The ObserverPor Henrique Silva
Barreiro

Por Jornal Rostos
Ante uma conjuntura históricamente desfavorável e complexa – como muitas outras do passado, que empezinha inestéticamente o Mundo, dando-nos a impressao que rodamos num circulo fechado e morosamente repetitivo, entendo querer partilhar hoje com os leitores, o fato que resgatar a confianza, a fé e a auto-estima é, nao só um dever, mas uma obrigaçao de todos. Devemos, estar conscientes tanto a nivel coletivo como a nivel pessoal, que esse resgate é uma obrigaçao incondicional de todos, como também o é o da firmeza, na luta - para preservar a nossa individualidade, os nossos ideiais, as nossas ideologías, abertos, propensos, ao mesmo tempo, a uma Solidariedade de principio, na aceitaçao da diversidade que representamos e expressamos. A nada chegaríamos, se nao se ve nessa Solidariedade, um sinal mais ou menos harmónico de Unidade e de Identidade. Felizmente, há uma dinámica, que atua em forma remota mas constante sobre os acontecimentos, com uma mecânica propia e relativante nem sempre fácil de identificar.
É uma dinâmica, abstrata ou volúvel que existe, como uma força tangível que nos ultrapassa, que nos obriga a andar para a frente, mesmo se muita gente tende a encará-la como um fator preponderadamente negativo. Precisamente, essa dinámica, que induz as mudanças, que nao sao mais que ajustamentos espaciais, pode trazer boas e até muito boas coisas, como pode igualmente acontecer que assim nao seja na totalidade. As imperfeiçoes existem porque somos imperfeitos, entre as boas moléculas. As imperfeiçoes, inseridas num proceso de câmara lenta, uma vez avaliadas e tomadas em conta, deveriam corrigir-se ou quase auto-corrigir-se colegiadamente, com a participaçao consciente e responsável de todos absolutamente.
Para corrigir, há que conhecer e saber debater o problema e ver as soluçoes possiveis. Todos os problemas têm soluçao, até pode ser que às vezes sejam conflitivas entre elas, abertas a polémicas ou extravasamentos a evitar. Há normativas, leis, enfim ferramentas que num estado de Direito, permitem ou deviam permitir a prática da Justiça plena, de hoje para o amanha, na hipótesis da obter essa harmonia, física e moral, que nos carencia entre as pessoas.
Tudo isto me leva a constatar, como todos constatamos, que há quatro extrabrutos, entre muitos outros, que afetam em forma direta a nossa Educaçao civica. Extrabrutos que imperam de uma forma exagerada, violenta, mais ou menos consciente, escandalosa, no nosso dia a dia, que todos deveríamos evitar, porque nos afetam como um punhal que nao dá beijos.
1 – Demagogia: Já Aristóteles se queixava e com razao. Isto é, esse metodismo retórico absurdo do pensamento e sobretudo da linguagem, que tem como objetivo nao a razao absoluta ou relativa, mas sim, o comover e persuadir as “massas” nos seus “ toques” emocionais. Ou seja, uma burla descarada e uma falta de respeito volvidos disciplina ou método recurrentes, entre mandantes e mandados, alastrando-se sistémicamente na sociedade inteira. O pior é que, se devemos avançar para uma sociedade mais estruturante, cada vez nos distanciamos mais dela.
Disso sabem tanto os políticos como os agentes sociais havidos e por haver.
2 – Défice Comunicacional: Aqueles que mandam, os políticos, mas também os sociólogos, deviam fomentar e afinar a comunicaçao pluridisciplinaria, em base a corrigir os anti-valores e assim resguardar aqueles valores que se identificam com o essencial e o humano. Por muito cartesianos que possam parecer, ou sejam, há valores como a Eficiência, o Rigor, a Criatividade, a Mobilidade física, intelectual e espiritual, que se sentem bem a sua falta. O défice comunicacional humano é, portanto, uma tara de proporçoes enormes atualmente, talvez a pior de que padece o mundo. Esse défice, que nao corresponde nada com o nosso nivel de inteligência e de conhecimento, de continuar a este ritmo patético que aposta no isolacionismo, levaría-nos a ponto de ignorância e de desintegraçao tal que, cedo seria demencial.
3 – Défice Patrimonial: Este défice, compagina-se com valores tanto coletivos como pessoais, tais como a Eficiência, o Trabalho, a Educaçao, a Cultura, os Tempos livres, o Conhecimento tangível, a Administraçao do Tempo, a Rentabilidade relativa e absoluta, a Qualidade de Vida, a Organizaçao temporal da nossa Vitalidade, a Qualidade dos serviços prestados a outrém, enfim, coisas simples como a Abnegaçao e a Afabilidade. Tudo isto enriquece, sem dever nada a ninguém.
4 - Défice de Civilidade: Desde que os pilares da ( boa ) Democracia se debilitam, aparecem os indícios da falta de Civilidade, num mundo onde concerteza há espaço para Todos.
Acaso somos assim tao incapazes de reorganizar, autocríticamente a nossa sociedade?
Acaso é assim tao impossivel, conseguir bases para a prática expontânea da inteligibilidade e do respeito humano nas ideias e atos entre pessoas, como desde logo entre países e continentes?
Eis estes quatro extrabrutos básicos, que preocupam os mais atentos, os quais praticamos a maioria de todos nós e que deveríamos começar por concientizar, reformular, desde dentro, no singular, para depois plantar-nos no plural universal. Nao acredito em misticismos, nem em heróis, nem em devoçoes desgarradas, nem no mais além, que nao seja o das estrelas.
Mas acredito e muito, naqueles que, mesmo se fazem parte do problema, também querem ser parte da soluçao e acreditam num mundo melhor, para todos.
Henrique Silva
Maio 2014.














