Falta de nutricionistas no Distrito de SetúbalDos 13 Municípios nenhum tem nutricionista

Por Jornal Rostos
“Sabia que é da responsabilidade dos municípios a escolha dos menus escolares do ensino pré-escolar e 1º Ciclo e que muito poucos podem contar com a colaboração de nutricionistas?” – é uma pergunta colocada pela Associação Portuguesa dos Nutricionistas.
Dos 13 Municípios de Setúbal nenhum tem nutricionista
Esta é uma tarefa algo complicada, sublinha a APN, referindo que nenhum dos 13 municípios de Setúbal trabalha com o apoio de nutricionistas.
De acordo com a Lei 159/99, de 14 de Setembro, que atribuiu aos municípios as competências nos domínios da educação, saúde, acção social, defesa do consumidor e promoção do desenvolvimento, cabe ao município dispor de meios técnicos (nomeadamente nutricionistas) que assegurem uma alimentação equilibrada e adequada às necessidades da população escolar do ensino pré-escolar e 1º Ciclo.
ESCOLHAS DESADEQUADAS ÀS NECESSIDADES DAS CRIANÇAS
Nas escolas cujos municípios não possuem nutricionistas ou que não contrataram uma empresa para a confecção das refeições, a escolha dos menus escolares é feita com recurso aos cozinheiros ou com a colaboração de alguns professores, os quais não têm os conhecimentos necessários e adequados para responder às necessidades nutricionais das crianças destas idades.
Para Alexandra Bento, Presidente da Associação Portuguesa dos Nutricionistas (APN), esta situação é inadmissível: “É sensivelmente até aos 11 anos que a criança se habitua a comer de forma correcta, pelo que a alimentação escolar é fundamental para criar hábitos saudáveis desde tenra idade”.
Alexandra Bento, acrescenta ainda que na prevenção é que está o ganho e só assim será possível reduzir o número de crianças obesas e pré-obesas em Portugal. Ou seja, “é urgente aumentar o consumo de fruta, legumes e peixe, em detrimento das carnes vermelhas (como a vaca e o porco) que, como sabemos, é excessiva em algumas escolas”, continua a presidente da APN.
Actualmente, os dados veiculados pela Direcção-Geral de Saúde (DGS) alertam para o facto de 25% das crianças entre os 3 a 5 anos terem excesso de peso, um valor que cresce para 30% nas crianças dos 7 aos 11 anos. Uma das principais causas está na mudança dos hábitos alimentares, com a substituição da dieta mediterrânica por alimentos ricos em gorduras, açúcar e sal. Em Portugal estima-se que 3,5% das despesas totais da saúde estejam relacionadas com as doenças provocadas pelo obesidade, daí “a necessidade de se apostar na prevenção”, reforça Alexandra Bento.
PAPEL DOS NUTRICIONISTAS NOS MUNICÍPIOS
Nos municípios é da competência do nutricionista identificar e avaliar os problemas nutricionais dos diferentes grupos sócio-económicos presentes na comunidade.
Entre as suas tarefas destaca-se:
• A definição uma política de alimentação e nutrição para o município;
• Negociar as mudanças na estrutura das ementas composição de refeições e preparação de pratos em cantinas, bufetes escolares, restaurantes, empresas fornecedoras de refeições, cantinas públicas e privadas e cozinhas hospitalares
• Planear, organizar, implementar e avaliar programas de formação em nutrição destinados a profissionais de saúde - professores, fornecedores de alimentos;
• Planear, organizar, implementar e avaliar programas de educação nutricional para as escolas e público em geral;
• Negociar as mudanças na indústria alimentar de acordo com as normas dietéticas e objectivos da política municipal sobre alimentação e nutrição.














