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Quotidianos

COMO UM INFINITÉSIMO DE ORDEM SUPERIORPor Hélio Bernardo Lopes
Barreiro

Muito sinceramente, cá estarei para ver quem irá embarcar, no seio da nossa vida político-social, nesta iniciativa liderada pelo Presidente Cavaco Silva, e que acabará por voltar a apontar para a ideia de um consenso de médio prazo... Será que o PS de Seguro vai embarcar nesta nova-velha proposta?

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COMO UM INFINITÉSIMO DE ORDEM SUPERIOR Por Hélio Bernardo Lopes Barreiro

Por Jornal Rostos

Fiquei completamente boquiaberto com as palavras de Ano Novo do Presidente Cavaco Silva, neste início de 2014. Nem uma boa dose de imaginação, como agora penso, permitiria estimar algo como o que os mais interessados e atentos puderam agora ouvir do Presidente da República. Simplesmente inenarrável! O nulo valor das suas palavras neste discurso só consigo compará-lo ao de um infinitésimo de ordem superior.
Num certo sentido, este meu texto nem sequer devia ser escrito, tal foi a completa inutilidade do conteúdo das palavras do Presidente Cavaco Silva, ou o seu cabal desfasamento face à realidade atual e histórica recente. Mais: fica-me a impressão de que o Presidente Cavaco Silva não disporá de uma ideia capaz da sua falta de credibilidade política junto dos portugueses. Este discurso, como pôde ver-se, terá sempre de acentuar essa já vasta e singular falta de credibilidade política.
Simplesmente, eu tenho o dever de comentar este discurso presidencial, por muito nulo que seja o valor do seu conteúdo. Focarei, pois, um conjunto mui limitado de pontos do mesmo, que reputo de principais: a situação de Portugal ao início da reprovação do PEC IV, o problema do consenso político de médio prazo e o das comemorações do quadragésimo aniversário da Revolução de 25 de Abril.

Em primeiro lugar, a situação de Portugal ao início da reprovação do PEC IV. Foram muito infelizes as considerações do Presidente Cavaco Silva, porque a generalidade dos portugueses mais bem informados sabe já que Merkel e Bruxelas ficaram deveras incomodados com a referida reprovação, depois de se terem esfalfado, juntamente com José Sócrates, para evitar que Portugal tivesse que deitar mão de um sempre doloroso resgate. Infelizmente, para lá do Presidente Cavaco Silva nada ter feito ao redor – então sim – do tal consenso, a verdade é que PSD, CDS/PP, PCP, Verdes e Bloco de Esquerda lá se determinaram a lançar Portugal e os portugueses para a triste sina que se vem vivendo.
E não colhe a tal referência ao seu alerta para uma potencial situação explosiva, porque se fosse essa a realidade, dar a tal a publicidade oriunda da palavra presidencial, acabou por tornar-se no melhor manjar para os sequiosos mercados e para as (garantidíssimas) empresas de notação financeira. Otávio Teixeira, antigo colega do Presidente Cavaco Silva no Banco de Portugal, em pleno Frente-a-Frente, explicou bem os efeitos dessa infeliz declaração do Presidente Cavaco Silva.

Em segundo lugar, a completamente inútil insistência na ideia do problema do consenso político de médio prazo. Infelizmente, trata-se de uma ideia tardiamente trazida à vida político-partidária, para lá do facto de que o Presidente Cavaco Silva parece falar de uma realidade cujos contornos não apresenta, dando a ideia de que esse consenso é único, já proposto pela atual maioria, e que só o PS o recusa. Mas consenso ao redor de quê?

E, em terceiro lugar, as comemorações do quadragésimo aniversário da Revolução de 25 de Abril. Em boa verdade, tais comemorações só são agora apontadas por via da situação para que a atual Maioria-Governo-Presidente conduziu Portugal e os portugueses. Simplesmente, essas comemorações podem ter lugar por iniciativa, por exemplo, da Associação 25 de Abril, dando corpo a um seminário vasto, que congregue portugueses que tenham vivido os acontecimentos históricos em causa, retirando desse encontro linhas de orientação política, económica e social para o futuro de Portugal.

Muito sinceramente, cá estarei para ver quem irá embarcar, no seio da nossa vida político-social, nesta iniciativa liderada pelo Presidente Cavaco Silva, e que acabará por voltar a apontar para a ideia de um consenso de médio prazo... Será que o PS de Seguro vai embarcar nesta nova-velha proposta?
Enfim, termino aqui o que gostaria de não ter escrito, ou seja, o comentário a um discurso cujo valor é o de um infinitésimo de ordem superior. E se já se não discute que o Presidente Cavaco Silva é o Presidente da República que tivemos até hoje na III República com pior imagem política, este seu discurso terá sido, porventura, o pior por si desde sempre proferido. Inenarrável!!

Hélio Bernardo Lopes

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