O Conde de MonsarazPor Nuno Santa Clara
Barreiro
Esteve lá tudo, até um inesperado (?) meteoro, com enaltecimento de influentes, com palavras ternas para vários lados, e com uma dose de ironia de fazer inveja ao Conde.

Por Jornal Rostos
António de Macedo Papança, 1.º Visconde e 1.º Conde de Monsaraz (nascido em 1852, em Reguengos de Monsaraz, e falecido em1913, em Lisboa) foi uma figura notável no seu tempo. Não sendo de origem fidalga, foi nobilitado sucessivamente pelos reis D. Luís e D. Carlos (de onde os títulos), foi Deputado e Par do Reino.
À Escola Secundária de Reguengos de Monsaraz foi atribuído o seu nome, homenagem justificadíssima a tão ilustre filho da terra.
Além de político, foi também escritor e poeta. E é desta última faceta que vamos tratar.
Conhecedor do seu tempo, verteu num dos seus poemas uma crítica à sociedade da sua época, obra que inspirou há já alguns anos (mais precisamente em 1971) uma canção, com música de José Niza, cantada por Adriano Correia de Oliveira, de que os mais velhos se recordarão.
Chamava-se a canção, tal como o poema, “O Senhor Morgado”. Era uma obra satírica, mas com uma atualidade que nos leva a meditar sobre se ele conhecia apenas o seu tempo, ou se conhecia todos os tempos da nossa História.
Aqui vai um trecho do poema:
O senhor morgado
Vai nas próprias pernas
Todo bambeado;
Tem palavras ternas
Para cada lado.
Quando passa sente
Que é temido e amado.
Fala a toda a gente
Topa in influente
“Sou um seu criado!”
Eleições à porta,
Seja deus louvado!
Uma vez que mais eleições estão à porta, seria conveniente meditar sobre este pequeno poema, que tanto tem a ver connosco.
Está na hora de arranjar consensos, de ter palavras ternas para todas as tendências, de falar com todas elas, de aliciar os influentes; sobretudo, está na hora de ser amado.
Quanto a ser temido, isso fica para depois, na atribuição dos cargos ou nos ajustes de contas.
Um pequeno exercício mental: tentemos analisar o acontecimento político mais importante deste último fim-de-semana à luz do Conde de Monsaraz.
Esteve lá tudo, até um inesperado (?) meteoro, com enaltecimento de influentes, com palavras ternas para vários lados, e com uma dose de ironia de fazer inveja ao Conde.
Afinal, o que mudou neste País?
Nuno Santa Clara














