A Qualidade da VidaPor Henrique Silva

Por Jornal Rostos
O fio dos acontecimentos destes últimos trimestres, permite constatar que o país, vai cumprindo certos parâmetros financeiros impostos desde fora, mas temos de reconhecer que os sacrifícios da classe média são tantos, social e economicamente, que há motivos mais que suficientes, para que se adote uma atitude defensiva, pessimista, autocrítica sobre o modelo, a qualidade da democracia, a qualidade de vida a que se tem chegado. Deve haver atitudes diferentes, que levem a penalizar e aprender retificando os erros do passado. Mas os tempos passam e não se vê indícios de que assim seja. Pelo contrário, há uma compulsão tal em regressar aos mercados que preocupa, tanto mais que sabemos que esta melindrosa e explosiva situação, se vier a melhorar será ao fim de vários anos que não serão poucos. Assim as coisas, as pessoas rasgam-se as vestiduras, mas ninguém se atreve a sugerir o essencial, uma revisão Constitucional, que dê lugar a uma progressiva evolução da Democracia representativa praticada nos nossos dias, para uma melhor na qual o povo participe com voz e voto nas decisões mais importantes que possam precisamente solucionar os inúmeros problemas que há por solucionar, num mundo Globalizado cuja dinâmica é tal que cria um estado de angústia enorme e uma violência subjetiva e real. assim como a forma como para retificar e aprender dos fracassos do passado. Toda a gente reclama, critica, mas ninguém se atreve a pensar e sugerir alternativas. Os Partidos políticos dão dó, o povo segue atento, como uma esponja, absorvendo de forma mais ou menos consciente demasiadas energias negativas, a incompetência, a falta de valores dos chicos espertos, a insegurança física e patrimonial, de uma sociedade da qual ninguém se quer ocupar. O Contexto social é mais que preocupante, é quase inviável. Por esse motivo, segue entravado o Progresso do país e a convivência saudável da sociedade portuguesa. As coisas, não vão ser fáceis para ninguém e menos para para uma maioria quilométrica, sem forças nem oportunidades para se levantar.
Os poderes instalados afirmam que já tudo vai melhorar. Ora precisamente essa melhoria, é incerta, por muitas razoes e porque neste desastroso processo europeu e principalmente americano, alguns países importantes, entre eles, a França, a Inglaterra ou a mesma Alemanha, continuam a ver como as suas economias continuam desvalidas e demasiado vulneráveis. Não é só em Portugal que há problemas.
Há, paralelamente uma serie de valores perdidos que fazem muita falta, muita desonestidade intelectual, populista da parte dos políticos, que se diria proceder de qual psicólogo sem ética, que opta pelo deixa-andar e ver que sucede.
Se subestima a inteligência e o bom senso dos sem camisa..
A desintegração latente continuará, se não se apresentam condições e decisões tangíveis e firmes.
Não quero terminar sem dizer que, sendo o jornal Rostos um meio da comunicação social de reconhecida trajetória, que cultiva mais valias, com moderação e pluralidade, que é lido diariamente por mais de duas mil pessoas, carece de uma falta de participação da parte dos seus próprios leitores e comunicantes.
Ora, este fato é devido a esse clima sociológico percebido pelas bases, como desfavorável, tenso e angustioso. As fraturas que têm havido deixam traumas inevitáveis que amordaçam a normal essência social.
Tanto trabalho que há por fazer.
Jovens inteligentes e qualificados, trabalham em empresas de altas tecnologias, no estrangeiro. Há casos de muito sucesso. Contudo, isto representa uma perda enorme para o capital cultural, social e profissional do país.
Há que reagir e assumir as profundas reformas que a sociedade portuguesa necessita para sobreviver, na dignidade e com progresso tangível.
Se não se cuida do Povo, e não se trabalha encarnadamente, nada de bom poderemos esperar.
Bom Ano Novo para todos.
Henrique Silva – Janeiro 2014














