se ligeiramente do canal da CUF para uma área mais próxima do Montijo. Isso fica a dever-se não só ao movimento natural dos sedimentos, ligado às correntes, mas também à retirada de areia e sedimentos para facilitar a navegação.
No âmbito da mesma investigação, publicada na edição 50 do ‘Marine Pollution Bulletin’, João Canário concluiu que entre as 21 toneladas de mercúrio total existem 24 quilos de monometil de mercúrio, substância muito tóxica.”














