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Quotidianos

IMPARÁVEIS MESTÁSTASESPor Hélio Bernardo Lopes
Barreiro

A localização geográfica do País, tal como o lamentável número de portugueses detidos em países estrangeiros por via do seu envolvimento nesta atividade, bom, percebe-se que o panorama nacional no domínio do tráfico de estupefacientes, para lá de terrível, e certamente em franco crescimento, parece estar para ficar.

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IMPARÁVEIS MESTÁSTASES Por Hélio Bernardo Lopes Barreiro

Por Jornal Rostos

Quase com toda a certeza, este será o meu n-ésimo texto sobre o tráfico de estupefacientes, sendo n um número inteiro muito elevado. Textos escritos, em geral, ao redor da realidade observável em Lisboa e a partir desta, mormente durante os finais das semanas. Escrevo hoje a propósito, precisamente, do que foi noticiado como tendo tido lugar no passado fim-de-semana, mas na cidade do Porto.
Assim e ao que se noticiou, uma ação ampla da PSP no Porto levou à detenção, por razões diversas, de cerca de duas centenas e meia de concidadãos nossos. Tal acontecimento, porém, pela sua frequência e pela sua tipologia, nada apresenta de singular, ao ponto de merecer um qualquer escrito de jornal, para lá da mera notícia. E, mesmo assim, apenas de passagem.
Desta vez, porém, e nos termos do que retenho de memória, o que me causou algum espanto foi o número de doses apreendidas: mais de cento e dez mil... Se a isto se juntar a frequência destas operações policiais, há logo uma conclusão que se pode tirar: tal atividade continua em franca expansão, porque se sucedem as operações, tal como as detenções e as apreensões, sem que se lhe perceba uma paragem razoável.
Note-se, em todo o caso, que tal realidade não se ficou apenas pelo Porto, tendo existido ações similares noutras cidades do País, apreendendo-se quase cento e trinta mil doses de drogas diversas. Realidades que induzem, com probabilidade elevada, a ideia de que o Portugal destes dias é um corpo social verdadeiramente repleto deste tipo de metástases, que parecem não parar de se desenvolver e multiplicar.
Se a tudo isto se juntar a localização geográfica do País, tal como o lamentável número de portugueses detidos em países estrangeiros por via do seu envolvimento nesta atividade, bom, percebe-se que o panorama nacional no domínio do tráfico de estupefacientes, para lá de terrível, e certamente em franco crescimento, parece estar para ficar. E, de facto, desde que se esteja atento ao que decorre ao nosso redor, torna-se elementar perceber ser esta a dolorosa realidade da nossa atual sociedade em franca decadência. É um problema com décadas, mas que piora a cada dia. Basta estar atento e logo se percebe uma tal realidade.

Hélio Bernardo Lopes

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