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Passos anunciou o «dia da libertação»Por José Assis
Seixal

Passos parece querer dizer que se está a libertar de si próprio, quase a reconhecer um processo de catarse, nele próprio ocorrido, durante estes 3 anos. Isto é de tal ordem estranho que Francisco Assis está certo quando disse que nada mais se espera deste governo.

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Passos anunciou o «dia da libertação» Por José Assis Seixal

Por Jornal Rostos

Nunca uma revolução teve declaração iniciadora tão pobre como a que Passos Coelho anunciou neste domingo, a propósito do modelo de cessação do programa de ajustamento.

Em primeiro lugar, Passos equiparou a" saida limpa" ao 25 de Abril de 1974. Quer dizer: se há uma parte libertadora, com o final do programa de ajustamento, revisto por este governo, ( se é que há) esquecer que, o próprio Passos Coelho, disse, logo no inicio do programa, que iria para além dos opressores ( troika), é perder o essencial. Ou seja, Passos parece querer dizer que se está a libertar de si próprio, quase a reconhecer um processo de catarse, nele próprio ocorrido, durante estes 3 anos. Isto é de tal ordem estranho que Francisco Assis está certo quando disse que nada mais se espera deste governo.

Em segundo lugar, Passos tenta devolver os sacrificios que os portugueses tiveram que fazer, e os que Passos queria que fizessem ( injustos e desproporcionais, como declarou sobejamente o tribunal consitucional) para uma homenagem que se centrará no próprio dia em que cessar o programa. Quer dizer: uma revolução popular em homenagem aos sacrificios injustos, mas que servirá para homenagear também, homenageando os sacrificios, quem os impôs. Mais uma vez é preciso dizer a Passos Coelho que uma revolução pressupoe uma rutura e que, neste caso, homenageando as vitimas para que estas glorifiquem os seus próprios sacrificios injustamente impostos, dará como conclusão branquear as injustiças e, portanto, fazer com que os que têm legitimidade para se revoltar ajudem os argumentos de continuidade.

Em terceirto lugar, Passos quer dar à comunidade internacional o exemplo de que cumpriu o programa como se fosse o único, esquecendo que é a própria UE e FMI que quis a libertação que Passos designa como tal.

Como já se viu nem Passos sabe o que é uma revolução nem Marcelo Caetano teve sucesso na sua teoria da "evolução na continuidade".

José Assis

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